A: Eu considero que 'deseducativo' é um dos melhores elogios que alguém pode receber. Só pessoas realmente suversivas, como anarquistas, ateus, feministas ou vegetarianos, merecem esse título.
C: Vegetarianos, pft.
A: Tu acha que existe algo mais deseducativo que um vegetariano? Um vegetariano pode dizer para uma criança 'sabe do que é feito o presunto?'.
C: Um comunista.
A: Um anarquista é pior.
C: Um anarquista é sempre pior.
A: No futuro, eu vou dizer para o teu filho 'sabia que tu não precisa de um Estado para viver bem?'
C: Eu vou dizer isso também, só que vou dizer que pra isso ele precisa construir outro. Quero ver tu dizer pra esse gurizinho aqui (3a) que ele não precisa de Estado.
A: Ah...(hesita). Ele ainda não sabe o que é um Estado...
C: Viu? Mas eu posso oferecer a ele a ter seu próprio exército revolucionário de vanguarda do proletariado, e ele vai gostar. Ele está inserido no sistema, e precisamso usar as ferramentas do sistema para convencê-lo.
A: Eu posso dar a ele uma bandeira preta que pode destruir qualquer coisa.
C: E se eu pintar a bandeira de vermelho?
Continua...
domingo, 16 de agosto de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Em vias de um Dicionário Filosófico
Inspirado pelo lviro de Voltaire chamado Diconário Filosófico, no qual ele disserta levemente sobre diversos conceitos, como Deus, justiça ou Humanidade, decidi construir um desse para mim também. Apesar de isso ser uma excelente possibilidade de expor minhas idéias e tentar cosntruir um corpo teórico-filosófico talvez interessante, a principal razão para que eu faça um empreendimento desses é tentar esclarecer para mim mesmo essas idéias que usamos no nosso dia-a-dia, e que são muitas vezes vagas e subjetivas.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Deus, o Universo e a Doce Ironia

Você já teve aquela sensação de que, as coisas, os eventos da vida, se arranjam de alguma forma que parecem se adequar perfeitamente à você e à narrativa de sua própria história, para o bem ou para o mal, de um jeito que parece que forças cósmicas maiores sabem o que você quer e falam sobre isso? Imagino que sim, pois por todo o globo as pessoas têm sentimentos religiosos o a sensação de um poder maior. Teólogos por toda a História cogitaram a existência de Deus, e filósofos existencialistas pelo século XX cogitaram a falta de sentido inerente e o Absurdo que a vida pode parecer.
Um dos insights mais interessantes dos existencialistas foi postular a ausência de um sentido para a vida imposto externamente, por Deus ou Monstro de Espaguete Voador, e que na verdade o sentido da vida é uma criação humana e individual. No entanto, o Universo continua operando de forma misteriosa e, às vezes, irônica. Neste ensaio, quero expor a negligência de todos os filósofos, teólogos, intelectuais e cientistas quanto ao aspecto irônico do funcionamento do Universo. E digo mais, este é o aspecto fundamental.
Outros pensaram já na onisciência, na benevolência, na ilusão diabólica ou no Absurdo como aspectos essenciais da realidade. Mas como Deus não é bom, porque permite a maldade no mundo, e isto não é uma ilusão cartesiana, pois ele se revela concreto toda vez que tentamos conhecê-lo, estas não são propriedade essenciais do Universo, Já a ironia é. As coisas sempre terminam de um jeito irônico.
Existem duas hipóteses principais para explicar a ironia: uma como propriedade essencial e inerente ao Universo, e outra como propriedade essencial mas construída, como um sentido humano e cultural, sobre o que acontece. Mas estas se perdem em especulações metafísicas. O que temos de dado empírico é que a ironia acontece, e é o mecanismo regulador do Universo e da vida humana.
Agora, temos também outra grande discussão sobre a natureza da ironia, se é doce ou amarga. Esta discussão é semelhante à discussão sobre se a Natureza é boa ou má, e que na verdade, não é muito produtiva. Isto porque, na verdade, trata-se apenas de um julgamento subjetivo, que depende da forma com se aborda a Ironia. Explico: se o que rege o mundo é a Amarga Ironia, seus efeitos trarão sentimento de confusão e de algo foi armado cosmicamente, e alguém sairá atordoado com isso. Mas, se o que existe é a Doce Ironia, seus efeitos trarão sentimento de confusão e de algo foi armado cosmicamente, e alguém sairá atordoado com isso. Exatamente a mesma coisa. Porque se trata apenas de uma diferença na abordagem. Isto porque, enquanto o título de Amarga Ironia é real, o de Doce Ironia é sarcástico. Isso implica que, para alcançar o conhecimento sobre o funcionamento da Doce Ironia, é necessário utilizar, como ferramenta epistemológica, outra forma de linguagem retórica, irmã da ironia: o sarcasmo.
Conclusão: Deus não existe, o Universo funciona de forma irônica, e só se compreende isso pelo sarcasmo. Espero que, com tudo explicadinho, tenha entendido a lição e parado de se perguntar sobre Deus ou o sentido da vida.
domingo, 19 de abril de 2009
Arte, Quadrinhos e Revolução

Desde muito novo sou fã de histórias em quadrinhos, tendo investido muitas tardes lendo, relendo, desenhando e filosofando sobre qualquer chama que me inspirasse qualquer uma das obras que eu lia. Embora eu não seja o tipo clássico de fã, que coleciona revistas, bonecos e freqüenta todos os eventos - em razão das limitações financeiras - eu incorporei o gosto pelas artes gráficas, que é um de meus hobbies preferidos, e a leitura do mundo como uma aventura heróica, na qual o nosso propósito de vida é salvar o mundo. As questões éticas e existenciais do mundo dos super-heróis me guiam tanto que é a partir destes conceitos que penso meus estudos, meu trabalho, minha carreira científica, minhas práticas psi, e agora, também, minhas artes. Como disse sabiamente Tio Ben, grandes poderes trazem grandes responsabilidades, e se somos brilhantes, talentosos, fortes, corajosos, saudáveis, criativos ou poéticos, devemos direcionar nossas potencialidades para fins heróicos, e não meramente para sobrevivência, passatempo ou diversão.
Mas como fazer uma arte que não é mero divertimento? Este questionamento tem cerca de um século de existência e ainda não se chegou onde queria. Tivemos várias experiências de artes engajadas, como a propart soviética, o construtivismo soviético, o teatro brechtiano, o teatro do oprimido, teatro de guerrilha, e outros. Todo movimento estético tem uma proposta de impacto na sociedade - contudo, nem todos inspiram à ação heróica ou revolucionária, a exemplo da arte abstrata que inspira a mera contemplação e abstração sem fundamento e afasta as classes populares do saber artístico.
Como ação heróica e revolucionária, eu quero dizer toda ação que transforme as condições concretas de existência de indivíduos ou comunidades de forma a construir uma sociedade justa, igualitária, pacífica e livre, empoderando indivíduos e comunidades e inspirando valores de paz e justiça. Não chamo simplesmente de ação heróica, pois poderia perder o caráter de transformação social, e ficar relegado a um mero salvacionismo - e também não é simpelsmente ação revolucionária, pois não se trata de combater o macropoder e transformar a estrutura política como fim último, mas sim transformar a vida das pessoas próximas, prescindindo do macropoder.
Como alcançar este tipo de transformação através das artes gráficas, principalmente os quadrinhos? Tradicionalmente, os quadrinhos são produtos mercadológicos inseridos na cultura de massas, e atualmente difundem as duas culturas capitalistas mais poderosas do mundo - EUA e Japão. Sua cultura então é uma cultura das classes de poder aquisitvo elevedo, uma cultura do consumo e uma cultura de massa. Será podssível que, mesmo com essas configurações estruturais, as histórias em quadrinhos inspirem a conduta heróica?
