quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Porque eu não escolhi ser astronauta

Porque eu não enxergo bem, e a Aeronáutica despreza nós, míopes. Bom, na verdade eu não sabia o que que precisava ser feito pra ser astronauta, eu só sabia que era bem difícil e minha mãe me desencorajava.

Mas que ia ser legal, ia.



NASA candidacy requirements
Be citizens of the United States.
Pass a strict physical examination, and have a distant visual acuity no greater than 20/50 uncorrected, correctable to 20/20. Blood pressure, while sitting, must be no greater than 140 over 90.

Commander and Pilot
A bachelor's degree in engineering, biological science, physical science or mathematics is required, and a graduate degree is desired, although not essential.
At least 1,000 hours flying time in jet aircraft, and experience as a test pilot is desirable.
Height must be 5 ft 4 in to 6 ft 4 in (1.63 to 1.93 m).

Mission Specialist
Bachelor's degree in engineering, biological science, physical science or mathematics, as well as at least three years of related professional experience.
Applicant's height must be 5 ft 2 in to 6 ft 4 in (1.57 to 1.93 m).

Mission Specialist Educator

Mission Specialist Educators Lindenberger, Arnold, and Acaba during a parabolic flight.
Main article: Educator Astronaut Project
Bachelor's degree with teaching experience, including work at the kindergarten through 12th grade level. Advanced degree not required, but is desired

Porque eu não cursei Direito

Justiça sempre foi uma questão muito importante para mim. Na verdade, ainda hoje eu penso bastante sobre justiça e direitos do indivíduo, e mal posso esperar pra começar a ler Os Super-Heróis e a Filosofia, que vão me dar uma baita luz.
Curiosamente, eu nunca tive a mínima vontade de cursar Direito (a não ser pra se livrar daquela piadinha). E o curso e a profissão giram completamente em volta da justiça. Mas por que eu não quis estudar isso?
Certamente porque eu tinha muito preconceito e desconhecimento sobre o curso, mas principalmente porque eu não me via sendo útil naquela profissão. Eu defendo a democracia direta e a autonomia, e não conseguiria me ver como uma bengala que conduz o cliente ao que ele pediu, atravessando caminhos cheios de pedras e buracos. Ao meu ver, cada cidadão deveria estar consciente e lutar pelos seus próprios direitos de forma mais direta, sem apelar para a burocracia do Judiciário. Ok, eu vejo o quanto isso é difícil, mas eu pensei que sendo advogado eu já estaria me posicionando a favor dessa fragmentação do sistema, pela simples existência como advogado. Além do mais, isso acontece com outras profissões também.
Mas a burocracia do sistema jurídico sempre me pareceu apavorante. Eu queria fazer justiça de forma mais direta, sem ter que esperar pelo arquivamento, pelo juiz, pelo júri, pelas medidas legais e tudo o mais. Nesse meio tempo as pessoas estariam sofrendo, e algo diferente poderia ter sido feito. Aí já deixaria de ser justiça e cairia nas arbitrariedades do juiz, com a sua concepção de justiça que ele não discute teoricamente com mais ninguém.
Eu também não gostaria de defender nenhum caso. Advogado tem sempre o problema ético de defender ou não casos que julga injustos, e rola muita corrupção no meio.Além de ter que defender casos complicados, eu nunca gostei do estilo da defesa dos casos. Não é feito nenhum debate entre um grupo de juristas para se chegar a um consenso, nem grupos de estudos, sequer dão voz às partes, ficando toda a sua representação a cargo dos advogados e promotores. O processo é uma disputa de quem argumenta melhor na frente do juiz, que vai decidir no final quem está certo. Eu entendo, é pra ser baseado em 'provas', e o juiz teoricamente é alguém capacitado e imparcial. Mas quem não garante que as provas são forjadas, ou que o juiz foi subornado, ou que não passa de um julgamento subjetivo e pessoal, ou que as partes estão apenas competindo por dinheiro?
Essas críticas na verdade não são só minhas, mas todo mundo que pensa sobre ciência jurídica já pensou isso muito antes e de forma muito mais aprofundada.
Além do sistema de disputa, eu nunca aprovei as técnicas de argumentação. É muita retórica, muito jogo de palavras, muito subjetivismo, muito apelo à emoção. Se diz que o pai está arrependido de ter abandonado o filho, que o avô sempre foi muito importante para a família, que o presidiário sonhava em ser marceneiro e o encarceramento arrasou com o sonho dele. E ainda sempre se diz que a Psicologia trata da parte subjetiva do processo, e o Direito da parte de objetiva. Com isso eles querem dizer que o Direito trata da questão econômica, e a Psicologia tem como objeto de estudo a subjetividade. Mas a apresentação dos resultados é totalmente ao contrário, os laudos de psicologia são muito mais objetivos do que as defesas dos advogados. Os advogados costumam dar seu próprio julgamento e usar vários adjetivos tendenciosos, o que compromete toda a objetividade e a clareza do processo.
Pelo menos é assim que vejo o Direito Penal e o Direito de Família, que são os mais tradicionais. Na época do vestibular, eu desconhecia que era possível trabalhar com Direito Ambiental ou Direitos Humanos, e também desconhecia a existência das muita escola teóricas dentro das Ciências Jurídicas, e isso fazia parecer que eu teria que obedecer à concepção de justiça do Estado brasileiro. Engraçado que eu estudo um monte de Direito na Psicologia, com o ECA e a mediação familiar e tudo o mais.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Porque eu não cursei Publicidade e Propaganda

Olha, esse era o curso que eu queria fazer desde a sétima série, até que no segundo ano esse desejo caiu por terra. Eu imaginava imitar o caminho do Todd MacFarlane, criador do Spawn: me formar em publicidade, trabalhar com propaganda e quadrinhos e então ter as minhas próprias séries e, quem sabe, editora de quadrinhos, que depois virariam desenho animado e bonequinhos. Ah, seria o máximo.
Com a minha imaginação e um certo dom para a propaganda seria tudo muito fácil, desde novo eu já pensava propagandas criativas e melhores do que as que passavam na TV. E eu ainda queria fazer alguma especialização em psicologia pra fazer propagandas melhores! Ah, que perverso! Mas aos poucos eu fui descobrindo minha orientação política e vi que psicologia do consumidor não é o canal.
Eu tinha idéias de propagandas super engraçadas e bonitinhas sobre preservação de água ou combate ao sedentarismo, mas eu comecei a ficar cético sobre quem é que iria demandar um trabalho desses. A indústria da propaganda é muito corrupta e tem uma ideologia do consumo e do prazer imediato, e a divulgação da ciência não é incentivada. Então não teria nenhum emprego em empresas pra um publicitário humanitário. Hoje eu acho isso um engano, pois eu descobri que durante a graduação a gente traça o nosso próprio caminho como a gente quiser, e se eu começasse a trabalhar com esse tipo de propaganda eu acabaria empregado em alguma ONG que compartilhasse da proposta das minhas propagandas.
Mas depois que eu assisti o filme Doce Novembro, pareceu que todos os publicitários necesariamente seriam corruptos, estressados e superficiais, e que eu teria que fazer propaganda de carro e cerveja. E eu odeio propaganda de carro e cerveja, e odeio carro e cerveja. O pior de tudo é que as propagandas de cerveja são as mais criativas e as que mais investem recursos e esforços, apesar de sempre o mesmo tema da praia, da mulher-objeto, da diversão e do futebol. Isso torna o nosso quadro da propaganda lastimável.
Enfim, eu simplesmente não queria ser demandado a realizar algo do qual discordo, mesmo que por um dinheirão.
Mas se eu tivesse cursado publicidade, eu estaria fazendo algo do tipo:
www.wildaid.org

Porque eu não cursei Artes

Ah, a profissão da minha vida. Novamente, dizem que eu estou no curso errado. Mas só porque eu me envolvo horrores com arte não quer dizzer que eu queira ter a arte como trabalho. Eu digo que no meu curso psicólogo tenta se fazer de artista e dizem que eu sou um artista que tenta se fazer de cientista. E eu digo que sou cientista, que nem o Leonardo da Vinci.
Primeiramente, eu não cursei porque o mercado da arte aqui no Brasil é terrivelmente cruel, e nem sempre aceita nossas criações. Assim não dá pra deixar a própria arte submetida ao mercado, não dá. Se vender de jeito nenhum. Mas passar fome também não.
O curso também tem aquele problema, como qualquer educação formal, de deformar, inibir e adulterar, ao mesmo passo que demanda e abre caminhos. E eu gosto da minha arte livre: punk rock, progressivo, mangá, HQ, comics, pintura surrealista. Isso não combina com a arte conceitual e minimalista ou com as instalações que eles incentivam nas faculdades de artes. Só que esse problema com as muitas escolas de pensamentos e modismos tem na Psicologia também, só que como eu sou mais cientista eu não fico dizendo que estão em reprimindo.
Eu também não queria estudar crítica da arte, por considerar muito supérflua e improdutiva. Mas junto com ela a gente estuda estética, que é algo que eu ando estudando bastante ultimamente. Na real, eu acho que eu não me encaixo com pós-modernismos blasé, e eu só não queria fazer minha arte daquele jeito.

"Críticos são sujeitos que passam anos procurando um erro do escritores - a acabam encontrando."
Peter Ustinov

sábado, 22 de dezembro de 2007

Porque eu não cursei Medicina





Mais um capítulo da série "Porque eu não cursei...", na qual eu vou refletir sobre os motivos que me afastaram de outros cursos considerados vocações para mim. É negando o outro que a gente se identifica, como diria o velho Hegel (não acreditem em tudo que ele diz). Curiosamente, são os mesmos cursos que os meus amigos fazem ou vão fazer, mas eu não quero desmotivar ninguém, só compartilhar algumas reflexões que podem até ser resolvidas.


Pois é. Medicina. O curso mais difícil, mais respeitado, mais apavorante e mais cobiçado daqui. Todas as famílias se orgulham de terem filhos médicos, ou no mínimo acham uma boa idéia. Já me disseram que eu tinha cara de médico, por ser estudioso, ter 'sangue frio', ter uma tendência a estudar questões de saúde e muitas outras qualidades boas para um médico. E que eu poderia me especializar em Psiquiatria e receitar remédios, que era muito melhor que 'só' Psicologia.


Mas eu nunca gostei tanto assim de Medicina, apesar de já ter cogitado várias vezes. Nenhuma dessas implicâncias é necessariamente por causa da ciência ou da profissão, mas mais pelas politicagens e hábitos associados a elas.


Nunca tive problemas com cadáveres, doenças e cortar coisas, nem com decorar pacas, apesar de não ter o costume de usar o caderno, o que é extremamente útil num curso desses. Mas eu não gostava da frieza da relação médico-paciente, e na época que eu pensava sobre isso eu não sabia da existência do movimento de Humanização da Saúde, da Reforma Psiquiátrica, da Anti-psiquiatria e nem tinha assistido ao Patch Adams.


Engraçado que essa não foi a minha única crítica à Medicina que eu encontrei também na Psicologia. Na Medicina, me desagradava a prática da Medicina Reparativa, em contraste com a Medicina Preventiva. Mais que isso, eu não queria ser como só mais um tijolinho no muro consertando erros, enquanto a máquina central continuaria a produzir erros com a mesma freqüência. Eu não queria fazer cirurgia para quem tivesse problemas cardíacos, eu queria que todos fizessem exercício desde o início. Queria agir nas causas sociais dos problemas de saúde. Só que, na época, não via perspectivas de fazer isso dentro da Medicina. Acho que foi engano meu, porque eu tenho essa mesma crítica dentro da Psicologia, e tem muita gente lutando pra conseguir fazer alguma coisa quanto a isso.


Na Psicologia eu também me deparei com muitas problematizações em cima da instituição hospitalar, o que faz eu pensar que foi uma boa eu entrar pra Psico. Ou que eu deveria estudar essas coisas e trocar pra Medicina, mas não quero isso, não. Prefiro só discutir e recomendar leituras aos médicos. Vocação de professor.