Matt Morris e Gelson Weschenfelder sustentam que sim, e a minha experiência pessoal sugere isso também. COntudo, quero por este discurso em dúvida. Em Teatro do Oprimido e Poéticas Públicas, Augusto Boal traça uma evolução histórica da estrtuura do teatro, desde o teatro acatártico aristotélico, direcionado para a expressão emocional e alívio da tensão, passando pelo teatro dialético brechtiano, de fundamento marxista, voltado para a conscientzação do homem da era científica, até à crítica feita por Boal a esses teatros como teatros do espetáculo, a à sua proposta de um tearto para ação, um teatro como ensaio para a ação revolucionária. Eu me pergunta em qual destas classificações o mangá ou a HQ se enquadrariam. Será que os quadrinhso realmente fornecem ferramentas para a revolução, ou estão relegados a um papel puramente emocional ou de entretenimento. Considerando a semelhança do uso da fantasia nos mangás e nas histórias fantásticas épicas medievais, que transportam o espectador para um outro mundo, com uma estrutura social totalmente diferente e sem menção às formas de opressão atuais, e o comportamento passivo e apático de grande parte dos cidadãos, mais engajados no consumo e na cultura dos ídolos do que na transformação social, estou inclinado a entender que os quadrinhos, por alguma razão que ainda não compreendo, não estão estimulando os jovens ao heroísmo, senão inibindo-os e relegando-os a um papel de observador.
Por outro lado, ser super-herói é um sonho de vida comum entre os fãs de quadrinhos, ainda na infância. Porém, é mais fácil encontrar um fã apaixonado pelo Seiya do que alguém que sustente o sonho de se tornar super-herói na idade adulta. O que acontece nesse meio tempo que acaba com o sonho? Talvez exista uma cultura reacionária, que tem mais poder sobre os adultos, que incentive-os à conformidade e renegue o passado heroicamente inspirado desses indivíduos, que acabam por se submeter em função de necessidades mais básicas, como sustento ou inserção social.
Então, precisa ser criada uma cultura dos quadrinhos forte o suficiente para reagir à conformidade social. Ela precisa mostrar como é possível manter o sonho de ser super-herói, e como concretizá-lo no mundo real. Ela precisa ter um caráter pedagógico de exposição da conduta heróica e de instrumentalização ética, estratégica e comportamental, que incite diretamente à ação, em vez de meramente à fantasia ou à emoção. Ela precisa abordar so temas feliosóficas tão caros às histórias de super-heróis. E, o que parece mais difícil, ela precisa superar o seu caráter classista e de bem de consumo, tornando-se uma arte verdadeiramente engajada.
Precisamos de modelos de conduta, de pessoas que nos inspirem e nos mostrem uma idéia do que é a eudaimonia. Em um mundo secularizado, niilista, envolvido em guerras imperialistas, sem deuses ou santos, surgiu a figura do super-herói como modelo a ser seguido. Eu não acredito que atualmente, em um mundo pisado por Gandhi, Gene Sharp, Paul Watson, Nelson Mandela, Rainha Rania Al-Abdullah, Jane Goodall, Augusto Boal, Paulo Freire ou Franco Basaglia, possamos aidna considerar um mundo sem heróis e exemplos a serem seguidos. Mas eu reconheço que é raro que se tenha informações suficientes sobre a vida e a ação dessas pessoas para se inspirar, e que as histórias em quadrinhso são um meio muito potente de divulgação dessas condutas e valores, de forma bastante humana e sensível, e não meramente através de uma interpretação pelo materialismo histórico.
terça-feira, 31 de março de 2009
The Zulliger Experiment
A exemplo de importantes eventos históricos no mundo das ciências da mente, como o Experimento da Prisão de Stanford e a internação experimental de Sérgio Caperelli, quero sugerir aqui um novo experimento de Psicologia Social, utilizando como instrumento o teste projetivo de Zulliger, muito utilizado no contexto de seleção de pessoal. Esse teste tem uma complexa gama de critérios e classificações, e uma das mais poderosas para a exclusão de aspirantes a empregados que não sejam muito apropriados é a presença ou não de confabulação, ou seja, de elaboração d ehistórias completas e fantásticas que não dizem respeuito propriamente à forma apresentada, ams sim às fantasias projetadas no sujeito na avaliação. Como Marcelo Duarte sabiamente disse, é muito útil para excluir os psicóticos das seleções de emprego. No entanto, eu questiono a utilidade de excluir psicóticos da seleção de emprego, e proponho um experimento social para avaliar os impactos da contratatação de psicóticos em uma empresa.

Devido aos diferentes perfis de uma empresa, que podem variar desde laudos e pareceres técnicos até marketing, e que poderiam apresentar diferentes resultados dependendo da empresa, acho importante realizar um levantamento estatístico dos tipos de empresa que se utilizam deste teste e, conseqüentemente, excluem os psicóticos - que apresentam tendência a confabulação, como uma política da empresa. A partir da construção do tipo ideal de empresa que utiliza Zulliger, o dispositivo utilizado pelo experimento será a criação de uma empresa-fantasma do tipo ideal levantado e que aplicará o teste de Zulliger em todos os seus candidatos, da mesma forma que o procedimento padrão. Contudo, os candidatos selecionados serão todos os que apresentarem as mais acentuadas características de tendência a confabulação, ou seja, psicóticos.
A partir da administração desta variável, então, podemos acompanhar a produtividade da empresa e todos os outros índices relacionados à economia e aos recursos humanos. Desta forma, podemos avaliar o impacto da inserção de psicóticos no contexto organizacional e a importância do teste de Zulliger para o bom funcionamento do sistema capitalista, através de um rigoroso e ousado experimento social, possivelmente acompanhado pela BBC.
Devido aos diferentes perfis de uma empresa, que podem variar desde laudos e pareceres técnicos até marketing, e que poderiam apresentar diferentes resultados dependendo da empresa, acho importante realizar um levantamento estatístico dos tipos de empresa que se utilizam deste teste e, conseqüentemente, excluem os psicóticos - que apresentam tendência a confabulação, como uma política da empresa. A partir da construção do tipo ideal de empresa que utiliza Zulliger, o dispositivo utilizado pelo experimento será a criação de uma empresa-fantasma do tipo ideal levantado e que aplicará o teste de Zulliger em todos os seus candidatos, da mesma forma que o procedimento padrão. Contudo, os candidatos selecionados serão todos os que apresentarem as mais acentuadas características de tendência a confabulação, ou seja, psicóticos.
A partir da administração desta variável, então, podemos acompanhar a produtividade da empresa e todos os outros índices relacionados à economia e aos recursos humanos. Desta forma, podemos avaliar o impacto da inserção de psicóticos no contexto organizacional e a importância do teste de Zulliger para o bom funcionamento do sistema capitalista, através de um rigoroso e ousado experimento social, possivelmente acompanhado pela BBC.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Manifesto Contra as Técnicas Projetivas
Aulas chatas são muito comuns. Muito comuns também são os questionamentos sobre a utilidade dessas aulas chatas, expressas em frases como "pra que eu uso isso?" ou "eu não quero isso rpa minha vida", que normalmente são consideradas meras queixas de aunos rebeldes qeu não valorizam o conhecimento. Mas na verdade trata-se de um exercício ético dos mais sofisticados, que qualquer indivíduo mobilizado e engajado com o repensar a educação e o currículo deve cotidianamente realizar. A disciplina de Técnicas Projetivas da graduação em Psicologia é uma dessas aulas chatas que deve ter sua pertinência questionada.
Questiona-se e resmunga-se muito contra esta dsiciplina, mas pouco se tece de crítica efetiva. Vamos começar apresentando a proposta da disciplina: estudar a aplicação de técnicas projetivas, como o HTP, o Zulliger ou o Rorscharch, em contexto clínico, jurídico, acadêmico ou organizacional, e se apropriar do conceito de projeção. Qual a pertinência disto?