Mas os problemas institucionais realmente me afastaram da Medicina. O ritmo alucinante, não podendo atender com o devido esforço aos pacientes que gostaríamos. A economia de recursos com pacientes de alto risco. A exigência dos superiores para receitar determinada terapia. O controle sobre as outras profissões. Ser obrigado a fazer coisas qeu não concorda devido às exigências da instituição. Ter que obedecer questões do código de ética dos quais discorda.


Na verdade, tem muitos médicos que conseguem liberdade para agir de forma mais ética dentro de uma instituição hospitalar. E tem também os clínicos, que agem muito baseados em suas convicções. E isso pode ser perigoso, pois daí falta uma ggeneralidade do código de ética e da atuação profissional. Além disso, eu tenho certos preconceitos com profissionais liberais, relativos a questões de mercado.


Que nem no caso da objeção de consciência que os médicos brasileiros fazem com relação à demanda de aborto. O aborto é permitido no Brasil em casos de estupro ou risco de vida da mãe, e abortos clínicos em função de falta de planejamento familiar ou opressão de gênero ocorrem apenas em clínicas privadas superespecializadas que passam por cima da lei ou em fundos de quintal, por fora da lei e que trazem grandes riscos às pacientes devido à falta de preparo e equipamento. Mas permitido não quer dizer realizado. A Igreja Católica é muito forte aqui no Brasil, e é a principal opositora da legalização do aborto, assim estendendo suas influências fortemente dentro da classe médica. Então, mesmo que a mãe não tenha nenhuma condição de criar um filho, ou que ela tenha passado por um triste caso como os já comentados, o médico tem o direito de se recusar a realizar a operação. Eu vejo esta atitude como uma falta de unidade do código de ética da Medicina e como uma interferência da religião na política e na ciência, estabelecendo critérios para a vida baseando-se em crenças religiosas. Mas na nossa legislação, o médico está tão no direito de se recusar a realizar um aborto quanto um estudante está de se recusar a participar de aulas com experimentação animal, pois a lei caracteriza esses posicionamentos como crenças pessoais que devem ser respeitadas. Já eu caracterizo como uma crença religiosa de um lado, e uma postura política e crítica institucional de outro. Mas de qualquer forma, não dá pra obrigar os médicos a realizar as operações e nem deixar que eles se eximam de suas responsabilidades. País grande e desigual dá nisso, desigualdade da educação científica e falta de unidade do código de ética.


Os médicos lidam com conflitos éticos constantemente, em assuntos como a aplicação de determinado procedimento cirúrgico de alto risco ou dar atenção a determinado paciente em detrimento de outro. São deicsões éticas que as pessoas comuns não precisam tomar, mas que os médicos têm a obrigação de encarar. Eu questiono se, se o sistema de saúde fosse estruturado de forma diferente, esses problemas ainda se apresentariam. Talvez eles sejam causados pela própria institucionalização da Medicina desta forma. O médico tem a obrigação de dispensar muitos esforços e recursos para tentar curar, muitas vezes inutilmente, um paciente com câncer, enquanto que em outras sociedades pode ser simplesmente aceita a morte da pessoa como um processo natural ou como inevitável conseqüência de ações passadas. Claro, em algumas sociedades também é visto como castigo divino ou como presença do demônio, e isso não é muito humanitário. Mas é possível ter diferentes relações com a doença e a morte que não esta intervencionista, combativa e reparadora da nossa Medicina.


Eu acho essa exigência da profissão de combater na morte e tentar reparar algo que é conseqüência de hábitos ruins, como um câncer de pulmão causado por fumo excessivo, algo muito cruel. Cruel para os trabalhadores médicos. É um tipo de exigência que eu não iria suportar, principalmente porque meus questionamentos não seriam ouvidos ou atendidos.


Ter que encarar a morte do paciente e atribuir isso à minha causa também não é algo que eu gostaria. Até por não ver a própria doença, acidente ou tragédia sofrida como causada por mim, e seria muito controverso fazer algo no qual não acredito. Por outro lado, seria muito chato encarar tranqüilamente a morte de um paciente enquanto eu poderia ter feito alguma coisa. Como que os médicos e pensadores da medicina pensam sobre isso, eu não sei. Mas é importante saber.


Dentro dos conflitos éticos e obrigações institucionais que eu quis evitar está também a receita de medicamentos. Ela é a principal prática terapêutica da nossa medicina, e é muito criticada devido à sua articulação estreita com a corrupção e os interesses da indústria farmacêutica. Efeitos colaterais, medialização e normatização do comportamento, receita de remédios errados, distribuição desigual do acesso à saúde à população, experimentos em animais com o intuito de dar respaldo jurídico para os laboratórios, produção de dependência da medicação, controle do itinerário do paciente, custos expensivos com bengalas em vez de um treinamento pra fortificar as pernas. Tudo isto está envolvido com a utilização de remédios, que é inevitável na profissão médica. E como eu não queria ter que receitar remédios testados em animais, mas teria que fazer isso, não tinha jeito de eu passar pela Medicina.


Na verdade isso era só o que eu achava, devido ao meu desconhecimento da área. A Medicina, assim como qualquer ciência, é muito mais ampla e variada do que supõe quem vê de fora, e as possibilidades de atuação e mudanças estão aí, para quem tiver disposição para estudar e militar. Eu acho que estudar células ou doenças intestinais é muito chato, mas se eu me transferisse para a Medicina eu ia levar comigo o Michel Foucault, a Análise Institucional, o Humanismo e tudo o que se tem sobre Ética e Antropologia da Medicina.


Hunter Patch Adams é um ativista legal. Ele veio pro Brasil esse ano e eu perdi, mas imagino que ele venha de novo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Por que eu não cursei Biologia


Clima de final de ano, início dos estágios, amigos fazendo vestibular, o meu envolvimento cada vez maior com militâncias políticas, o aprofundamento nas pesquisas, tudo isso suscita muitas questões acerca do futuro. Curiosamente, pensar sobre o futuro significa pensar sobre a carreira profissional, mas eu penso que isso seja mais por esse ser o campo mais fácil de planejar do que por uma supervalorização do trabalho em detrimento de outras dimensões da vida. De qualquer forma, tudo o que eu faço é muito importante pra mim, e eu critico e justifico constantemente as minhas escolhas.

Pensando sobre outros caminhos possíveis de serem seguidos, voltei a me questionar sobre o porquê que eu não entrei para o curso de Biologia, que é uma matéria pela qual sou absolutamente apaixonado e que coincidentemente tenho muitos e muitos amigos de lá. Eu estudo conteúdos de Biologia seguidamente e consigo travar debates bastante equilibrados com biólogos, e muita gente diz que eu estou no curso errado. Mas eu discordo.

Eu desisti de Biologia logo na metade do Ensino Médio, porque eu não sabia qual seria a perspectiva de emprego de um biólogo, e eu achava que ser um cientista era uma coisa muito difícil e rara. Se bem que eu estava bem determinado a ser repórter da National Geographic Channel e filmar os bichinhos caçando.
Outro ponto, que por muito tempo eu considerei o principal para me afastar deste curso foi justamente por causa dos bichinhos. Mais precisamente, o que os professores fazem e mandam fazer com os bichinhos. Eu iria me recusar a participar das vivisssecções e iria acabar travando uma guerra com os professores, que empacaria meu currículo e, como a grande maioria das pessoas, mesmo que discorde, costuma ficar em silêncio e baixar a cabeça, eu ia acabar ficando sozinho brigando com os professores. E eu não queria me opor a todo mundo.





Só que o problema lá não é só o tratamento dispensado aos animais de laboratório, mas sim toda a relação humanidade-ciência-Natureza que é ensinada ali. É uma Natureza subjugada à humanidade através da ciência, que tem por objetivo o mero progresso da ciência. Não é essa a relação que eu tenho com a Natureza, e muito menos a que eu quero ter.

O estudo de Biologia está muito fundamentado da filosofia de Francis Bacon, filósofo naturalista do século XVII, expressa na máxima: "A Ciência deve servir para o Homem dominar a Natureza". Nessa concepção, a Natureza está separada da humanidade, e é vista como um inimigo e um objeto a ser dominado e utilizado para a satisfação dos interesses da humanidade. Isso é chamado de façanha prometéica, por sugerir que é uma técnica, uma prática que não existia antes, com a filosofia escolástica tida como inútil. Mas eu chamo de falácia prometéica, por concluir que por conhecer a Natureza através da ciência, e pelo fato de o conhecimento trazer poder, e conseqüentemente controle, é legítimo que o detentor do conhecimento se apodere da Natureza. A idéia de ter poder aí seria o suficiente para ser considerado legítimo, justo, correto ou bom, o controle sobre a Natureza.

A suposição de que o poder deve ser exercido, ou de que ele é suficiente para dar o direito, são imediatamente reprovadas se tentarmos aplicá-las a vários setores da sociedade, e com boas justificativas.

Ocorre uma confusão conceitual também no momento em que se classifica a Natureza, ou a vida, como objeto de estudo. Ontologicamente falando, podemos classificar esses mesmos como objetos, por serem comnpostos de matéria e constituirem parte do nosso Universo. Epistemologicamente falando também, porque nós os conceituamos e tentamos estudá-los e conhecê-los. Mas, segundo a nossa filosofia baconiana, o objeto de estudo é o objeto a ser controlado, então eles também são tidos como objetos do ponto de vista valorativo. O valor atribuído aos organismos vivos é um valor instrumental, sem quaisquer idéias igualmente metafísicas de direito, respeito, justiça ou até sacralidade.

Esse problema do objeto de estudo ser transormado em objeto do ponto de vista do valor atribuído a ele acontece também nas ciências humanas, embora em menor escala e não tão institucionalizado e naturalizado. E por causa dessas barreiras institucionais, mesmo que eu estudasse muito de filosofia da ciência e criticasse essas práticas, os professores não iam entender nada do que eu falasse e iam mandar eu obedecer a súmula.


Só que eu não queria, de jeito nenhum, ser ensinado a ter esta relação instrumental, utilitarista, intervencionista e displicente com a Natureza, tratando como um reles objeto ou atibuindo a ela apenas valor econômico. Minha relação com a natureza sempre foi passiva, contemplativa, apreciadora, respeitosa, daria até pra dizer pagã. Pagã no sentido de um sentimento de conexão com a Natureza da qual fazemos parte, sem necessariamente a presença de deuses, mitos ou rituais, que eu dispenso. E eu discordaria que esta é uma postura mística, pois de fato fazemos parte da Natureza e inevitavelmente nutrimos algum sentimento por ela, seja de pertencimento ou não. Além disso, a filosofia baconiana não é tão laica assim: essa separação Homem-natureza e fé na condução da Natureza através da razão são heranças diretas do transcendentalismo católico, e da idéia de natureza como mundana, e, portanto, sem valor, enquanto o humano é dotado de uma alma perfeitamente racional concedida por Deus, do qual foi feito à imagem e semelhança.

Quando eu era mais novo eu tinha apenas uma intuição de sobre o porque que eu discordava dessa idéia de arrancar folhas das árvores para estudar ou colocar insetinhos num pote de álcool, mas agora eu já consigo articular e elaborar críticas mais justificadas sobre isso tudo. Essa cosmovisão 'pagã', da qual posso dizer que compartilho, atribui um valor imanente à Natureza, com idéias de dignidade, respeito, harmonia, e outros valores usados no nosso sistema social. Se a sociedade é tão dependente da Natureza, como podemos não atribuir valores a ela e a seus organismos vivos, da mesma forma que fazemos conosco? Ou será que deveríamos eliminar de vez todo o valor construído em volta dos objetos, incluindo nós mesmos, e permitir um uso instrumental de qualquer coisa?

O primeiro ataque histérico que alguém tem ao ver confrontada essa cosmovisão baconiana é de reagir agressivamente, condenando a pessoa de ser contrário ao progresso da ciência e da tecnologia. Eu não sou, de forma alguma, contrário ao progresso da ciência, embora que com a produção de tecnologia eu costume demonstrar um alto ceticismo quanto às suas aplicações. Só que eu defendo que, por estarmos inseridos em uma sociedade, dependentes de suas contribuições e sujeitos às suas leis, devemos estipular restrições éticas quanto ao que é permitido para o progresso da ciência. A ciência vai evoluir, não importa com que metodologias ou que enfoque, e defendo que o conhecimento é sempre importante. O problema é o como. O método utilizado para isso. Criar um ratinho transgênico autista quebra muitas barreiras éticas, e embora produza um conhecimento excelente, a produção de papers não vale a violação da dignidade de ninguém. Podemos pensar na observação não-participante como uma metodologia mais próxima da minha postura contemplativa, mas eu não tenho uma caixinha de respostas com todoas as metodologias possíveis. Isso demandaria muitos anos de esforço e criatividade da comunidade científica, e imagino que daria certo.

Essa minha cosmovisão está bastante relacionada à concepção sistêmica, usada no estudo da ecologia, no entendimento de que todo o ecossistema está integrado e todas as nossas ações interferem no equilíbrio, e isso despenca sobre nós. A noção prática de ecologia é algo que falta em muita gente, e é urgente que se mude essa atitude na população mundial, devido aos incontáveis problemas ambientais que estamos vivendo, e que ameaçam a sobrevivência de grande parte da vida sobre a Terra. Ao meu ver, o conhecimento das conseqüências de suas ações provavelmente traz reflexões éticas muit positivas.

Então eu achei nessa minha crítica ao ensino de Biologia o meu objetivo na Psicologia: mudar a postura das pessoas em relação à Natureza. Eu sei, todo mundo ama o mar e diz que preservar o ambiente é importante, mas ninguém reflete sobre o respeito que se tem ao usar aerosol num camping ou comprar um bife no supermercado. E ter noção das conseqüência é importante, e é para isso que temos a ciência. E justamente esses esforços para a preservação ambiental é que podem ser um dos maiores propulsores da ciência e de uma relação mais respeitosa com a Natureza. Eu reconheço que algumas pessoas brilhantes podem cursar Biologia e manter ou desenvolver essa atitude 'pagã', mas num geral os mecanismos institucionais agem de maneira deformadora. E isso eu não queria pra mim, eu não queria ser obrigado a agir de um jeito diferente do que vejo. Assim eu preferi trabalhar na Biologia por outro caminho, no qual posso conseguir mais instrumental para as minhas lutas.
Tá, isso não quer dizer que o curso é ruim, a profissão é corrupta e ninguém tem discernimento pra encarar essas práticas. Na verdade, é a minha paixão. E só porque eu não tinha maturidade, apoio e conhecimento pra combater as questoes das quais discordo, não quer dizer que pessoas que compartilham da mesma visão que a minha devam evitar o curso. Pelo contrário, melhor que se formem muitos biólogos engajados. Eu só não troco de curso porque eu estou gostando do meu e quero habilitação psicólogo.

Quem quiser conhecer o homi:

domingo, 16 de dezembro de 2007

Jura!


Pra esses serem os interesses gerais da população, só depois que o mundo virar vegetariano, o oriente médio ficar em paz e os carros voadores forem movidos a energias renováveis!

Não existe a categoria fofoca?


Celebridades da Wikipedia: Jacek Yerka, Richard Feymann, Charles Darwin, Tom Morello, Joss Stone...

Pelo grau de atualização e complexidade dos artigos de ciência na Wikipedia, eu deduzo que só nerds que estão concluindo seus mestradops em alguma coisa ue contribuem pra ela. O que é ótimo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Relativismo Vegetariano

"Tudo bem que ele seja vegetariano, desde que ele não tente me convencer a ser vegetariano também"


Essa foi uma maravilhosa pérola que eu ouvi outro dia, de uns caras falando sobre outro cara do qual eles não gostavam muito, e que era vegetariano ativista. Sobre o quanto esses caras devem ser legais uns com os outros, não interessa. O que interessa é que a frase entre aspas acima reflete muito bem um discurso recorrente quando se entra em choque com um vegetariano político ( o que não come carne por questões políticas e de ordem social), que é o de um certo relativismo quanto à opção alimentar.

Concordo que as pessoas não devem se alimentar todas de uma mesma forma, e que existem gostos variados que devem ser respeitados. Isso é relativismo cultural. Existem pratos preparados de maneiras que ahcamos estranhas e temperos que nos dão um treco. Mas isso não se aplica ao consumo de carne, pois ele envolve não só uma opção alimentar mas também relações de poder muito marcantes e a violação do direito à liberdade de outros indivíduos, principalmente. Não é que nem Tonho gosta de banana e Quito gosta de pêra, mas sim Carlo planta e colhe arroz enquanto Gregório chuta e dá marretadas num porco numa gaiola. Um porco que poderia estar livre, feliz, e, apesar das dificuldades inerentes à vida, elas são muito melhores do que ser tratado como um saco de argamassa e depois levar algumas facadas no pescoço quando ele queria na verdade correr pelo campo.

Aí que entra o primeiro problema quando um consumidor de carne exige essa postura de relativismo e liberdade de estilo de vida de um vegetariano. O próprio consumo de carne já é uma violação dessa idéia de liberdade de agir-viver. Viola-se primeiramente a dignidade do animal, transformando sua existência em um meio para um outro objetivo que não a própria vida (o lucro ou o consumo), depois é violada o seu direito de ser livre e conhecer os ambientes à sua escolha (escolha é um termo controverso, mas já que aplicamos à nós aplicaremos a eles também, já que escolha exige livre arbítrio, e não necessariamente uma nova arma ou um cérebro mais gordo. Livre-arbítrio exige alma, e ou todos tem ou ninguém tem. Enfim, conceitos controversos.) e por último é violado o seu direito à integridade, com uma martelada na cabeça. Com uma defesa tão firme da violação a liberdade de outros, é muito incoerente que ele exija um respeito ao que ele considera como liberdade, que provavelmente deve ser uma concepção muito mais confusa que a de escolha.

Além disso, tentar convencer alguém a se tornar vegetariano não é necessariamente uma ameaça à liberdade. Normalmente, se tenta convencer alguém a ser vegetariano apresentando fatos e argumentos, sobre aspectos diversos. Discutir e argumentar é uma ameça à liberdade? Se alguém pensar que sim, é recomendável que jamais se leia um livre novamente ou vá para a faculdade, porque a exposição às idéias novas apresentadas num livro deve ser praticamente um suplício em praça pública pra essa pessoa. Na verdade, no meio intelectual, entrar em contato com diferentes fatos e idéias é visto como uma libertação intelectual. Dúvidas existenciais, insights, teorias novas, essas coisas todas. Então, o mais inteligente seria que essas pessoas ficassem felizes ao ter alguém ao lado argumentando a favor de uma dieta vegetariana com implicação política.

Infelizmente, todas as críticas feitas ao consumo de carne são encaradas como se a pessoa estivesse "forçando" as outras a agirem como ela. Essa reação é uma forma de defesa à sua cosmovisão, que acontece com quaisquer outros grupos que têm suas crenças ameaçadas pelos fatos. Mas elas não estão sendo forçadas a agir de acordo com esses fatos. Espera-se que ajam, mas não há essa garantia. O vegetariano só está expondo as informações e críticas que possui, o uso que as pessoas farão a partir daí não depende mais do vegetariano. A menos que ele tenha uma arma ou bastante poder político, só que não são todos os vegetarianos que têm isso. Forçar exige o uso da força, e não é isso o que normalmente ocorre em uma discussão. Ninguém vai apanhar do colega por comer carne. No máximo vai levar xingão, mas provavelmente só vai ter discussões bem acaloradas.

Uma coisa que eu considera incrível é que existem vegetarianos que dizem "respeita a opção dele", como se o tentar argumentar fosse violação de alguma coisa. E como se ser vegetariano fosse uma simples opção alimentar, como gostar de pão com chocolate ou batida de banana com limão, quando também é uma posição política e uma forma de se expressar. Não se é vegetariano por peninha dos pobrezinhos dos animaizinhos; se é vegetariano porque se opõe à injustiça, à exploração e à uma das indústrias mais cruéis do mundo, em todos os sentidos. E se tu te opões à injustiça, tu vais fazer valer a tua voz. Bandeira não é pra ficar guardada no armário, escondida dos exércitos alheios. Por isso não é só um direito, mas um dever do vegetariano consciente de criticar e se opor firmemente ao consumo de carne. E isso pode ser feito de maneira educada e respeitosa, posi o que devemos respeitar e conservar são as pessoas, e não suas idéias ou hábitos nocivos e questionáveis.

Imagine, por exemplo, que você está na faixa de Gaza, e está acontecendo um combate entre o Hamas e guerrilheiros israelenses. Eles acreditam que estão fazendo a coisa certa, que eles estão certos e foi assim que eles aprenderam a se relacionar. Você acha que esta prática deles deve ser 'respeitada'? Falar de paz e tentar uma conciliação seria 'forçar' ou 'converter' estes homens tão certos e tão satisfeitos com o que fazem?
Aí que entra o valor de se posicionar de forma clara, respeitando as pessoas. A gente não vai chegar xingando e socando esses caras, até porque isso não daria certo, e simplesmente os tornaria ainda mais intolerantes a idéias outras. Mas um diálogo tem sempre o seu valor, seja para a paz árabe-israelense, seja para uma dieta mais ética e socialmente benéfica, mesmo que as pessoas se mostram avessas no início.

domingo, 9 de dezembro de 2007

10 razões da Psicologia contra a redução da maioridade penal

Conheça as 10 razões da Psicologia contra a redução da maioridade penal:

1. A adolescência é uma das fases do desenvolvimento dos indivíduos e, por ser um período de grandes transformações, deve ser pensada pela perspectiva educativa. O desafio da sociedade é educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado tanto do ponto de vista emocional e social quanto físico;

2. É urgente garantir o tempo social de infância e juventude, com escola de qualidade, visando condições aos jovens para o exercício e vivência de cidadania, que permitirão a construção dos papéis sociais para a constituição da própria sociedade;

3. A adolescência é momento de passagem da infância para a vida adulta. A inserção do jovem no mundo adulto prevê, em nossa sociedade, ações que assegurem este ingresso, de modo a oferecer – lhe as condições sociais e legais, bem como as capacidades educacionais e emocionais necessárias. É preciso garantir essas condições para todos os adolescentes;

4. A adolescência é momento importante na construção de um projeto de vida adulta. Toda atuação da sociedade voltada para esta fase deve ser guiada pela perspectiva de orientação. Um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação escolar e profissional ao longo da vida no sistema de educação e trabalho;

5. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) propõe responsabilização do adolescente que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas. O ECA não propõe impunidade. É adequado, do ponto de vista da Psicologia, uma sociedade buscar corrigir a conduta dos seus cidadãos a partir de uma perspectiva educacional, principalmente em se tratando de adolescentes;

6. O critério de fixação da maioridade penal é social, cultural e político, sendo expressão da forma como uma sociedade lida com os conflitos e questões que caracterizam a juventude; implica a eleição de uma lógica que pode ser repressiva ou educativa. Os psicólogos sabem que a repressão não é uma forma adequada de conduta para a constituição de sujeitos sadios. Reduzir a idade penal reduz a igualdade social e não a violência - ameaça, não previne, e punição não corrige;

7. As decisões da sociedade, em todos os âmbitos, não devem jamais desviar a atenção, daqueles que nela vivem, das causas reais de seus problemas. Uma das causas da violência está na imensa desigualdade social e, conseqüentemente, nas péssimas condições de vida a que estão submetidos alguns cidadãos. O debate sobre a redução da maioridade penal é um recorte dos problemas sociais brasileiros que reduz e simplifica a questão;

8. A violência não é solucionada pela culpabilização e pela punição, antes pela ação nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que a produzem. Agir punindo e sem se preocupar em revelar os mecanismos produtores e mantenedores de violência tem como um de seus efeitos principais aumentar a violência;

9. Reduzir a maioridade penal é tratar o efeito, não a causa. É encarcerar mais cedo a população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou possibilidade;

10. Reduzir a maioridade penal isenta o Estado do compromisso com a construção de políticas educativas e de atenção para com a juventude. Nossa posição é de reforço a políticas públicas que tenham uma adolescência sadia como meta.

www.pol.org

sábado, 8 de dezembro de 2007

Top 8 Idéias Perigosas da Ciência

Um pouco de Crtl+C crtl+V...