A resposta usual é que trata-se de uma das poucas técnicas ou instrumentais exclusivos dos psicólogos, e que é importante conhecer para uma possível aplicação num dos contextos supracitados. No entanto, essa justificativa é meramente ideológica, e não ética. Vou refutar, de forma sistemática, cada ponto:
São as técnicas projetivas úteis em conteto clínico? Na boa, só se o teu cso não é de nada, ou se tu és um psicólogo muito ruim. Com tantas ferramentas diagnósticas, de psiquiatria, psicofarmacologia, psicometria e entrevistas clínicas das mais diversas, pra que recorrer a uma avaliação menos objetiva e bem mais dispendiosa? Se a criança tem problemas na família, é muito fácil de obter a informação perguntando pra ela com jeitinho. Com tantas técnicas clínicas possíveis de serem ensinadas nos limitados currículos, que sejam mais relevantes politicamente e clinicamente, para quê investir em técnicas projetivas? Onde está a Terapia Familiar Sistêmica, o Psicodrama, a Terapia Feminista, a Reabilitação Psicossocial, a Comunicação Não-violenta, o Acompanhamento Terapêutico, a Escala de Stress Infantil, o Inventário de Práticas Parentais, a Escala Beck de Depressão, o Teste de Denver, as Matrizes de Raven, as Terapia Cognitivo-Comportamentais? Como ferramenta diagnóstica, os testes projetivos são pouco objetivos, pouco científicos, muito demorados e demasiado comprometidos de forma bastante perversa com a indústria dos testes.
São os teste projetivos úteis no contexto jurídico? Não. Acxabei de dizer que os testes são pouco objetivos, e isso pega mal na frente do juiz e do advogado da outra parte. Se queres ganhar o caso, utilize de testes psicométricos e de laudos bem detalhados e cheios de referências científicas - se usar psicanálise, tem uma chance do advogado da outra parte ser esperto e saber que isso é pseudociência.
E no contexto acadêmico, para fazer pesquisas? Bom, úteis eu não diria, mas prolíficos com toda a certeza. Você pode supor uma correlação entre qualquer tipo de projeção e qualquer fenômeno psíquico, o que quer que isso seja. Mas não se iluda: projeção é um conceito da psicanálise, e esse construto não existe em nenhuma psicologia científica, então ele não pode ser usado como mecanismo causal, pois ainda não sobrevive à navalha de Ockham.
E no contexto organizacional? Sim, é útil. E também muito respeitado. Mas se as universidades públcias estão formando psicólogos para o contexto organizacional, em vez de priorizzar em absoluto práticas clínicas mais engajadas com as políticas públicas, algo de muito vendido anda acontecendo aí dentro dessa universidade. Ou falta espírito crítico.
São as técnicas projetivas um dos poucos instrumentos concretos ou exclusivos dos psicólogos? Se algo tão desinteressante e com tão pouca utilidade é um dos poucos instrumentos, o que devemos fazer é fortalecer os que são mais úteis, e não se apegar ao navio que afunda. Em vez de ensinar aos futuros psicólogos um monte de testes inúteis, devia-se inventar e ensinar técnicas mais pertinentes. Eu sou contra a reserva de mercado, e também sou contra pseudociência, e contra a prostituição da universidade pública ao contexto organizacional, e contra essa pedagogia opressora e imbecilizadora que nso empurra bobagens goela abaixo. Sinceramente, se as técnicas projetivas são o melhor que os psicólogos têm a oferecer, tratem de inventar algo melhor.
Questiona-se e resmunga-se muito contra esta dsiciplina, mas pouco se tece de crítica efetiva. Vamos começar apresentando a proposta da disciplina: estudar a aplicação de técnicas projetivas, como o HTP, o Zulliger ou o Rorscharch, em contexto clínico, jurídico, acadêmico ou organizacional, e se apropriar do conceito de projeção. Qual a pertinência disto?
A resposta usual é que trata-se de uma das poucas técnicas ou instrumentais exclusivos dos psicólogos, e que é importante conhecer para uma possível aplicação num dos contextos supracitados. No entanto, essa justificativa é meramente ideológica, e não ética. Vou refutar, de forma sistemática, cada ponto:
São as técnicas projetivas úteis em conteto clínico? Na boa, só se o teu cso não é de nada, ou se tu és um psicólogo muito ruim. Com tantas ferramentas diagnósticas, de psiquiatria, psicofarmacologia, psicometria e entrevistas clínicas das mais diversas, pra que recorrer a uma avaliação menos objetiva e bem mais dispendiosa? Se a criança tem problemas na família, é muito fácil de obter a informação perguntando pra ela com jeitinho. Com tantas técnicas clínicas possíveis de serem ensinadas nos limitados currículos, que sejam mais relevantes politicamente e clinicamente, para quê investir em técnicas projetivas? Onde está a Terapia Familiar Sistêmica, o Psicodrama, a Terapia Feminista, a Reabilitação Psicossocial, a Comunicação Não-violenta, o Acompanhamento Terapêutico, a Escala de Stress Infantil, o Inventário de Práticas Parentais, a Escala Beck de Depressão, o Teste de Denver, as Matrizes de Raven, as Terapia Cognitivo-Comportamentais? Como ferramenta diagnóstica, os testes projetivos são pouco objetivos, pouco científicos, muito demorados e demasiado comprometidos de forma bastante perversa com a indústria dos testes.
São os teste projetivos úteis no contexto jurídico? Não. Acxabei de dizer que os testes são pouco objetivos, e isso pega mal na frente do juiz e do advogado da outra parte. Se queres ganhar o caso, utilize de testes psicométricos e de laudos bem detalhados e cheios de referências científicas - se usar psicanálise, tem uma chance do advogado da outra parte ser esperto e saber que isso é pseudociência.
E no contexto acadêmico, para fazer pesquisas? Bom, úteis eu não diria, mas prolíficos com toda a certeza. Você pode supor uma correlação entre qualquer tipo de projeção e qualquer fenômeno psíquico, o que quer que isso seja. Mas não se iluda: projeção é um conceito da psicanálise, e esse construto não existe em nenhuma psicologia científica, então ele não pode ser usado como mecanismo causal, pois ainda não sobrevive à navalha de Ockham.
E no contexto organizacional? Sim, é útil. E também muito respeitado. Mas se as universidades públcias estão formando psicólogos para o contexto organizacional, em vez de priorizzar em absoluto práticas clínicas mais engajadas com as políticas públicas, algo de muito vendido anda acontecendo aí dentro dessa universidade. Ou falta espírito crítico.
São as técnicas projetivas um dos poucos instrumentos concretos ou exclusivos dos psicólogos? Se algo tão desinteressante e com tão pouca utilidade é um dos poucos instrumentos, o que devemos fazer é fortalecer os que são mais úteis, e não se apegar ao navio que afunda. Em vez de ensinar aos futuros psicólogos um monte de testes inúteis, devia-se inventar e ensinar técnicas mais pertinentes. Eu sou contra a reserva de mercado, e também sou contra pseudociência, e contra a prostituição da universidade pública ao contexto organizacional, e contra essa pedagogia opressora e imbecilizadora que nso empurra bobagens goela abaixo. Sinceramente, se as técnicas projetivas são o melhor que os psicólogos têm a oferecer, tratem de inventar algo melhor.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Por uma nova politização das Ciências da Computação

Desde o início da Teoria Crítica, a comunidade acadêmica toma consciência de que as nossas cosmovisões, os nossos interesses e os nossos empreendimento são enviesados em função do lugar que ocupamos na sociedade, em função de nossa classe social. Uma das críticas das teorias pós-modernas à teoria crítica é que faltou à anterior o reconhecimento de outros aspectos subjetivantes, que também determinam o nosso olhar e nossos interesses: gênero, religião, nacionalidade, tribo urbana e quaisquer outros mecanismos identitários. A moral da história é que todo empreendimento científico e intelectual é enviesado e atende aos interesses de determinada camada social, e a obrigação da comunidade intelectual então seria tomar consciência disso e direcionar seus esforçar para atender aos interesses dos mais necessitados, buscando a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e pacífica.
Essas teorias movimentam um número considerável de discussões sobre formação profissional, currículo, ética e mercado de trabalho - ainda que seja menos discussão do que deveria. Muitos cursos e profissões ainda são alienados quanto à sua própria ética, servindo a interesses não muito refletidos, como aos empreendimentos militares, o agronegócio, às corporações ou à religião, à moral e aos bons costumes. Um desses cursos é a futuro profissão de meu irmão - Ciências da Computação - que serve em grande parte aos interesses das corporações. Contudo, este curso tem um potencial subversivo muito grande, já expresso com a Educação para a Informática Popular, os desenvolvimento de Softwares Livres e OpenSource e até às discussões futuristas sobre Inteligência Artificial e distribuição de tecnologias. Mas ainda falta que os cientistas da computação tomem consciência do seu potencial subversivo, pois se poderia fazer muito mais. As Ciências da Computação ainda estão distantes das políticas públicas, o que é uma pena, pois teriam muito a contribuir e um novo mundo a ganhar.
É o envolvimento com as políticas públicas a nova politização das Ciências da Computação que quero advogar aqui. A articulação com o Estado, o envolvimento em projetos populares e o desenvolvimento de programas que combatam a desigualdade social ainda são poucos. A Informática Médica ainda é tímida. Os cientistas da computação aidna se focam demais no desenvolvimento de entretenimento, em função do mercado, e negligenciam áreas mais subversivas e inexploradas. Imagine o que aconteceria se as universidades do país criassem megaprojetos de desenvolvimento de logística e sistemas de informação para rastrear, identificar, combater e prevenir o tráfico humano ou de animais, ou desenvolver modelos matemáticos que contribuam com os programas de biologia da conservação? A distribuição de água, o saneamento básico, a proteção ambiental, a distribuição de alimentos, a prevenção de crimes, são todos ramos bastante deficitários não por falta de evidências, mas por falta de políticas públcias e sistemas rápidos, baratos e eficientes de combater as mazelas sociais, e as Ciências da Computação têm muito o que contribuir com tudo isso.
Esse tipo de mudança, ainda que me pareçam os ramos do futuro (o mercado logo ficará saturado e programadores de rede e de jogos), custará muito a acontecer. Não proque seja muito difícil intelectual ou tecnologicamente para realizar, mas sim por mera falta de comprometimento social. Claro, problemas sociais complexos são muito desafiadores e é necessário ter uma postura muito transdisciplinar - mas rachar a cabeça tentando resolver problemas difíceis é justamente o papel de acadêmicos e intelectuais. Mas os cursos de Ciência da COmputação, assim como muitos outros, não possuem um incentivo nem à politização nem à transdisciplinaridade, então fica difícil. Tem que aparecer alguum estudante e depois pesquisador mutio politizado desde cedo para forçar mudanças no currículo, pois se os atualmente professores não tiveram nenhum contato com ciências sociais, a sua omissão fará com qeu seus alunos também não tenham, mantendo o círculo vicioso. Por isso, precisamos aidna mais urgentemente de pessoas comprometidas para mudar a formação, trazendo a transdisciplinaridade e a articulação entre diferentes saberes para dentro de sala de aula, e depois para o trabalho.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O grande erro do movimento ambientalista
Todo jovem ambicioso e sonhador quer enfrentar o mal. Ao longo dos anos que se passam, as pessoas seguem um dos dois caminhos: ou se acomodam e preferem cuidar so do malzinho interior, ou se tornam ainda mais sofisticados e afiados em seu arsenal conceitual e seus objetivos, desenvolvendo então meios de combater o mal. Adquirimos a noção de que a concepção que se tem de 'mal' é exageradamente simplista e maniqueísta, e mutias vezes encarnada em alguma pessoa, ou então cai para o outro extremo, estupidamente abstrata. Mas o mal se configura nas condições concretas da existência dos indivíduos, e vai se alastrando até onde suas conseqüência podem alcançar. Este mal pode aparecer de diversas formas: exclusão do mercado de trabalho, violência doméstica, exploração ambiental, falta de assistência às necessidades básicas, sistema legal injusto, xenofobia, corrida armamentista e hostilidade e opressão de todas as formas.
O crime normalmente é retratado como uma das expressões do mal, das que mais recebe a atenção das pessoas. Contra este, as sociedades modernas utilizam de uma gama de mecanismos legais e de aplicação da lei, como armas, policias, promotores e juízes. Mas nem todos os crimes são abordados pela mão forte do Estado - talvez porque o Estado seja ineficiente em sua logística, ou talvez esteja focado demais em punir crimes supérfluos como o comércio de drogas recreativas, ou talvez seja simplesmente impossível que o Estado esteja em todos os lugares.
Um desses crimes que o Estado não está dando muita conta no nosso país, e que com certeza deveria, é a extração ilegal de madeira das belas e essenciais florestas. Como uma amiga perspicazmente apontou, é tão difícil combater a indústria madeireira, que normalmente vão uns poucos ambientalistas tentar proteger algumas árvores lá nos cafundó de um matagal sem a mínima perspectiva de uma interveção do Estado, seja por saúde, educação, direitos trabalhsitas ou proteção ambiental, que no final acabam sendo assassinados pela truculência do operários à margem da lei portadoes de motosserras.

Visto este grave problema enfrentado pela falta de qualquer legalidade ou serviços de assistência em um terreno marginal como esse, acredito qeu o movimento ambientalista precisa traçar novas estratégias, mais eficientes para a nova configuração do mal que se apresenta, que é diferente da ameaça ambiental dos anos 70, capaz de se combater com uma câmera de vídeo e um protesto pacífico com cartazes e abraços às arvores. Seguindo os princípios da Política Prefigurativa, de que os valores dos nossos meios devem ser coerentes com os valores da sociedade que queremos construir, a abordagem não-violenta deve continuar. Para isso, precisamos de planejamento, pois não-violência trata-se usar a cabeça, e traçar estratégias eficientes para ter uma sociedade bonita, justa e saudável.
Visto tudo isso, a abordagem mais poderosa e far-seeing concebível é a intervenção na própria economia, inserindo esses trabalhadores em uma rede melhor de serviços - porque é óbvio que eles trabalham destruindo florestas porque é a única perspectiva deles, se pudessem fazer algo mais legal e rentável, fariam.
Mas é possível pensar em aplicar a lei bloqueando fisicamente a ação das madeireiras - mas dessa vez com segurança. O maior erro do movimento ambientalista foi nunca ter utilizado veículos blindados. Imagina o Greenpeace, com dois Panzerkampfwagen velhos doados pelo Exército, sem canhão e pintados de arco-íris e outras cores da paz, bloqueando as motosserras? Eles podiam aproveitar também e ter um caminhão de bombeiros blindado e colorido que tenha uma mangueira de água pra danificar a aparelhagem inimiga e um estoque gigante de seed bombs, para já utilizá-las para reflorestar a região atacada. Esses veículos poderiam, ainda por cima, ser ecologicamente corretos. E a ausência de armas impediria qualquer escalagem da violência, que seria péssima para a indústria e só atrairia a atenção internacional.
Para derrotar o mal, é preciso ser criativo. Precisamos ser enérgicos, cativantes e bem-humorados. Fica a dica.
O crime normalmente é retratado como uma das expressões do mal, das que mais recebe a atenção das pessoas. Contra este, as sociedades modernas utilizam de uma gama de mecanismos legais e de aplicação da lei, como armas, policias, promotores e juízes. Mas nem todos os crimes são abordados pela mão forte do Estado - talvez porque o Estado seja ineficiente em sua logística, ou talvez esteja focado demais em punir crimes supérfluos como o comércio de drogas recreativas, ou talvez seja simplesmente impossível que o Estado esteja em todos os lugares.
Um desses crimes que o Estado não está dando muita conta no nosso país, e que com certeza deveria, é a extração ilegal de madeira das belas e essenciais florestas. Como uma amiga perspicazmente apontou, é tão difícil combater a indústria madeireira, que normalmente vão uns poucos ambientalistas tentar proteger algumas árvores lá nos cafundó de um matagal sem a mínima perspectiva de uma interveção do Estado, seja por saúde, educação, direitos trabalhsitas ou proteção ambiental, que no final acabam sendo assassinados pela truculência do operários à margem da lei portadoes de motosserras.