"As idéias que poderão revolucionar o mundo, porém, também, trazer prejuízos.
Darwin, Einstein revolucionaram a Ciência, mas não contavam com o mau uso de suas descobertas por mentes perigosas como a de Hitler e dos criadores da bomba atômica. As grandes idéias trazem mudanças de mentalidades e com elas, também, consequências indesejadas."
Nota minha:As idéias de Darwin foram mal-interpretadas pra se transformar no darwinismo social e afins. Quanto à bomba atômica, é isso que dá fazer ciência para fins militares. Falta implicação da sociedade civil na ciência.


"Cientistas discutem num site (http://www.edge.org/) quais são as teorias que se confirmadas poderão mudar o mundo para o bem ou para o mal."
Abaixo estão as oito mais comentadas:

1- Antidepressivos Podem Acabar com o Amor Humano
(Helen Fischer, antropóloga, USA, livros sobre amor e diferenças entre homens e mulheres)
O Homo sapiens tem três sistemas cerebrais para a reprodução:o desejo sexual, o amor romântico e o amor familiar.
Qualquer desequilíbrio nessa dinâmina alterada por uma dose qualquer de medicamento antidepressivo , que suprime os desejos, pesquisas mostram que é perigoso.
A indústria investe na venda dessas drogas, milhões de pessoas no mundo usam, inibindo sua dinâmica natural e a medida que cada vez mais pessoas passarem a tomar, todo o padrão amoroso humano mudará, todo tipo de atrocidades sociais e políticas poderão aumentar.

2- Revelar a Base Genética da Personalidade Criará Conflitos Sociais
(J. Crig Venter, pesquisador do Genoma Humano)
Estaremos preparados para saber tudo a respeito dos nossos genomas? A ciência já provou no caso das moscas de frutas que os genes controlam o comportamento, inclusive o sexual; nos cachorros levam uns a serem mais agressivos e terem comportamentos diferentes de outros, porém, quanto a nós humanos, nos agradamos da idéia de que toda criança é uma folha em branco.
À medida que avançam as pesquisas científicas haveremos de reconhecer que os genes influenciam em nossos comportamentos, incluindo personalidade, inteligência, preferências sexuais, memória, força de vontade, habilidades atléticas, etc.
Seremos forçados a deixar as interpretações politicamente corretas, pois já sabemos que não nascemos todos iguais!!! Mas o determinismo genético, apesar de está ganhando, terá enorme trabalho para identificar os infinitos componentes ambientais que influenciam o ser humano.

3- O Livre-Arbítrio Está Desaparecendo
(Clay Shirky, Pesquisador e Professor, N.York-EUA)
Muitas opções são dadas para subverter o julgamento consciente. Companhias investem em maneiras de tirar proveito das fraquezas do nosso aparelho analítico. Diantes de certas investidas mudamos nossos comportamentos. Os fastfoods na estratégia do supersize tem alcançado seus objetivos; eliminando o livre-arbítrio de muitos adolescentes, por uma refeição maior e por mínimos centavos a mais.

4- O Governo é o Problema, Não a Solução
Matt Ridley, escritor sobre comportamento humano
Em todos os tempos sempre houve muito chefe para pouco índio. Porém á sabemos que a prosperidade vem da livre troca de bens e idéias e invenção de novas tecnologias. Somente este processo nos trouxe sabedoria e riqueza jamais antes imaginada. Governos fracos com comércio forte e livre levam a prosperidade, enquanto que governo forte ao contrário, só enriquece a ele mesmo e aos seus pares, com cobranças de impostos abusivos, poucas inovações, declínio econômico e guerras. Não há dúvida depois de Mao, Hitler e Stalin que o perigo está em governo demais!!

5- O Fim das Escolas
Roger C. Schanh, psicólogo e cientista da educação
As escolas são da mesma forma de séculos atrás. Há quem diga que as escolas hoje fazem mal as crianças, a impressão é que ensinam muito pouco e elas não estão contentes quando estão em sala de aula. O interesse deve guiar o aprendizado e para isso a escola tem que mudar o seu formato. Crianças diferentes não podem aprender coisas iguais.

6- Almas Não Existem
Paul Bloom, psicólogo e pesquisador da linguagem
Psicólogos e Filósofos em sua maioria dão como certo que alma imortal e imaterial , que funciona independente de nosso cérebro não existe. Outros pesquisadores acham que desistir da idéia de alma significa ignorar a diferença entre humanos e outras criaturas. A rejeição da alma é muito mais importante porque pode trazer consequências legais e morais. A negação da alma só incomoda áqueles que não desistem da idéia de que após a morte a alma sobrevive à morte corporal e ascende ao céu.

7- Povos Tribais Também Destróem o Meio Ambiente e Travam Guerras
Jared Diamond, Geógrafo
A idéia é perigosa porque muita gente acha que tratamos os tribais bem porque ele cuida da natureza, são sábios e pacifistas. Devemos tratá-los bem pela razão da ética e não teorias antropológicas que poderão ser provadas falsas no futuro. O exemplo da extinção de povos inteiros no passado por terem acabado com seus recursos naturais.

8- Não Podemos Punir os Humanos "Defeituosos"
Richard Dawkins, Biólogo
Às vezes pensamos em retribuir o mau que nos causam. Um criminoso merece a morte em troco pelo que fez. "Mas a retribuição como princípio moral é incompatível com a visão científica do comportamento humano." Nossos cérebros são governados pelas leis da física, ainda que não funcione como computador. Não punimos o computador quando apresenta defeito, o consertamos. Um assassino não será uma máquina com defeito? Ou com um gene defeituoso? Ou uma educação defeituosa? Atribuir culpa é exercício de milênios de anos. A idéia perigosa é que um dia iremos amadurecer e até rir das punições de hoje.
"
@@Essa sugestão foi retirada da Revista Superinteressante de julho/2006.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Arte de Macacos



Não me surpreende encontrar estudos que sugerem evidências de arte em outras espécies. Mas me surpreende pelas evidências serem muito rigorosas, o que sugere capacidade de representação e motricidade fina entre os chimpanzés. E que talvez a arte tenha tido um papel fundamental na evolução dos primatas. Ou ela é um erro que se repete muito facilmente entre animais inteligentes.

A psicologia evolucionista se esforça bastante pra encontrar as raízes biológicas pra ela e qual seria a sua função na evolução da espécie, mas tudo ainda é muito controverso, especulativo e interessante.

E a arte ainda era uma dos poucos domínios intelectuais que restavam pra exclusividade humana. Mas como disse Darwin, a diferença é só de grau, e não de tipo. Sinceramente, eu acreditava na excclusividade humana da arte. Mas os chimpanzés e bonobos vão vir pro gênero Homo, né? Então nem é tanto assim. Mas o boom do desenvolvimento artísitco e simbólico nos humanaos se deu há cerca de 43 mil anos atrás, com o possível surgimento da linguagem articulada, responsável pela representação, abstração, separação em categorias, significação de objetos sem ligação direta, recursão e etecetera e tal. E isso então seria uma exclusividade humana. Provavelmente mais pela fraca definição conceitual de linguagem e representação do que por ser uma faísca divina na humanidade.

Então, isso é arte de macaco? O que é arte? É expressão das emoções, ou de idéias, ou é o que outros definem como arte? Ou é o que o suposto artista define como arte? Uma cadeira e um extintor é arte? Arte precisa ser bela? Ou tem que ser chocante? Passar uma mensagem? Ter técnica? Representar a realidade de forma irreal? A Natureza é uma obra de arte? Banana?

De qualquer modo, a arte é muito importante para o desenvolvimento intelectual como um todo, e eu recomendo. É um bom jeito de se expressar sem ter que bater em ninguém. E é muito bom saber que as outras espécies também estão fazendo isso. Não seja tão exigente consigo mesmo, se a gente elogia até Koko, seus rabiscos também são válidos.
E, com os pulmões cheios de Rousseau, eu digo que arte é algo muito mais selvagem do que civilizado.


Fontes??







Essa última mostra arte de elefantes também!! E é muito superior!!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Pós-modernismo Psi

Seguindo a onda pós-modernista que atravessa a psicologia...

-Não existe Realidade

-Não existe Natureza

-Não existe Mente

-Não existe Sujeito

-Não existe Razão

-Não existe Inteligência

-Não existe Matéria

-Não existe Conhecimento

-Não existem Conceitos

-Não existem Observadores

-Não existe Sentido

-Não existe Vontade

-Não existem Mistérios

Enfim, é tudo construção cultural a partir do nada, desenvolvendo forma e significado a partir da Linguagem. Sabe aquela história, né? No início era o Verbo, e então Deus criou o mundo à sua vontade...

domingo, 25 de novembro de 2007

Comprando a Geração Coca-Cola


Pra mim, o orkut é uma excelente fonte de pesquisas. De verdade. Eu uso pra saber novidades de ciência, de música e pra descobrir orientações políticas diversas, além de comunidades nonsense e nerdices.
Desta vez tive uma daquelas atitudes de 'frases e músicas que falam por mim', e procurei versos de Geração Coca-Cola, da Legião Urbana, pra ver se achava algo legal. Ao procurar pelo título da música encontro algo inesperado: comunidades com o título de "Geração Coca-Cola" FAZENDO ODE À COCA-COLA!! E, pasmem, a que elogia a água preta tem o dobro de membros do que a de pessoas que gostam da música e, obviamente, sabem que a música é uma crítica ao imperialismo do qual a Coca-Cola é o símbolo-mor. Isso não significa que só essas pessoas gostam da música, mas simplesmente que as vozes do 'amo Coca-Cola' tem mais presença.Ou que existem muitos fãs que não prestam atenção na descrição da comunidade.
...
Realmente, o sistema se apropria de todas as manifestações libertárias... e agora geração coca-cola é pra quem ama muito coca-cola.
//
Ouvi dizer que ela derrete até cérebros, mas nada comprovado pelos paranóicos conspiracionistas naturebas de esquerda.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A divisão do trabalho do Brasil Escravagista

A Divisão do Trabalho no Brasil dos escravos

Na divisão social do trabalho, noventa por cento ou mais dos escravos eram destinados às atividades da agroindústria açucareira, atividades nas minas ou fazendas de café. Os outros eram os chamados escravos domésticos.
Esses escravos, assim distribuídos na hora do trabalho, finda a faina cotidiana, eram recolhidos às senzalas, onde se amontoavam sem nenhuma condição de higiene ou conforto. Os escravos que não eram do eito e do engenho, da faiscação ou plantação de café, trabalhavam na casa do senhor como mucamas, cozinheiras, cocheiros, carregadores de liteiras, transportadores de tigres, limpadores de estrebarias, moleques de recado, doceiras, amas-de-leite, parteiras, carregadores de lenha e inúmeras outras ocupações que faziam funcionar a casa grande.
O negro escravo atuava em todos os níveis da divisão do trabalho, não apenas plantando e/ou colhendo cana, mas participando das técnicas e profissões exigidas para a prosperidade e o dinamismo dos engenhos. Um grande número de pessoas se beneficiava, direta ou indiretamente, desse trabalho, como todo um rosário de membros parasitários, indo dos funcionários fiscalizadores, padres, hóspedes e parentes até especialmente o senhor de escravos.
Retorno de um proprietário à sua chácara. Debret, BMSP.
O fausto dessa economia, que permitia aos senhores importarem seda e vinho da França e o seu comportamento de verdadeiros nababos, tinha como único suporte o trabalho da escravaria, que vivia sob as formas mais violentas de controle social, num clima de terrorismo permanente, ou se rebelava e fugia para as matas, organizando quilombos, onde reencontrava a sua condição humana.



História do Negro Brasileiro / Clóvis Moura - São Paulo: Editora Ática S.A., 1992
Dá pra acreditar? Não só existia uma especialização entre as "profissões" dos escravos, como também o mesmo participava de toda a etapa da produção! Se ele tiesse os meiso de produção, ele faria tudo sozinho! Bom, foi por causa da ineficiência em termos de produção que esse sistema econcômico quebrou, né?