Visto este grave problema enfrentado pela falta de qualquer legalidade ou serviços de assistência em um terreno marginal como esse, acredito qeu o movimento ambientalista precisa traçar novas estratégias, mais eficientes para a nova configuração do mal que se apresenta, que é diferente da ameaça ambiental dos anos 70, capaz de se combater com uma câmera de vídeo e um protesto pacífico com cartazes e abraços às arvores. Seguindo os princípios da Política Prefigurativa, de que os valores dos nossos meios devem ser coerentes com os valores da sociedade que queremos construir, a abordagem não-violenta deve continuar. Para isso, precisamos de planejamento, pois não-violência trata-se usar a cabeça, e traçar estratégias eficientes para ter uma sociedade bonita, justa e saudável.
Visto tudo isso, a abordagem mais poderosa e far-seeing concebível é a intervenção na própria economia, inserindo esses trabalhadores em uma rede melhor de serviços - porque é óbvio que eles trabalham destruindo florestas porque é a única perspectiva deles, se pudessem fazer algo mais legal e rentável, fariam.
Mas é possível pensar em aplicar a lei bloqueando fisicamente a ação das madeireiras - mas dessa vez com segurança. O maior erro do movimento ambientalista foi nunca ter utilizado veículos blindados. Imagina o Greenpeace, com dois Panzerkampfwagen velhos doados pelo Exército, sem canhão e pintados de arco-íris e outras cores da paz, bloqueando as motosserras? Eles podiam aproveitar também e ter um caminhão de bombeiros blindado e colorido que tenha uma mangueira de água pra danificar a aparelhagem inimiga e um estoque gigante de seed bombs, para já utilizá-las para reflorestar a região atacada. Esses veículos poderiam, ainda por cima, ser ecologicamente corretos. E a ausência de armas impediria qualquer escalagem da violência, que seria péssima para a indústria e só atrairia a atenção internacional.
Para derrotar o mal, é preciso ser criativo. Precisamos ser enérgicos, cativantes e bem-humorados. Fica a dica.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O tempo do sujeito e o tempo da história
Tenho pensado muito sobre o futuro. Na verdade, eu passo todo o tempo em que minhas mãos estão amarradas ou minhas pernas cansadas pensando sobre o futuro, tamanha a importância que dou a esta atividade. É importante esse exercécio de prever o futuro, de como será o mundo daqui a 10, 20, 50 anos, e qual o nosso papel nisso tudo. E é nisso que eu penso - de que forma eu estarei contribuindo para a cosntrução de um futuro melhor, resolvendo os grandes problemas existentes e expressando as forças da História em favor de uma sociedade justa, pacífica e sustentável.
Esse exerc´cio de previsão do futuro é muito produtivo, pois, além de brincar com a nossa prazorsa imaginação, também funciona para identificar grandes problemas da humanidade e o que deve ser feito - mais precisamente o que devemos fazer, o que nos preenche de responsabilidade e sentido para a vida. Surpreendentemente para mim, a maioria das pessoas não se ocupa e mesmo não gosta e não consegue pensar sobre o futuro, nem mesmo o futuro próximo - o que cursar, onde estagiar, o que fazer depois da formatura, casar ou comprar bicicleta - e isso me parece preocupante. Mas vou deixar a preocupação de lado. Aqui pretendo teorizar sobre o porquê dessa diferença entre as pessoas.
Se as pessoas não conseguem pensar o que farão no futuro, não pensam também o que as suas ações atuais estão causando no futuro para a sociedade como um todo - ou seja, não se identificam como os atores da História. Mas, todos sabem que a História segue o seu fluxo. O que me parece é que o fluxo temporal da História é diferente do fluxo temporal dos sujeitos. Para uma pessoa, um ano é um tempo de trabalho, estudo, e lazer, com váriso filmes assitidos e muitas festas aproveitadas. Para a História, em um ano governos mudam, guerras política acontecem, conflitos armados se iniciam e acordos comerciais que exploram a população local são postos em ação. Para as pessoas parece que a História se movimenta sem elas, através de algum motor desconhecido e superpoderoso.
O que eu quero é mudar essa relação. As pessoas tem que se responsabilizarem pela História, e entender que estão construindo a sociedade do futuro, e é bom pensar sobre isso e pôr a mão na massa, senão ela será construído por qualquer idiota enquanto elas estão curtindo a sua festa semanal ou assistindo a novela diária. Eu estarei vivo e economicamente ativo em 2050, quando o estoque de peixes no oceano entrar em colapso, a população humana for de 9 bilhões, a região amazônica se tornar savana e a temperatura média da terra terá crescido os tais 5ºC, e a consciência disso me obriga a agir agora para fazer um mundo melhor do que o que acabei de prever. Então eu preciso fazer mais do que ir a festas, ver filems cult, obter meu mestrado, arranjar uma linha de pesquisa em qualquer coisa e apresentar trabalhinhos em congressos - preciso agir, da forma mais megalomaníaca possível. Não é todo mundo qeu pensa sobre o futuro, então quem pensa vai ter que fazer tudo mesmo. Chega da aparente modéstia do fluxo temporal do sujeito, eu quero é concretizar grandiosas necessidades históricas. Quero que ainda existam ursos polares no Ártico em 2050, e me esforçarei para isso, de uma forma ou de outra.
Esse exerc´cio de previsão do futuro é muito produtivo, pois, além de brincar com a nossa prazorsa imaginação, também funciona para identificar grandes problemas da humanidade e o que deve ser feito - mais precisamente o que devemos fazer, o que nos preenche de responsabilidade e sentido para a vida. Surpreendentemente para mim, a maioria das pessoas não se ocupa e mesmo não gosta e não consegue pensar sobre o futuro, nem mesmo o futuro próximo - o que cursar, onde estagiar, o que fazer depois da formatura, casar ou comprar bicicleta - e isso me parece preocupante. Mas vou deixar a preocupação de lado. Aqui pretendo teorizar sobre o porquê dessa diferença entre as pessoas.
Se as pessoas não conseguem pensar o que farão no futuro, não pensam também o que as suas ações atuais estão causando no futuro para a sociedade como um todo - ou seja, não se identificam como os atores da História. Mas, todos sabem que a História segue o seu fluxo. O que me parece é que o fluxo temporal da História é diferente do fluxo temporal dos sujeitos. Para uma pessoa, um ano é um tempo de trabalho, estudo, e lazer, com váriso filmes assitidos e muitas festas aproveitadas. Para a História, em um ano governos mudam, guerras política acontecem, conflitos armados se iniciam e acordos comerciais que exploram a população local são postos em ação. Para as pessoas parece que a História se movimenta sem elas, através de algum motor desconhecido e superpoderoso.
O que eu quero é mudar essa relação. As pessoas tem que se responsabilizarem pela História, e entender que estão construindo a sociedade do futuro, e é bom pensar sobre isso e pôr a mão na massa, senão ela será construído por qualquer idiota enquanto elas estão curtindo a sua festa semanal ou assistindo a novela diária. Eu estarei vivo e economicamente ativo em 2050, quando o estoque de peixes no oceano entrar em colapso, a população humana for de 9 bilhões, a região amazônica se tornar savana e a temperatura média da terra terá crescido os tais 5ºC, e a consciência disso me obriga a agir agora para fazer um mundo melhor do que o que acabei de prever. Então eu preciso fazer mais do que ir a festas, ver filems cult, obter meu mestrado, arranjar uma linha de pesquisa em qualquer coisa e apresentar trabalhinhos em congressos - preciso agir, da forma mais megalomaníaca possível. Não é todo mundo qeu pensa sobre o futuro, então quem pensa vai ter que fazer tudo mesmo. Chega da aparente modéstia do fluxo temporal do sujeito, eu quero é concretizar grandiosas necessidades históricas. Quero que ainda existam ursos polares no Ártico em 2050, e me esforçarei para isso, de uma forma ou de outra.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
04/02/2009
Governos desconhecem estado de saúde mental de presidiários
Pesquisador alemão investigou dados de 24 países europeus e, embora nenhum deles dispusesse de dados confiáveis sobre a saúde mental dos detentos em nível nacional, identificou que há superlotação e altas taxas de suicídio, que chegam a ser dezenas de vezes mais altas que a média na população em geral.
Dublin (Irlanda) – Em todo mundo, mais de 9,25 milhões de pessoas estão, atualmente, em alguma instituição penal – e tudo indica que este número está crescendo rapidamente: somente nos últimos 18 meses, houve um acréscimo de 250 mil pessoas encarceradas. Uma grave questão pouco debatida, nesse contexto, é a saúde mental dos detentos – tanto dos que entram, quanto dos que saem. Além dos problemas existentes nas próprias estruturas de atendimento psiquiátrico a esse grupo de pacientes, não há registro de que algum país do mundo – desenvolvido ou não – disponha sequer de dados confiáveis, em nível nacional, sobre o estado de saúde mental dos presos ou sobre o cuidado prestado àqueles com algum tipo de transtorno. Isto é o que mostra estudo alemão sobre a organização e o atendimento psiquiátrico do sistema prisional europeu com base em resultados de outros estudos, dados pontuais coletados e nas observações de ao menos um especialista de cada país analisado.
Na opinião do autor do estudo, Hans Joachim Salize, do instituto central de saúde mental, em Mannheim (Alemanha), o principal resultado do estudo é “desanimador”. “Nós identificamos que os governos europeus simplesmente não sabem o que ocorre em seus sistemas prisionais no que diz respeito à saúde mental dos reclusos, não há qualquer relatório periódico sobre o assunto”, afirmou o pesquisador em entrevista à Agência Notisa, durante o 17º Congresso Europeu de Psiquiatria, realizado semana passada em Lisboa (Portugal), no qual o estudo foi apresentado.
Segundo Salize, ao menos a coleta padronizada de dados confiáveis sobre o assunto deveria ser feita e não demandaria esforços extraordinários. “Essa compilação de informações pode ser considerada relativamente fácil. Entretanto, deve-se pensar na possibilidade de que os governos nacionais não queiram conhecer o estado de saúde mental dos presos. Se dados oficiais provarem que os padrões são ruins, haverá mais pressão sobre eles para que se faça algo. Se ninguém se importa, se ninguém sabe, nada precisa ser feito. Porém, se você tiver um relatório mostrando que só há alguns poucos psicólogos [atuando nas prisões], aí talvez haja pressão para que algo seja feito. Ao menos relatórios regulares sobre a atual situação devem ser organizados”, defendeu.
Superlotação e suicídio
O descaso com a questão ganha ainda mais relevância à luz dos dados coletados pelo estudo. Salize explicou que, dada a falta ou inconsistência de dados, a freqüência de suicídios cometidos em prisões registrada nos países analisados é o único indicador – “indireto e insuficiente” – que permite deduzir o ônus dos transtornos mentais nos sistemas carcerários europeus. E os números são “alarmantes”.
O especialista analisou o número de suicídios cometidos por cada mil presidiários ao longo de um ano, com base nos dados mais recentes identificados disponíveis para cada país. Embora haja países com taxas muito baixas, como Chipre (nenhum caso em 2003), mais da metade dos países tem taxas de suicídio acima de 1 por cada mil detentos. Na Islândia, a taxa chega a surpreendentes 8,47 suicídios por cada mil detentos, em 2005.
Para se ter noção da gravidade dos dados, segundo estudo brasileiro publicado na Revista de Brasileira de Psiquiatria por Mello-Santos e colaboradores, em 2005, a taxa de suicídio no Brasil fica entre 0,03 e 0,04 por mil habitantes. Na Europa, em países com os mais altos índices de suicídio, o valor pode superar a 0,4/1000 habitantes. Em geral, este tipo de taxa sequer é calculado por mil indivíduos, como no caso dos presidiários, mas por cada 100 mil.
E não é só. Engana-se, por exemplo, quem pensa que a superlotação em presídios seja uma exclusividade do Brasil e de outros países em desenvolvimento – embora os níveis não possam ser, necessariamente, comparáveis. Dos 24 países analisados, metade apresentava uma ocupação do sistema carcerário acima da capacidade. São eles (em ordem alfabética): Áustria (103%), Bélgica (112%), Chipre (178%), República Tcheca (101%), Finlândia (115%), Grécia (198%), Hungria (140%), Itália (139%), Holanda (105%), Polônia (116%), Portugal (106%) e Inglaterra e País de Gales (115%). “E isso é, obviamente, um fator de risco para a saúde mental dos presos. Tudo indica que a superlotação pode causar depressão, ansiedade e propiciar o abuso de substâncias”, observou Salizer.
Situação incompreensível
Na opinião do pesquisador, não é compreensível que autoridades da área de saúde e jurídicas ainda não tenham implementado relatórios anuais sobre a qualidade da atenção à saúde mental em prisões e sobre a prevalência de transtornos mentais entre os presos. “Há carência de dados sobre a triagem na admissão dos presos e mesmo ao final da sentença, o que é mais importante em termos reincidência dos crimes. Nós sabemos através de alguns poucos estudos, que geralmente cobrem pequenas amostras, que a prevalência de transtornos mentais entre prisioneiros é muito mais alta do que a vista na população em geral. Porém, mesmo algumas informações que poderiam ser facilmente acessadas, como a prescrição de drogas psicofarmacológicas em prisões, não são coletadas em nível nacional e atualizadas anualmente. Simplesmente não se sabe”, lamentou.
O pesquisador destacou desconhecer programas, em qualquer país, que estudem e avaliem a saúde mental dos presos e que produzam, regularmente, relatórios com dados confiáveis em nível nacional. “Há muitos esforços regionais e locais. Estudos, programas sobre abuso de drogas e outras questões. Porém, em geral, são pouco divulgados e não se tem acesso aos resultados ou à experiência desenvolvida. Não há dados mais globais, através dos quais seja possível avaliar, por exemplo, as estratégias que são eficazes e que deveriam adotadas nacionalmente. Eu simplesmente não posso citar um único país em que as coisas estejam bem nesse sentido, embora haja muitas iniciativas localizadas e pontuais”.
De acordo com Salize, o primeiro passo para enfrentar a questão é estar cientes da existência desse paciente psiquiátrico, negligenciado e marginalizado. “Além disso, devem ser implementados em todos os países ao menos aqueles indicadores mais básicos sobre o estado de saúde mental dos presos e sobre a qualidade da atenção à saúde, nesse contexto”, defendeu.
Para o pesquisador, “obviamente”, todos se beneficiariam de um melhor atendimento à saúde mental nas prisões. “As pessoas com algum tipo de transtorno que estão em prisões receberiam o tratamento adequado, o que provavelmente diminuiria os riscos de reincidência desse indivíduo após sua libertação. Logo, a sociedade como um todo também se beneficiaria. É óbvio que isso representa um custo para o sistema, mas este investimento teria efeitos em outras áreas da sociedade. Esta é uma discussão comum quando algo deve ser melhorado e mais dinheiro ser investido. Os resultados por vezes têm efeitos difusos, e o investimento não é feito, pois não produz um efeito imediato e visível”, concluiu.
Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)
Governos desconhecem estado de saúde mental de presidiários
Pesquisador alemão investigou dados de 24 países europeus e, embora nenhum deles dispusesse de dados confiáveis sobre a saúde mental dos detentos em nível nacional, identificou que há superlotação e altas taxas de suicídio, que chegam a ser dezenas de vezes mais altas que a média na população em geral.
Dublin (Irlanda) – Em todo mundo, mais de 9,25 milhões de pessoas estão, atualmente, em alguma instituição penal – e tudo indica que este número está crescendo rapidamente: somente nos últimos 18 meses, houve um acréscimo de 250 mil pessoas encarceradas. Uma grave questão pouco debatida, nesse contexto, é a saúde mental dos detentos – tanto dos que entram, quanto dos que saem. Além dos problemas existentes nas próprias estruturas de atendimento psiquiátrico a esse grupo de pacientes, não há registro de que algum país do mundo – desenvolvido ou não – disponha sequer de dados confiáveis, em nível nacional, sobre o estado de saúde mental dos presos ou sobre o cuidado prestado àqueles com algum tipo de transtorno. Isto é o que mostra estudo alemão sobre a organização e o atendimento psiquiátrico do sistema prisional europeu com base em resultados de outros estudos, dados pontuais coletados e nas observações de ao menos um especialista de cada país analisado.