Manifesto de Bauru, do Movimento Antimanicomial

Um desafio radicalmente novo se coloca agora para o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental. Ao ocuparmos as ruas de Bauru, na primeira manifestação pública organizada no Brasil pela extinção dos manicômios, os 350 trabalhadores de saúde mental presentes ao II Congresso Nacional dão um passo adiante na história do Movimento, marcando um novo momento na luta contra a exclusão e a discriminação.
Nossa atitude marca uma ruptura. Ao recusarmos o papel de agente da exclusão e da violência institucionalizadas, que desrespeitam os mínimos direitos da pessoa humana, inauguramos um novo compromisso. Temos claro que não basta racionalizar e modernizar os serviços nos quais trabalhamos.
O Estado que gerencia tais serviços é o mesmo que impõe e sustenta os mecanismos de exploração e de produção social da loucura e da violência. O compromisso estabelecido pela luta antimanicomial impõe uma aliança com o movimento popular e a classe trabalhadora organizada.
O manicômio é expressão de uma estrutura, presente nos diversos mecanismos de opressão desse tipo de sociedade. A opressão nas fábricas, nas instituições de adolescentes, nos cárceres, a discriminação contra negros, homossexuais, índios, mulheres. Lutar pelos direitos de cidadania dos doentes mentais significa incorporar-se à luta de todos os trabalhadores por seus direitos mínimos à saúde, justiça e melhores condições de vida.
Organizado em vários estados, o Movimento caminha agora para uma articulação nacional. Tal articulação buscará dar conta da Organização dos Trabalhadores em Saúde Mental, aliados efetiva e sistematicamente ao movimento popular e sindical.
Contra a mercantilização da doença!
Contra a mercantilização da doença; contra uma reforma sanitária privatizante e autoritária; por uma reforma sanitária democrática e popular; pela reforma agrária e urbana; pela organização livre e independente dos trabalhadores; pelo direito à sindicalização dos serviços públicos; pelo Dia Nacional de Luta Antimanicomial em 1988!
Por uma sociedade sem manicômios!
Bauru, dezembro de 1987 - II Congresso Nacional de Trabalhadores em Saúde Mental

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Ser governado...

"Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude... Ser governado significa que todo movimento, operação ou transação que realizamos é anotada, registrada, catalogado em censos, taxada, selada, avaliada monetariamente, patenteada, licenciada, autorizada, recomendada ou desaconselhada, frustrada, reformada, endireitada, corrigida. Submeter-se ao governo significa consentir em ser tributado, treinado, redimido, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; tudo isso em nome da utilidade pública e do bem comum. Então, ao primeiro sinal de resistência, à primeira palavra de protesto, somos reprimidos, multados, desprezados, humilhados, perseguidos, empurrados, espancados, garroteados, aprisionados, fuzilados, metralhados, julgados, sentenciados, deportados, sacrificados, vendidos, traídos e, para completar, ridicularizados, escarnecidos, ultrajados e desonrados. Isso é o governo, essa é a sua justiça e sua moralidade! ... Oh personalidade humana! Como pudeste te curvar à tamanha sujeição durante sessenta séculos?"
Pierre Proudhon, anarquista francês

Como tornar um blog 'quente'?

Olha, esse texto não vai contribuir em nada pra tu inteligência. Mas se mesmo assim quiseres ler, vou agradecer muito. O que acontece é que o blog anda parado demais, e isso me faz pensar que ele é muito chato. Então, apesar de inúltil e brega, e aceitaria sugestões de como tornar esse blog mais badalado e com discussões mais quentes.
Mas os textos anárquicos vão continuar e eu não vou começar a postar fotos de mulheres aqui. Mesmo sendo meu, este é um blog sério.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Paquistanês que matou filha "muito ocidental" é condenado a 30 anos

Saiu no Terra.
Eu acho surpreendente como algumas formas de violência são culturalmente naturalizadas, e acabam por conseguir uma retórica que legitime essa violência. Quero dizer, imagino que esses caras que estrangularam a guria sabiam o que eles estavam fazendo e sabiam as conseqüências desses atos, e que de algum modo parecia perfeitamente justificável para eles. Eu tenho muita curiosidade de saber como se constituem os mecanismos neurais e mentais da determinadas práticas violentas em um indivíduo que não apresenta nenhuma psicopatologia específica, mas sei que até agora não se tem muito sobre isso.
A tradição só se mantém através da violência, senão ela está fadada a ser esquecida. E num caso como esses ela vem com ainda mais força e raiva, numa tentativa de assegurar a própria identidade cultural. E essa tradição vem ainda mais furiosamente em cima das mulheres, evidentemente, que não ocupam nenhuma posição de poder a ponto de serem capazes de se tornar uma ameaça ao tentar contrariar algo imposto, e que recebem sobre si todos os preconceitos da sociedade de forma bem marcante. Ou a punição por sair com um italiano mais velho não é uma repressão sexual??
Além disso tem que ser muito idiota pra pensar que, morando na Itália, não ai aprender um estilo de vida italiano. É tão esdrúxulo e redundante que me doeu ter escrito isso aqui, mas o mais impressionante é que tem gente que não se toca.
Paquistanês que matou filha "muito ocidental" é condenado a 30 anos

A Jutiça italiana condenou hoje a 30 anos de prisão o pai e os dois cunhados de uma jovem paquistanesa que foi assassinada pelos parentes por ter costumes "muito ocidentais". Já o tio da moça que ajudou a enterrá-la no jardim de casa vai passar dois anos e oito meses preso.
Em agosto deste ano, Hina Saleem, 21 anos, foi degolada por seu pai na casa da família após uma discussão. Dias após o crime e a detenção dos culpados, o promotor Giancarlo Tarquini disse que a jovem tinha sido assassinada porque não respeitava os costumes de sua cultura, tinha um namorado italiano de 33 anos e havia se recusado a se casar com um homem escolhido pelo pai. O assassinato da jovem, que trabalhava numa pizzaria e namorava havia alguns meses, chocou a Itália.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Princípios Éticos Anarquistas

Novamente, esotu sem tempo para dissertar sobre alguma coisa. Mas resolvi copiar e colar os princípios éticos do anarquismos, que sustentam qualquer uma das ramificações da teoria e postura política anarquistas, passando pelo anarquismo budista, pelo anarco-punk, anarco-feminismo, anarco-pacifismo e até anarco-capitalismo, e muitos outros. Esses princípios foram idéias que eu tive contato de maneira intuitiva desde o início da minha adolescência, e com os quais continua concordando, embora agora eu consiga enxergar muito masi empecilhos para a sociedade não-autoritária do que eu via naquela época. Todos esses princípios eu considero idéias muito boas, e muitos eu consigo elaborar propostas e justificativas bastante satisfatórias, ao menos na minha cabeça. Quem tiver alguma crítica a alguma dessas idéias, por favor, fale, precisamos construir o conhecimento. Mas se quiser virar anarquista, seria muito bom também. Eu deixo.


PRINCÍPIOS ÉTICOS DO ANARQUISMO

1 AUTONOMIA
Esta é a condição indispensável para obter-se a liberdade individual/coletiva.Significa o respeito às decisões, vontades, e opiniões do indivíduo em relação ao grupo e vice-versa.Por exemplo, caso um grupo decida em prol de determinada ação, os membros discordantes não ficam obrigados a participar da mesma.Para isso não devem haver relações de dependência que impeçam aspessoas de se posicionarem livremente.
2 APOIO MÚTUO
É a ajuda entre seres de uma organização social onde as partes interagem, auxiliando-se e fortalecendo-se.Tal prática não permite disputas, que são fundamentadas no principio irracional desuperioridade entre seres, sendo destrutivas para o convívio humano. Nossa proposta é somar forças para alcançar uma melhor qualidade de vida para todos.
3 AUTOGESTÃO
Autogestão é por princípio, a comunidade cuidando diretamente, de seus próprios deveres e interesses.Para que ela aconteça terá de haver ampla liberdade de organização sem leis cerceantes e hierarquias.Por este simples fatos os partidos e legisladores tornam-se desnecessários.Afinal se as pessoas tomam para si as responsabilidades de gerenciamento de suas vidas, os representantes profissionais e demais poderes são completamente inúteis.
4 INTERNACIONALISMO
Não deveriam existir fronteiras. Não deveriam existir nacionalidades.Patriotismo é um sentimento mesquinho e egoísta que só faz acontecer guerras inúteis e acirrar a raiva entre os povos.A luta pela liberdade passa pela derrubada do capital, que explora e oprime em todo o globo.Ao invés do estado nação, defendemos a autodeterminação dos povos.Somos internacionalistas pois nossa ação revolucionária acontece em todos os lugares do planeta.
5 ANTIMILITARISMO
Dentro da instituição militar impera o autoritarismo a partir de um complexo esquema de hierarquia de poder.Qualquer tipo de autoritarismo é inválido ! Por que um é melhor que o outro ?Porque é mais velho ?Porque tem mais medalhas no peito ?Todos são iguais!Uns podem deter mais experiência, pois então que a passe para os outros!O respeito virá naturalmente!Criar um sistema hierárquico por via de medalhas e impô-lo a todos é artificial! Abaixo o Autoritarismo!
6 AÇÃO DIRETA
A ação direta é o princípio onde você faz e decide diretamente tudo que lhe diz respeito, em oposição a idéia de representação.O indivíduo por ser único é impossível de ser representado.Quando os movimentos sociais passam a agir e não somente reagir ao sistema, pacífica ou violentamente se faz chamar de ação direta, a maturidade de uma organização, a essência da atuação libertária e a única maneira de trilhar um caminho contínuo para a revolução social.
7 AUTODEFESA
Um princípio libertário que propõe a defesa do indivíduo e/ou coletivo,para garantir sua sobrevivência contra as forças opressoras da reação.Temos de nos defender do sistema e derrubá-lo, a liberdade não é negociada, nem barganhada, mas sim conquistada.Não se pode "confiar na polícia" e muito menos fazer-nos de vítimas indefesas do sistema.A característica da luta ácrata é a ética e dignidade, "é melhor morrer de pé do que viver de joelhos"; a autodefesa acompanha toda a atuação anarquista.
8 VIVER A VIDA!
Fazer a sua parte não é encarar o mundo sob uma visão pessimista. Mesmo sabendo que o mundo é cruel, temos de saber que não podemos mudá-lo de uma hora para a outra.Por isso, antes de desistir, desacreditar-se, dar um tiro na cabeça ou tomar qualquer outra atitude assassina-suicida, é necessário encarar a realidade, sabendo que, com pequenas atitudes e esforços, conseguimos mudar a cena.
9 INDIVIDUALISMO
Individualismo não é, como a maioria faz crer, uma forma de egoísmo, é antes uma valorização do indivíduo, do individual.Um individualista é único, incopiável, livre e incensurável. "Até onde começa a liberdade do próximo."Todos somos únicos.Até o mais alienado dos humanos tem uma qualidade, uma peculiaridade a mais ou a menos pelo menos.Tais qualidades não significam que há melhores ou piores, e sim que somos todos diferentes, únicos.Massificar, exigir de todos o mesmo comportamento e rendimento, é um atentado à vida, tão vil quanto julgar-se individualista pelo cruel ato de pensar no seu próprio umbigo apenas, mesmo que, para isso, tenha de atropelar, pisar, esmagar e ignorar aos demais.
10 APARTIDARISMO
Eleições criam ilusões e desviam energias da luta direta contra o estado e o capital, deixando desarmados os trabalhadores.Em 1970 os Chilenos acreditaram que se acabaria com o capitalismoelegendo um presidente socialista, em 1973 os militares rasgaram a constituição e instalaram a sanguinolenta ditadura de Pinochet.Em 1964, por muito menos os militares brasileiros rasgaram a constituição e apearam Jango do poder.Portanto não será elegendo um operário, um democrata ou um socialista que sairemos desse pesadelo.Aqui e agora, no seu bairro, no seu local de trabalho, na sua família, na sua escola.Lutando junto aos seus companheiros pela liberdade e para romper as estruturas autoritárias da sociedade, devemos lutar para cotidianizar a revolução e revolucionar o cotidiano

Blog é uma coisa muito anarquista, né? Livre produção de conhecimento, com livre acesso e sem nenhum monopólio baseado na propaganda. O único problema é que nem sempre é esteticamente organizado. Péssimo anarquista que sou, yo-ho.

domingo, 4 de novembro de 2007

Vegetarianos rindo do David Coimbra

Tá, tá. A notícia é meio velhinha, mas eua chei interessante. É muito bom saber que as pessoas estão sabendo protestar de formas mais criativas e bem-humoradas. É um bom método de passar por cima da ignorância da autoridade e dos porta-vozes de toda a estupidez.



David Coimbra, cronista de Zero Hora, recebeu a inesperada visita de dezenas de partidários dos direitos animais durante a sessão de autógrafos de seu último livro, Jogo de Damas. O jornalista costuma agraciar vegetarianos, ecologistas e protetores dos animais em seus comentários, mas não contava com a retribuição à atenção dispensada.Na foto, David Coimbra (sentado) sorri amarelo diante da alegre intervenção do GAE.Abaixo, texto publicado no site do GAE - Grupo pela Abolição do Especismo www.gaepoa.org , organizadores da manifestação:
27/09/2007QUEM GANHOU O JOGO DE DAMAS?
Era para ser o dia da consagração de um livro dedicado a mulheres (só as bonitas, segundo o seu autor, o humorista David Coimbra), mas se tornou o dia da grande gozação. Do autor. O que o autografante não esperava aconteceu.Vegetarianos e vegetarianas pelos animais dominaram a sessão de autógrafos, com cartazes e música. Pois o cronista neste mesmo dia escrevera que não gostava de gente séria e como exemplo de gente séria no sentido de rabugenta o tipo ideal eram "as vegetarianas". Nos seus autógrafos não apareceram mulheres soturnas, pálidas, doentes e intransigentes. Apareceram muitas pessoas, homens e mulheres, alegres, saudáveis e que afinal revelaram ter muito mais humor do que ele próprio e principalmente do que o gerente de eventos da Livraria Cultura que esboçou uma tentativa fracassada de expulsão. A expulsão não ocorreu inclusive por intervenção de repórteres que cobriam o evento. Acuado e muuuito vermelho, Coimbra se rendeu, posou para fotos segurando o convite para o almoço semanal dos vegetarianos, e os cartazes. Um deles dizia: "Nós respeitamos vacas, galinhas, mulheres, homossexuais e até o David Coimbra". "Não ganhamos para escrever bobagens, mas sabemos nos divertir". E aí, crítico de plantão do vegetarianismo? Deu para aprender alguma coisa? Deu para, no mínimo, se dar conta de que um jornalista abusa de seu poder, sentado e protegido numa redação, goza de fácil divulgação para seus livros, mas um dia tem que botar a cara na rua. E aí, se boliu com gente que tem brios - E HUMOR - tem que ter culhões para agüentar.As coisas mudaram nos últimos tempos... quem duvida? Além do poder de um grupo desconcertar um engraçadinho, mais coisas mudaram. Entre elas, surge uma crescente consciência de direitos animais, um movimento antiespecista. Entre elas, o desmascaramento da ignorância de que vegetariano só come salada. Salada é apenas a introdução a uma refeição muito saborosa, com pratos bem elaborados, nutritivos, com direito a sobremesa e bebidas para quem aprecia. A única diferença é que, entre os ingredientes, nada de origem animal (ovos, leite, carne) e, portanto, nada de colesterol.O vídeo da função em breve será disponibilizado no site do GAE (www.gaepoa.org) e no youtube, outra arminha poderosa de quem não está sentado dentro de uma empresa jornalística.
Fonte: http://www.sitiodosbichos.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=17

sábado, 3 de novembro de 2007

A crueldade de todo vegetariano

Neste ensaio venho contra-argumentar o mito de que vegetarianos são pessoas sensíveis, calmas e delicadas. Esse mito na realidade deriva de outro mito, o de que o vegetarianismo é uma posição derivada da pena dos animais, ou, operacionalmente falando, da empatia. Quando que na verdade é um forte traço de frieza e calculismo.
Primeiro, porque nenhuma postura política é derivada de um mero sentimento. Sentimentos não geram discursos, filosofias, práticas materias ou políticas. São os interesses que fundamentam as posturas políticas. Mas daí esses interesses podem estar fundamentados em sentimentos, em vontades egoístas, em discursos repetidos, em preconceitos e superstições ou em falácias lógicas. Assim é o consumo de carne, o racismo, a xenofobia, o belicismo ou a oposição da Igreja aos anticoncepcionais.
Já o vegetarianismo não passa de uma generalização da justiça. A nossa sociedade possui uma determinada noção de justiça e de liberdade, mas o fato de apoiar o consumo de carne gera contradições. E essas contradições são respondidas com falácias, que são muito úteis para convencer alguém que já está querendo acreditar nisso e que não quer abandonar seus velhos hábitos e alguns momentos de prazer. Então, a postura vegetariana deriva de uma fidelidade à lógica, e um respeito à sua própria racionalidade.
Se ser vegetariano é uma questão de lógica, então não há a necessidade de empatia. Um computador pode ter lógica. É só seguir o princípio da não-contradição. Você não precisa ver o porco ser torturado pra saber que é injusto. Você nem precisa saber se o animal existe ou não, pode simplesmente construir uma situação hipotética na sua cabeça e concluir que não deve fazer isso. É possível ter empatia por um ser hipotético?
Agora eu vou provocar mais. Não só vegetarianos não precisam de empatia, como também não têm. Empatia é o reconhecimento e imitação de um sentimento alheio. Não é o que vegetarianos fazem quando decidem virar vegetarianos, ou quando sua avó tenta fazer uma galinha com arroz 'com todo o amor e carinho(com quem?)', ou quando um colega retardado tenta justificar dizendo que 'os bichinhos também comem carne'. Eles deixam os anfitriões confusos e suas famílias arrasadas, e não estão nem aí, se enchem de orgulho de sua frieza.
Essa frieza é demonstrada também nos seus bem-calculados boicotes, com um extenso conhecimento de marcas e componentes dos alimentos, além de seus intensos estudos em nutrição, evolução humana, filosofia moral, economia, história e questões ambientais. Eles têm respaldo científico de tudo o que eles falam e apontam todos os seus erros de lógica ou falta de conhecimento científico como se você fosse uma criança burra, só que sem a gentileza com a qual se trataria uma criança. Nessas selvagens discussões, um vegetariano pode até fazer um epistemólogo chorar.
Agora vai uma crítica de verdade: vegetarianos não sabem criticar educadamente. Como todo estudioso revoltado, sabem criticar qualquer discurso muito bem. No mundo acadêmico são vitoriosos, e estraçalham os que apelam para a retórica ou para o senso-comum, apesar de, bem, serem vegetarianos. Mas no mundo real é um pouco mais complicado: como é que você pode criticar uma idéia, mostrar que você está certo e ainda convencer a pessoa a te imitar? Porque o objetivo do vegetariano é que os outros o imitem, ninguém quer ser idiossincrático, como um solipsista (mesmo em um mundo de solipsistas, todos seriam idiossincráticos). Só que as pessoas são frágeis e ficam brabas quando criticam suas crenças, e isso é algo que os vegetarianos cruéis não percebem. Se as pessoas fossem racionais, todos seriam vegetarianos. Mas, em vez disso, eles ficam brabos com os vegetarianos, que são a vergonha da civilização, pois eles fazem as pessoas se sentirem mal por comer carne.
Além de fazer se sentir mal e humilhar, alguns vegetarianos passam vídeos que mostram a estupidez da indústria da carne, e aí todos os seus parentes e colegas que comem carne choram e dizem para parar o vídeo, pois eles chegam a se sentir mal. E o vegetariano dono-da-verdade os obriga a encarar a realidade. E fica feliz de ver o sofrimento e a confusão nos rostos deles. Como ele não tem empatia, e tudo funciona na base do raciocínio, essas cenas não passam de uma seqüência lógica de passos que os tornará consumidores com o seu repertório comportamental de comprar/comer/olhar/elogiar carne extinto. Todas as discussões são friamente calculadas para despertar determinadas emoções, pensamentos e ações nas pessoas. E tudo no final se resume a economia (Viva Marx!).

Mas apesar de não demonstrarem empatia, os vegetarianos demonstram mais compaixão do que aqueles bons cidadãos que são felizes e têm pensamento positivo.

Clube da Luta

"You're not your job. You're not how much money you have in the bank. You're not the car you drive. You're not the contents of your wallet. You're not your fucking khakis. You're the all-singing, all-dancing crap of the world. "

Discordo do 'crap', mas sempre é bom lembrar que a gente não é nada do que a gente tem, e que nada disso realmente faz parte da nossa vida. Só o que importa são nossas ações. As coisas intensas e memoráveis que a gente faz. A qualquer custo (? não sei não...)




"Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you're alive. If you don't claim your humanity you will become a statistic. You have been warned"
Não use automóvel. Não seja um sedentário. Ignore a televisão. Sinta o sol na pele, as pedras de um morro nas mãos, sinta seus músculos a cada respiração. Faça o caminho mais longo. Faça quatro vezes mais do que o exigido e com o dobro de vontade. A cada segundo, multiplique por dois a sua vontade. Recuse os confortos e as mordomias. Sinta o suor escorrendo na sua testa ao conhecer uma pessoa. Invente uma música nova a cada dia. Escreva um livro em um dia. Faça planos com todos os seus amigos. Jogue seus velhos hábitos no lixo e faça coisas estranhas no elevador. Comporte-se mal. Seja um herói. Ridicularize a maldade. Torne inteligível a sabedoria. Atravesse um rio gelado só pra ir até a padaria. Dê bonecos de presente pra seus inimigos. Supere o medo, a depressão, o stress, as exigências. Esqueça de tudo. Faça agora. BUM!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Guerras culturais

Eu estava lendo na Wikipédia um artigo sobre 'guerra culturais (Culture wars), que são os conflitos políticos em função posturas baseadas em valores diferentes, e que dá muita discussão. O que, ao, meu ver, é bastante positivo, enquanto se manter a educação e o diálogo, evidentemente. O mais interessante é que todo mundo tem uma opinião sobre cada um desses assuntos, mas nem todo mundo passou mais de cinco minutos pensando sobre isso ou estudou pontos de vistas diferentes. Querem fazer o teste?
O que você acha sobre:

*Legalização do aborto

*Sexualidade em adolescentes

*Ações afirmativas

*Evolução vs Criação

*Censura em videogames e outras mídias

*Pena capital (pena de morte)

*Proibição do comércio de drogas

*Única língua nacional(na verdade é English-only movement, referindo-se à discussão se o inglês deveria ser o único idioma oficial dos E.U.A., e o único que poderia ser usado em eventos públicos, mas isso pode ser aplicado ao Brasil, Canadá e outros)

*Valores tradicionais familiares (devem embasar a sociedade?)

*Feminismo

*Zonas de livre debate para ativistas políticos, sem censura ou vigilância

*Movimento GLBT, casamento gay e afins

*Redução da maioridade penal

*Política de identidade (manifestações políticas de exigência de direitos de minorias políticas e oprimidos): Nacionalismo negro, Black Power, identidade africana, separatismo negro, nacionalismo latino, nacionalismo do Quebéc, nacionalismo branco, movimento feminista, comunidade gay, veganssexualismo, feminismo radical, femismo, Vegan Pride, direitos dos autistas, direitos dos portadores de necessidades especiais, cultura surda, diabetes, aceitação dos gordos (fat acceptance), identidades baseadas na idade

*Guerra do Iraque

*Imigração para países ricos

*Imigração ilegal

*Desenvolvimento de energia nuclear

*Viés da mídia e controle social

*Absolutismo moral x Relativismo moral

*Ato patriota: Invasão vs direito à privacidade

*Sociedade permissiva

*Idade de consentimento (para o ato sexual consensual)

*Alimentos transgênicos

*Linguagem politicamente correta

*Racismo

*Xenofobia

*Animal Liberation Front e Animal Liberation Millitia

*Etnias e inteligência

*Educação inclusiva

*Política de redução de danos (de usuários de drogas)

*Direito à morte e eutanásia

*Políticas comportamentais de redução à liberação de CO2

*Secularização

*Estado laico

*Oração nas escolas

*Revolução sexual

*Educação sexual

*Pesquisas com células-tronco

*Pesquisas em animais de laboratório

*Programa de vigilância a terroristas

*Desarmamento x direito à propriedade da arma

*Punição para culpados por abuso sexual

*Mulheres no Exército

*Guerra contra as drogas

*Transexualismo

*Guerras Científicas (Cientificismo x Pós modernismo; ciências naturais x humanas)

*Movimento antimanicomial

*Medicalização do comportamento

*Transhumano ( enxertos robóticos, melhoramentos genéticos, drogas de melhora da memória ou atenção...)