Na opinião do autor do estudo, Hans Joachim Salize, do instituto central de saúde mental, em Mannheim (Alemanha), o principal resultado do estudo é “desanimador”. “Nós identificamos que os governos europeus simplesmente não sabem o que ocorre em seus sistemas prisionais no que diz respeito à saúde mental dos reclusos, não há qualquer relatório periódico sobre o assunto”, afirmou o pesquisador em entrevista à Agência Notisa, durante o 17º Congresso Europeu de Psiquiatria, realizado semana passada em Lisboa (Portugal), no qual o estudo foi apresentado.
Segundo Salize, ao menos a coleta padronizada de dados confiáveis sobre o assunto deveria ser feita e não demandaria esforços extraordinários. “Essa compilação de informações pode ser considerada relativamente fácil. Entretanto, deve-se pensar na possibilidade de que os governos nacionais não queiram conhecer o estado de saúde mental dos presos. Se dados oficiais provarem que os padrões são ruins, haverá mais pressão sobre eles para que se faça algo. Se ninguém se importa, se ninguém sabe, nada precisa ser feito. Porém, se você tiver um relatório mostrando que só há alguns poucos psicólogos [atuando nas prisões], aí talvez haja pressão para que algo seja feito. Ao menos relatórios regulares sobre a atual situação devem ser organizados”, defendeu.
Superlotação e suicídio
O descaso com a questão ganha ainda mais relevância à luz dos dados coletados pelo estudo. Salize explicou que, dada a falta ou inconsistência de dados, a freqüência de suicídios cometidos em prisões registrada nos países analisados é o único indicador – “indireto e insuficiente” – que permite deduzir o ônus dos transtornos mentais nos sistemas carcerários europeus. E os números são “alarmantes”.
O especialista analisou o número de suicídios cometidos por cada mil presidiários ao longo de um ano, com base nos dados mais recentes identificados disponíveis para cada país. Embora haja países com taxas muito baixas, como Chipre (nenhum caso em 2003), mais da metade dos países tem taxas de suicídio acima de 1 por cada mil detentos. Na Islândia, a taxa chega a surpreendentes 8,47 suicídios por cada mil detentos, em 2005.
Para se ter noção da gravidade dos dados, segundo estudo brasileiro publicado na Revista de Brasileira de Psiquiatria por Mello-Santos e colaboradores, em 2005, a taxa de suicídio no Brasil fica entre 0,03 e 0,04 por mil habitantes. Na Europa, em países com os mais altos índices de suicídio, o valor pode superar a 0,4/1000 habitantes. Em geral, este tipo de taxa sequer é calculado por mil indivíduos, como no caso dos presidiários, mas por cada 100 mil.
E não é só. Engana-se, por exemplo, quem pensa que a superlotação em presídios seja uma exclusividade do Brasil e de outros países em desenvolvimento – embora os níveis não possam ser, necessariamente, comparáveis. Dos 24 países analisados, metade apresentava uma ocupação do sistema carcerário acima da capacidade. São eles (em ordem alfabética): Áustria (103%), Bélgica (112%), Chipre (178%), República Tcheca (101%), Finlândia (115%), Grécia (198%), Hungria (140%), Itália (139%), Holanda (105%), Polônia (116%), Portugal (106%) e Inglaterra e País de Gales (115%). “E isso é, obviamente, um fator de risco para a saúde mental dos presos. Tudo indica que a superlotação pode causar depressão, ansiedade e propiciar o abuso de substâncias”, observou Salizer.
Situação incompreensível
Na opinião do pesquisador, não é compreensível que autoridades da área de saúde e jurídicas ainda não tenham implementado relatórios anuais sobre a qualidade da atenção à saúde mental em prisões e sobre a prevalência de transtornos mentais entre os presos. “Há carência de dados sobre a triagem na admissão dos presos e mesmo ao final da sentença, o que é mais importante em termos reincidência dos crimes. Nós sabemos através de alguns poucos estudos, que geralmente cobrem pequenas amostras, que a prevalência de transtornos mentais entre prisioneiros é muito mais alta do que a vista na população em geral. Porém, mesmo algumas informações que poderiam ser facilmente acessadas, como a prescrição de drogas psicofarmacológicas em prisões, não são coletadas em nível nacional e atualizadas anualmente. Simplesmente não se sabe”, lamentou.
O pesquisador destacou desconhecer programas, em qualquer país, que estudem e avaliem a saúde mental dos presos e que produzam, regularmente, relatórios com dados confiáveis em nível nacional. “Há muitos esforços regionais e locais. Estudos, programas sobre abuso de drogas e outras questões. Porém, em geral, são pouco divulgados e não se tem acesso aos resultados ou à experiência desenvolvida. Não há dados mais globais, através dos quais seja possível avaliar, por exemplo, as estratégias que são eficazes e que deveriam adotadas nacionalmente. Eu simplesmente não posso citar um único país em que as coisas estejam bem nesse sentido, embora haja muitas iniciativas localizadas e pontuais”.
De acordo com Salize, o primeiro passo para enfrentar a questão é estar cientes da existência desse paciente psiquiátrico, negligenciado e marginalizado. “Além disso, devem ser implementados em todos os países ao menos aqueles indicadores mais básicos sobre o estado de saúde mental dos presos e sobre a qualidade da atenção à saúde, nesse contexto”, defendeu.
Para o pesquisador, “obviamente”, todos se beneficiariam de um melhor atendimento à saúde mental nas prisões. “As pessoas com algum tipo de transtorno que estão em prisões receberiam o tratamento adequado, o que provavelmente diminuiria os riscos de reincidência desse indivíduo após sua libertação. Logo, a sociedade como um todo também se beneficiaria. É óbvio que isso representa um custo para o sistema, mas este investimento teria efeitos em outras áreas da sociedade. Esta é uma discussão comum quando algo deve ser melhorado e mais dinheiro ser investido. Os resultados por vezes têm efeitos difusos, e o investimento não é feito, pois não produz um efeito imediato e visível”, concluiu.
Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
O boi é bicho mas tem alma sobre o couro...
Mas que música gaudéria mais animal rights!
Os Serranos - Poncho Molhado
Poncho molhado olhar na tropa e no horizonte
Vai o tropeiro devagar estrada afora
A chuva encharca que está chovendo desde anteontem
dói dentro d'alma essa demora
(Irmão do gado ele se sente nessa hora
E o seu destino também vai nesse reponte
Igual a tropa nesse tranco estrada afora
Sempre encharcado de horizontes
A tropa segue devagar fugindo tonta
Talvez pressinta que seu fim é o matadouro
E o tropeiro entristecido se dá conta
/O boi é bicho mais tem alma sobre o couro/ 3x
O boi é bicho mais tem alma sobre o couro)
Os Serranos - Poncho Molhado
Poncho molhado olhar na tropa e no horizonte
Vai o tropeiro devagar estrada afora
A chuva encharca que está chovendo desde anteontem
dói dentro d'alma essa demora
(Irmão do gado ele se sente nessa hora
E o seu destino também vai nesse reponte
Igual a tropa nesse tranco estrada afora
Sempre encharcado de horizontes
A tropa segue devagar fugindo tonta
Talvez pressinta que seu fim é o matadouro
E o tropeiro entristecido se dá conta
/O boi é bicho mais tem alma sobre o couro/ 3x
O boi é bicho mais tem alma sobre o couro)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Estágio Revolucionário de Vivência em Rede Internacional de Direitos Humanos
Mara!
Manicomial!
Coelho!
Tchu-tchu!
Menage a bocu?
Uhie, relacionamento não, é só amizade.
Bah, usuário, tá esculachando o cara!
Vamo lá, pedreira?
No caminho tiha uma pedra, tinha uma pedra no caminho, e tinha uma pedra no meio do abutre que tava no caminho da pedra.
Piriguetes e caminhoneiras.
E eu que sou bem informado, vou lá e faço passeata...
Já comeu suas bananas hoje?
Somos tão jovens...
Manicomial!
Coelho!
Tchu-tchu!
Menage a bocu?
Uhie, relacionamento não, é só amizade.
Bah, usuário, tá esculachando o cara!
Vamo lá, pedreira?