*Eugenia, Darwinismo Social e Disgenia

*Crianças de apartamento

*Ato Médico

*Reforma Agrária

E então? Qual a tua opinião?
CONTRA ou A FAVOR?

...
Ou tu pensaste sobre essas questões?

domingo, 7 de outubro de 2007

Alexandre recusa a água

Ok, ok. Isso não é uma idéia minha. Mas é uma história que eu gosto tanto, e que diz muito sobre a personalidade complexa de um de meus heróis favoritos, Alexandre da Macedônia. É, ao mesmo tempo um exemplo de amizade e respeito, e, também, uma das mais brilhantes estratégias para manter uma população sob seu comando. Eu não consigo acreditar que ele era realmente tão passional e impulsivo como dizem.



"Alexandre, o Grande, conduzia seu exército de volta para casa depois da grande vitória contra Porus, na Índia. A região que cruzavam no momento era árida e deserta, e os soldados sofriam terrivelmente de calor, fome e, mais que tudo, de sede. Os lábios rachavam-se e as gargantas ardiam por falta de água. Muitos estavam prestes a se deixar cair no chão e desistir. Um dia, por volta de meio-dia, o exército encontrou um destacamento de viajantes gregos. Vinham montados em mulas, e carregavam alguns recipientes com água. Um deles, vendo o rei quase sufocar de sede, encheu um elmo com água e ofereceu-lhe. Alexandre pegou o elmo nas mãos e olhou em torno de si. Viu os rostos sofridos dos soldados, que ansiavam, tanto quanto ele, por algo refrescante. - Pode levar - disse ele -, pois se eu beber sozinho o resto ficará desolado, e você não tem o suficiente para todos. E devolveu a água sem tomar uma gota. Os soldados, aclamando seu rei, puseram-se de pé e pediram que o líder continuasse a conduzí-los adiante."
(In: O Livro das Virtudes II, William J. Bennett, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1996.)

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Quando nascemos fomos normatizados

Aula de Psicologia do Excepcional, com altas discussões sobre valorização da diferença e combate à estigmatização. A turma teceu várias críticas ao conceito de "deficiente", que permeia o nosso vocabulário. A palavra "deficiente" supõe um déficit, uma diminuição em algo, que está abaixo da média, E, supondo que a média é a norma, está fora da norma. Supõe que a pessoa não possui nenhuma outra qualidade, é simplesmente pior que os outros. Deficiente auditivo é o cara que tem dificuldade pra atravessar a rua, que não pode conversar, que não vai pra escola normal, que não pode ouvir música(onde já se viu?alguém não poder ouvir música!), e que jamais vai desfrutar de uma vida minimamente normal. Agora, o surdo é o cara que entende a música pela percussão, fala a língua de sinais, se comunica muito mais rápido que um ouvinte, tem uma lógica em sua vida totalmente diferente. É estranho de pensar com um simples termo altera todo o significado, passando de deficiência à diferença na organização, de um aspecto quantitativo para um qualitativo.
Além de injusto, o termo deficiente também é errado. Deficiência é limitação, e todos têm alguma limitação. Precisam de óculos pra ler, têm dor nas costas, não sabem jogar futebol, odeiam matemática, desenham que é um horror, são desastrados, distraídos ou nervosos. Todos deficientes, mas todos na norma.
Aí eu pensei: "ei, eu não estou na norma! Eu não uso meus óculos!" Realmente, eu convivo bem e aceito muito bem a minha miopia. Nesse aspecto eu não me rendo à normatização. Mas tem outra coisa: eu uso aparelho os dentes. Obviamente, isso não é uma deficiência. Mas é uma ferramenta para colocar as pessoas num determinado padrão de estética. É uma normatização muito mais sutil do que a do comportamento, e portanto menos questionada.
Então chegamos a uma lei geral da normatização:
-a primeira é a estética > a criança não escolhe as suas roupas, e mais tarde, quando cresce, existe a exigência de que se vista bem e penteie o cabelo
-a segunda é a comportamental > comporte-se direitinho, seja educado e não dê vexame, não exagere (essa a Psicologia já problematiza)
-a terceira é a funcional > além de se comportar, a pessoa deve pensar e sentir determinadas coisas, e outras não (não viaja, não seja louco, que bizarro!)

Pronto! Você acaba de ser programado e pronto pra sair da fábrica.

sábado, 29 de setembro de 2007

Proletariado Intelectual

Segundo Daniel Engel, um de meus autores preferidos, nós, estudantes e acadêmicos, somos um proletarido intelectual. Só temos nossa força de trabalho a oferecer, oferecemos demais, e só as editoras lucram com o que a gente produz.
A diferença de ser do proletariado intelectual é que sua força de trabalho não está no corpo, mas na mente (sendo imperdoavelmete dualista, só por hoje). Isso acarreta em algumas conseqüências. Ninguém vê o intelectual se esforçando, Ninguém vê ele sendo exposto a péssimas condições de trabalho, como uma cadeira de computador que destrói a coluna ou muitos cursos, que o impedem de almoçar. Seu horário de trabalho não é limitado, mas infinito, pois ele continua pensando e leva trabalho pra casa quando acaba o seu turno. Leva muito trabalho pra casa, lê muito, e esse tempo de leitura não é considerado trabalho. E é considerado um vagabundo, não importa o quanto se esforce, da mesma forma que o proletariado comum, mas desta vez sendo desvalorizado por pensarem que qualquer um numa condição privilegiada como essa faria tranqüilamente esse trabalho. E o que eu acho mais interessante: a singularidade de sua alienação. Na verdade eu me pergunto se existe alienação no trabalho intelectual. Gostaria de pensar que não, pois, considerando que se pensa o tempo todo, não ocorreria essa cisão, da mesma forma que o intelectual vê o seu escrito como seu. Mas estou tentado em pensar em uma cisão intelectual: duas mentes, uma de trabalho e uma pessoal. O historiador que vai jogar futebol, o biólogo que vai numa churrascaria, o químico que fuma muito e o engenheiro que de jeito nenhum fala de seu trabalho para as meninas. Parece que a alienação do trabalho continua aí, e esses trabalhadores não usam seu trabalho em sua vida, mas são usados pelo seu trabalho.
Mas, ao mesmo tempo, esse proletariado tem poder aquisitivo. Doutores têm carrões, psicanalistas viajam muito de avião, farmacêuticos ganham muita grana. E esse proletariado tem acesso aos meios de produção. Livros, cadernos, filmadoras, computadores, notebooks, celulares, microscópios, passagens de avião, seringas, remédios, aparelhos de mensuração, ratinhos e rãs, laboratórios, salas de espelho, testes psicométricos, torres de Londres. O que me torna um tanto cético quanto à idéia de ser realmente um proletariado, pois parece ter uma boa parcela de autonomia em seu trabalho, tanto em relação ao tempo quanto ao método, quanto ao produto final.
Prefiro chamar simplesmente de intelectuais. Intelectuais que trabalham como proletários, detém seus meios de produção assim como a burguesia e passam a impressão de serem elite. Acham que são elite, também. Mas na verdade são intelectuais alienados, que produzem para seu próprio mundinho e não ajudam a sociedade que os sustenta. Essa cisão entre a mentalidade pessoal e a intelectual se reflete na cisão entre Academia e Sociedade, que a cada dia nos esforçamos para eliminar. Já temos muitos intelectuais que se acham revolucionários, agora só falta transformar todo o proletariado em intelectualidade.

Intelectuais de todo o mundo, uni-vos!

Meios de produção?

Parafraseando todo mundo(intelectuais ou não), o Brasil é um país de contrastes. Integrante do G-4, promissor em astrofísica e biotecnologia, tem uma parcela imensa de sua população analfabeta. País com o maior mercado de cirurgia plástica do mundo e que tem o Programa de Saúde da Família desmantelado. Um vasto território fértil, que poderia ser distribuído para todos os pequenos agricultores hoje sem-terra, é usado pra matar boi, matar canavieiro e envenenar os rios, e produzir carne, álcool e soja. Mercedes de vidro fumê que param na sinaleira e ignoram os meninos fazendo malabares. Principalmente isso: burgueses que andam pelas ruas e passam por medigos.
Pois é. Hoje tive uma epifania sobre isso, ao passar do lado de um morador de rua que dormia, enquanto eu me dirigia à Clínica Pinel para a minha última observação de Dinâmica de Grupo. Sempre que passo perto de um morador de rua, eu me questiono sobre a injustiça social e sobre o que eu poderia fazer. E nunca faço nada. Hoje não foi diferente, mas foi interessante a constatação que fiz. Andava na rua fazendo alguns movimentos de kung fu, mas logo que vi essa pessoa dormindo, parei. O quadro: eu, bonito, forte, saudável, bem vestido, inteligente, estudioso, de futuro promissor, seguro de si, feliz, tranqüilo, mente no futuro - ele: deitado no chão, sozinho, possivelmente há semanas com as mesmas roupas, sem sequer ter idéia se poderá comer amanhã, sem entretenimentos ou estudos, com uma mente preparada para o urgente. E ainda por cima, eu tinha tudo que ele não tinha: mochila, caderno, livros, muitos livros, net, computador, comida da boa, som e uma vida super confortável. Perto dele, sou rico, mesmo que não tenha tanto poder aquisitivo assim. Por que isso? Porque eu tenho todos os meios de produção de que preciso. Aliás, só o fato de ter meios de produção já me distingue dele. Ele não tem nada, nenhuma terra, máquina ou especialidade. Aí é que está a desigualdade!! Não está realmente no poder aquisitivo, pois isso me tornaria muito mais próximo dele do que de meus colegas e professores da faculdade, mas sim na posse dos meios de produção!! Eu tenho mochila, caderno, livros, posso pegar livros, tenho um computador para escrever. Posso escrever um artigo, uma história em quadrinhos, uma charge, uma música, fazer um desenho, uma peça de teatro, qualquer coisa. Por isso eu posso produzir, e por isso que é possível me inserir entre a camada burguesa. E é por isso que esse cara parece tão carente.
Isso me possibilitou um novo insight. A chave não é dar dinheiro, casa, agasalho ou comida a essas pessoas(o que seria uma prática assistencialista), mas sim conceder meios de produção! Eles precisam ter poder para sua subsistência, o que é conseguido através dos meios de produção. Pensam em dar empregos na sapataria, no mercado ou na jardinagem continua deixando-os na posição de proletariado explorado, e, na maioria dos casos, desqualificado. Mas aí eu penso: pô, não adianta eu dar pra ele meu caderno, minha mochila ou o meu polígrafo de Psicologia Social, porque ele não vai aproveitar nada. O trabalhador tem que conhecer e possuir seu meio de produção. Senão ele continuaria alienado de sua produtivdade, e tudo que eu conseguiria seria perder a minha mochila, e perderia muito dinheiro comprando outra.
Aí caio em outra questão: antes de dar oportunidade, tem que dar os meios de produção, antes de dar os meios de produção tem que trazer informação(ou consciência, segundo uma ótica tri marxista). Então eu vou ter que informá-los, antes de qualquer coisa. Praticar o empoderamento, transmitir a consciência de classe, incentivar a vontade de potência, trabalhar a zona de desenvolvimento proximal. Mas eu não faço nada disso. Eu costumo conversar com os moradores de rua que encontro normalmente, e até dou uns lanches pros caras, mas não chego a realizar nenhuma atividade com eles. As minhas conversas são superficiais e distantes, como as que tenho com muitas e muitas pessoas. Aí caio num problema ainda mais fundamental, que são os meus traços autistas. A minha imaginação que supera a interação. Permaneço demais em meu próprio mundo criando coisas que não chego a estabelecer vínculo com as pessoas. E esse vínculo é o instrumento mais importante de todos do que será minha futura profissão: psicólogo. Vejo então que o que eu poderia fazer por essas pessoas, que está a meu alcance, não é dar um pão, uma bergamota, 25 centavos ou cumprimentar essas pessoas, mas sim estabelecer um vínculo com eles e conhecê-los um pouco mais: seus pensamentos, seus gostos, seus sonhos, suas crenças, suas vontades, e a partir daí incentivar a autonomia. É a chance de promover justiça sem ter que perder meus meios de produção, que acredito serem muito importantes que eu continue com eles, para ajudar as pessoas.
Isso me faz pensar como seria legal o mundo se todos tivessem meios de produção... Imagina quanta batata, mandioca, maçã, banana, roupas, e quanto desenho, música, livro e conhecimento científico não seria produzido?