No caminho tiha uma pedra, tinha uma pedra no caminho, e tinha uma pedra no meio do abutre que tava no caminho da pedra.
Piriguetes e caminhoneiras.
E eu que sou bem informado, vou lá e faço passeata...
Já comeu suas bananas hoje?
Somos tão jovens...
domingo, 11 de janeiro de 2009
Golfinhos, baleias e linguagem

Golfinhos e baleias têm uma linguagem comum?
Pensei em três hipóteses sobre isso:
-ou o sistema simbolico dos cetáceos é inato e está profundamente arraigado nos seus cérebros há milhoes de anos, desde um ancestral comum
-ou eles têm um sistema simbólico inato, derivado desse ancestral comum, e mais o seu sistema simbolico adquirido atraves da cultura e do convivio social
-ou eles são tao inteligentes e têm um aparato fisiologico que da conta da articulaçao de sons que conseguem aprender a linguagem de outros grupos sociais de cetaceos, inclusive outras especies
Qualquer situação dessas é espantosa. Especialmente a última.
Golfinho 'salva' baleias encalhadas
Um golfinho 'resgatou' duas baleias encalhadas em uma praia na Nova Zelândia. O 'salvamento' ocorreu quando um grupo de pessoas que tentava em vão resgatar os animais já estava em vias de desistir da operação.
» Vídeo: golfinho salva baleias
» Golfinho ganha cauda artificial
» Achado golfinho com resquícios de patas
» Golfinho perde 50 quilos após morte de treinadora
O responsável pela conservação da vida animal na área, Malcolm Smith, disse que, após várias tentativas, tanto as pessoas quanto as duas cachalotes-pigmeus estavam cansadas.
Foi nesse momento que o golfinho apareceu, comunicou-se com as baleias e conduziu-as até alto mar. "Algo obviamente aconteceu, porque as duas baleias, estressadas, mudaram de atitude e seguiram o golfinho por vontade própria pela praia direto para o mar", disse Smith. "O golfinho fez o que nós não conseguimos fazer. Estava tudo concluído em poucos minutos."
Familiar
Smith disse que teve sorte em testemunhar um evento tão extraordinário e que ficou satisfeito pelo salvamento das baleias. No passado, ele já teve que sacrificar animais que ficaram encalhados.
O golfinho-nariz-de-garrafa, apelidado Moko por moradores locais, é conhecido por brincar com banhistas na praia Mahia na costa leste da Ilha Norte.
Segundo o ambientalista, depois de orientar as baleias, o animal voltou à sua rotina de brincar com os banhistas na baía. "Eu não deveria fazer isso, eu sei, nós temos que manter uma postura científica", disse ele. "Mas acabei entrando na água para encontrar o golfinho e dei um tapinha nele" para agradecer.
BBC Brasil
sábado, 10 de janeiro de 2009
Aresa Biodetection e as maravilhas da engenharia genética
Engenharia genética é um assunto muito controvertido, principalmente quando se refere à produção de qualidades genéticas patenteadas na agricultura ou violação éticas na produção de novos animais ou humanos modificados. Esses combates entre mídia, comunidade civil, empresas, universidades, instituições religiosas e ONGs costumam ocupar toda a discussão da engenharia genética,e nquanto outras questões permanecem ignoradas. Quero expor aqui uma dessas questões, que está avançando no seu desenvolvimento e aparenmente as únicas pessoas que olharam para isso foram os próprios cientistas e seus possíveis beneficiários.
Trata-se da modificação de uma espécie de erva-daninha, Arabidopsis thaliana, que passa por um processo de mudança de cor - idêntico ao que acontece com as folhas no outono, com o fechamento dos vasos que carregam a seiva e a consequente redução na clorofila, perdendo a pigmentação verde e permitindo que outras substâncias, como carotenóides e antocianinas tomem conta, assumindo colorações entre vermelho e amarelo - ao entrar em contato com dióxido de nitrogênio, material presentes em explosivos terrestres. Assim, a erva-daninha muda a sua cor, de verde para vermelho, entre três e seis semanas, ao entrar em contato com solo no qual há explosivos, como minas terrestres, próximos. Ou seja, é um detector de minas terrestres à distância, evitando qeu as pessoas se arrisquem ao tentar procurá-las para desativá-las e oferecendo uma assistência às populações ameaçadas por esses fantasmas da guerra. De quebra, ainda age como expécie pioneira para revigorar o solo para as plantações, que é o destino desejado para essas terras - até agora não realizado em função das minas terrestres, que ferem muitos agricultores. Depois da detecção, é só chamar os militares e eles acionam os seus robozinhos capacitados e então tudo estará resolvido: nada de bombas, terra mais fértil, cientistas ricos e famosos e um exército boa pinta.

Carl Sagan, no seu livro O Romance da Ciência, sugere que a ciência é muito mais fantástica e emocionante que a ficção científica - algo que me sinto impelido a concordar.
Trata-se da modificação de uma espécie de erva-daninha, Arabidopsis thaliana, que passa por um processo de mudança de cor - idêntico ao que acontece com as folhas no outono, com o fechamento dos vasos que carregam a seiva e a consequente redução na clorofila, perdendo a pigmentação verde e permitindo que outras substâncias, como carotenóides e antocianinas tomem conta, assumindo colorações entre vermelho e amarelo - ao entrar em contato com dióxido de nitrogênio, material presentes em explosivos terrestres. Assim, a erva-daninha muda a sua cor, de verde para vermelho, entre três e seis semanas, ao entrar em contato com solo no qual há explosivos, como minas terrestres, próximos. Ou seja, é um detector de minas terrestres à distância, evitando qeu as pessoas se arrisquem ao tentar procurá-las para desativá-las e oferecendo uma assistência às populações ameaçadas por esses fantasmas da guerra. De quebra, ainda age como expécie pioneira para revigorar o solo para as plantações, que é o destino desejado para essas terras - até agora não realizado em função das minas terrestres, que ferem muitos agricultores. Depois da detecção, é só chamar os militares e eles acionam os seus robozinhos capacitados e então tudo estará resolvido: nada de bombas, terra mais fértil, cientistas ricos e famosos e um exército boa pinta.

Carl Sagan, no seu livro O Romance da Ciência, sugere que a ciência é muito mais fantástica e emocionante que a ficção científica - algo que me sinto impelido a concordar.
Implicações de um hábito primata à saúde humana

Outro dia tive uma idéia muito interessante de ser testada, sobre um comportamento não muito comum entre humanos. Sabem aquele gesto de gorila que o Tarzan faz, de bater no peito? É uma prática muito esquisita. Talvez tenha sido selecionada ao longo das eras como uma forma de comunicação, mas eu imagino que, sendo uma atividade física, que envolve dar tapas no próprio peito várias vezes, esta tenha alguma implicação à saúde, assim como outras atividades (exercicio, meditação, riso, sexo...). Então, que efeitos sobre a saúde têm essa prática em humanos?
Poderíamos estabelecer dois experimentos, um transversal e um longitudinal.
No transversal, juntamos uma galera, talvez uma amostra por volta de 30, e pedimos para baterem no peito como um gorila. Após as batidas, examinamos a circulação sangüínea e a capacidade pulmonar - e se quisermos ser um pouco mais sofisticados, podemos tentar captar os neurotransmissores liberados. Assim, podemos avaliar efeitos imediatos de bater no peito como um gorila.
No estudo longitudinal, pedimos a uma amostra muito grande de participantes a estabelecer as batidas no peito com um hábito, um determinado numero de vezes por dia, de preferência em um determinado horário. Esse seria um pouco mais difícil, pela dificuldade de accompanhamento, monitoramento, engajamento ods participantes frente a algo bizarro e número grande de participantes. Ao final, avaliamos a pressão sangüínea, a capacidade pulmonar, o sistema imunológico e podemos aplicar alguma escala subjetiva de bem-estar. Dessa forma, podemos conhecermos os efeitos à saúde dessa prática a longo prazo.
Porém, eu tenho a intuição que esse estudo, apesar de interessante, criativa e talvez com implicações úteis, seja merecedor de um Prêmio IgNobel.
http://www.youtube.com/watch?v=7u53q8J7GHg&feature=related
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