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Miami Ink

Esses dias eu voltei do treino e fiquei madrugada adentro assistindo um programa que eu gosto muito, que é Miami Ink. É um reality show sobre quatro tatuadores que trabalham em sua loja, e as pessoas que passam por lá. A primeira coisa legal que eu aprendi assitindo esse programa foi a perder um pequeno preconceito meu quanto à tatuadores, que seriam pessoas meio malvadas e rebeldes demais, que realizavam um trabalho invasivo e meio truculento.
Pois é. Na verdade, os caras são artistas. Eu vi todos os dramas pelos quais a minha família passa, envolvendo viver de arte e essa coisa toda. São vidas bastantes intensas, cheias de significado, e que se entrelaçam com as vidas e significados de cada um de seus clientes. A cada início de programa, eles apresentam quem serão os clientes do episódio, que passa em alguns dias, já que a tatuagem é algo trabalhoso. Não é só chegar e o cara faz. Tu leva uma idéia, de algoq eu representa muito pra ti, explica pro cara, ele volta pra casa de noite, faz uns rascunhos, depois ele faz um 'esboço' na tua pele, daí outro dia ele desenha em ti, e em outro dia ele pinta. Muito trabalhoso. E pesado.
É pesado porque cada tatuagem significa algo pra pessoa, algo muito importante, e que vai ser carregado como um amuleto e uma filosofia para sempre, no corpo da pessoa. A responsabilidade é muito maior do que um desenho ou um grafitti. Eles realizam um verdadeiro trabalho terapêutico naquela loja, conhecendo a história de seus clientes, e oferecendo a tatuagem como a 'cura' para o problema apresentado. E cada uma dessas pessoas marca as suas vidas, e as fazem olhar para a vida com diferentes olhos.
Imagina o que deve ser a pessoa chegar pra ti e dizer " eu quero que tu desenhe uma fada; ela representa um câncer que eu tive no ano passado, e todo o drama pelo qual passei; meu noivo foi embora tres semanas antes do casamento e eu tive pouco apoio da família, e essa tatuagem representa a minha superação do câncer". É uma bomba. E os tatuadores conseguem lidar muito bem com isso. Mesmo sem ter um bacharelado em Psicologia, em poucas sessões, eles provocam mudanças profundas e significativas nas vidas de seus clientes. É aí que a gente pode ver com clareza poder transformador que a arte tem.
Essa valorização da arte que tem nesse programa é outro aspecto que me agrada muito. E o desenho posto como arte, importante, significativa, produtiva, repleta de nuances e sutilezas. Eles mostram a evolução que existe no desenho. Vai de frente com a visão comum de que é um mero talento, um passatempo, estático, e que não há a necessidade de evoluir muito mais do que uma charge rabiscada. Eu me emociono muito vendo eles desenharem, e falarem sobre o seu desenho, seu traço. Explicando pro aprendiz como é que se desenha uma onda. Articulando criatividade, sensibilidade, destreza e disciplina.
Desenhar é um aprendizado constante. E dar uma obra de arte, como um desenho ou uma tatuagem, para alguém, transcende ao infinito o mero talento. Muito masi do que uma habilidade, um ato mecânico, é a encarnação de um espírito no papel, ou na pele. E é um significado que fica eternizado. A menos que as pessoas essas marcas.

Sem contar que a gente fica imagina em quais tatuagens poderíamos fazer enquanto assitimos ao programa...

sábado, 28 de julho de 2007

X-MEN e Psicopatologia

Acabei de assistir o filme X-MEN 3:The Last Stand, e fiquei emocionado do começo ao fim. Efeitos especiais excelentes, cenas de ação incríveis, atores cativantes, uma de minhas histórias favoritas e, o que masi me chamou a atenção, um conteúdo político extremamente relevante. Já no primeiro filme eles abordam a questão do preconceito e da discriminação, além das questões de mudanças e incompreensão adolescente. O segundo filme aborda temas como vingança e justiça, com a guerra do Striker contra os mutantes. Já neste último filme, o grande problema é 'a cura'. Uma empresa farmacêutica desenvolve uma droga capaz de anular a mutação genética da pessoa, e então 'curá-la', tornando-a uma pessoa 'normal'. A invenção foi divulgada como uma maravilha, criando espaço para uma política de contenção à ameaça mutante, mas de um forma democrática. Alguns mutantes ficaram vislumbrados com a idéia de serem curados, enquanto outros se manifestavam publicamente afirmando não serem uma doença. Quando o grupo de mutantes rebeldes liderado pelo Magneto atacou a 'humanidade', a cura passou a ser uma imposição, em defesa do bem comum. Esses vaivéns são os mesmos que acompanhamos na Psicologia e na Psiquiatria, no tratamento da Psicopatologia, ou, como é comumente chamada, a 'loucura'.
De um lado temos a responsabilidade das autoridades para zelar pelo bem comum e o bom funcionamento da sociedade, esforçando-se para fazer com que as pessoas não agridam física ou mesmo moralmente(hum, conceito discutível) uma as outras, e para assegurar sua produtividade e engagement no mainstream. De outro, temos esses considerados os diferentes, os loucos, os improdutivos, os instáveis, a possível ameaça à moral, à escola e à empresa. Suas diferenças não foram escolhidas por eles mesmos, foram causadas por alguma condição complexa que traçou determinados rumos para suas vidas. No entanto, eles manifestam uma vontade ao direito à vida, e ao direito à escolha. Eles querem ser aceitos, acolhidos, compreendidos, não excluídos, encaixados ou exterminados. Mas eles são estranhos, instáveis, fora de controle, e não temos certeza se realmente podemos dar ouvidos a eles, ou, ainda mais, mobilidade. Essa é a dialética da Psiquiatria tradicional, apoiada pelo poder vigente, e o Movimento Antimanicomial, que luta por uma humanização do tratamento da loucura.
A discussão do Movimento Antimanicomial é institucional, é uma luta por melhores condições de tratamento destes pacientes e um direito à mobilidade e até não-medicalização, em alguns casos. A minha discussão será outra: vou tratar da questão filosófica ou conceitual da dicotomia normal x patológico. Por quê conceitual? Porque eu quero propor uma (ousada)dissolução dessa dicotomia. Nem uma rígida separação baseada em preconceitos de ordem moral com raros respaldos neurocientíficos, nem a naturalização da patologia, com a filosofia do 'de perto, ninguém é normal'. Seguindo o exemplo dos mutantes, que são apenas diferentes, e não necessariamente doentes, proponho que é necessário estudá-los, compreendê-los e encontrar uma maneira de desenvolver sua autonomia e auto-controle, assim como a escola-clínica-basemilitar do Charles Xavier. De fato, pessoas como a Rogue, o Ciclope e a Jean precisam de um acompanhamento, um treinamento e às vezes um isolamento. E pessoas como o Hank McCoy, o Homem-de-Gelo e o Nightcrawler precisam de integração e aceitação. O Pyro e o Juggernaut assumem o papel de criminosos na trama, o que pode ser considerado um fruto da psicopatologia, de transtornos do desenvolvimento e más condições de sobrevivência. E que iriam para um prisão ou hospital psiquiátrico, na nossa sociedade. Mas acho que a questão da criminalidade fica para outro dia. Vamos focar nos que são só diferentes. Da mesma forma, eu não acho que alguém com Déficit de Atenção ou Transtorno Bipolar do Humor, mesmo com possíveis surtos psicóticos e agressividade, possa ser considerada doente. Até porque estas patologias(segundo o DSM-IV) trazem algumas habilidades e benefícios ao portador, como iniciativa, criatividade, ousadia, coragem e dedicação ao trabalho ou aos amigos. Essas pessoas têm poderes e limitações, e não é justo suprimir seu potencial numa tentativa de enquadrá-las. Muitos artistas e cientistas brilhntes sofrem de doença mental, o que, em vez de atrasá-los em seu trabalho, faz parte da obra e da vida dessas pessoas.
O Psicodiagnóstico faz justamente o oposto: separa, aliena a pessoa de seu conflito, sua motivação, sua psique. Considera ela errada, fora do normal. Minha proposta aqui não é dissolver as clínicas, hospitais e ambulatórios, mas pensar uma nova forma de atender essas pessoas. Baseada não na idéia de anormalidade, mas de "configuração mental". Seria uma espécie de mapeamento da estrutura e dinâmica dos diferentes indivíduos, com descrições claras e aprofundadas de seus potenciais, suas limitações e seus conflitos. Reconhecê-las como diferentes da nossa configuração burguês-trabalhador-consumidor-recalcado, e como diferentes entre si, não jogando no mesmo saco da 'patologia'. Criar instituições de apoio, treinamento e trabalho de bipolares, hiperativos, borderlines, despersonalizados e pessoas com delírios ocasionais. Oferecer um estudo da condição da pessoa desde cedo, um autoconhecimento tanto objetivo quanto introspectivo. Instituições de serviço estatal nas quais a pessoa vai deliberadamente aprender como desenvolver sua autonomia, proteger as pessoas queridas de seus surtos psicóticos, como lidar com sua depressão, sua ansiedade, seu pensamento rápido. Seus instáveis e misteriosos poderes mutantes.
Quando tentamos aplicar a escola de Charles Xavier à nossa realidade, ela passa a parecer uma utopia. Não é por menos. Temos muito preconceito, muito medo dos loucos. Imprevisíveis, deseducados, que invadem nossa privacidade e ferem nossos sentimentos. Quando nos deparamos com um, queremos logo que ele saia de perto e seja levado para um hospital psiquiátrico e receba um remédio. Uma cura para sua doença. Para sua falta de capacidade de se entender e se controlar. Se o Bobby começa a congelar as coisas sem querer, seu irmão chama a polícia. Atualmente, já é bem forte a corrente de pensamento que dá atenção à subjetividade do ser, mas ainda ninguém pensa na autonomia dessa pessoa. A promoção da autonomia está no discurso de inúmeras terapias, mas, ao considerá-los com um transtorno, sua autonomia já foi roubada. A patologização já pressupõe que a pessoa está fora de controle, e tem que ser controlada, suprimida. Eric Lansharr foi catalogado como um mutante, potencialmente perigoso, o que nutriu sua revolta pela humanidade. A pessoa carrega esse fardo, essa marca, esse algo fora do normal. O diagnóstico funciona como a marca do 'mutante perigoso'.
Mas, obviamente, isso não quer dizer que eu recomendo que psicólogos não estudem psicodiagnóstico. Este foi criado com a meta de objetivar e catalogar características desses transtornos, ou, como quero chamar, configurações. São uma tentativa bem-intencionada, mas mal-sucedida. É preciso lançar um novo olhar sobre o normal e o patológico. E pensar no potencial que até nós, normais, temos para desenvolver nossa autonomia, nosso auto-controle. E que opções devemos oferecer a estes que sofrem com a falta de controle ou com a medicalização quase-que-imposta.
Precisamos de um Instituto Xavier então...