terça-feira, 31 de março de 2009

The Zulliger Experiment

A exemplo de importantes eventos históricos no mundo das ciências da mente, como o Experimento da Prisão de Stanford e a internação experimental de Sérgio Caperelli, quero sugerir aqui um novo experimento de Psicologia Social, utilizando como instrumento o teste projetivo de Zulliger, muito utilizado no contexto de seleção de pessoal. Esse teste tem uma complexa gama de critérios e classificações, e uma das mais poderosas para a exclusão de aspirantes a empregados que não sejam muito apropriados é a presença ou não de confabulação, ou seja, de elaboração d ehistórias completas e fantásticas que não dizem respeuito propriamente à forma apresentada, ams sim às fantasias projetadas no sujeito na avaliação. Como Marcelo Duarte sabiamente disse, é muito útil para excluir os psicóticos das seleções de emprego. No entanto, eu questiono a utilidade de excluir psicóticos da seleção de emprego, e proponho um experimento social para avaliar os impactos da contratatação de psicóticos em uma empresa.



Devido aos diferentes perfis de uma empresa, que podem variar desde laudos e pareceres técnicos até marketing, e que poderiam apresentar diferentes resultados dependendo da empresa, acho importante realizar um levantamento estatístico dos tipos de empresa que se utilizam deste teste e, conseqüentemente, excluem os psicóticos - que apresentam tendência a confabulação, como uma política da empresa. A partir da construção do tipo ideal de empresa que utiliza Zulliger, o dispositivo utilizado pelo experimento será a criação de uma empresa-fantasma do tipo ideal levantado e que aplicará o teste de Zulliger em todos os seus candidatos, da mesma forma que o procedimento padrão. Contudo, os candidatos selecionados serão todos os que apresentarem as mais acentuadas características de tendência a confabulação, ou seja, psicóticos.
A partir da administração desta variável, então, podemos acompanhar a produtividade da empresa e todos os outros índices relacionados à economia e aos recursos humanos. Desta forma, podemos avaliar o impacto da inserção de psicóticos no contexto organizacional e a importância do teste de Zulliger para o bom funcionamento do sistema capitalista, através de um rigoroso e ousado experimento social, possivelmente acompanhado pela BBC.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Manifesto Contra as Técnicas Projetivas

Aulas chatas são muito comuns. Muito comuns também são os questionamentos sobre a utilidade dessas aulas chatas, expressas em frases como "pra que eu uso isso?" ou "eu não quero isso rpa minha vida", que normalmente são consideradas meras queixas de aunos rebeldes qeu não valorizam o conhecimento. Mas na verdade trata-se de um exercício ético dos mais sofisticados, que qualquer indivíduo mobilizado e engajado com o repensar a educação e o currículo deve cotidianamente realizar. A disciplina de Técnicas Projetivas da graduação em Psicologia é uma dessas aulas chatas que deve ter sua pertinência questionada.
Questiona-se e resmunga-se muito contra esta dsiciplina, mas pouco se tece de crítica efetiva. Vamos começar apresentando a proposta da disciplina: estudar a aplicação de técnicas projetivas, como o HTP, o Zulliger ou o Rorscharch, em contexto clínico, jurídico, acadêmico ou organizacional, e se apropriar do conceito de projeção. Qual a pertinência disto?
A resposta usual é que trata-se de uma das poucas técnicas ou instrumentais exclusivos dos psicólogos, e que é importante conhecer para uma possível aplicação num dos contextos supracitados. No entanto, essa justificativa é meramente ideológica, e não ética. Vou refutar, de forma sistemática, cada ponto:
São as técnicas projetivas úteis em conteto clínico? Na boa, só se o teu cso não é de nada, ou se tu és um psicólogo muito ruim. Com tantas ferramentas diagnósticas, de psiquiatria, psicofarmacologia, psicometria e entrevistas clínicas das mais diversas, pra que recorrer a uma avaliação menos objetiva e bem mais dispendiosa? Se a criança tem problemas na família, é muito fácil de obter a informação perguntando pra ela com jeitinho. Com tantas técnicas clínicas possíveis de serem ensinadas nos limitados currículos, que sejam mais relevantes politicamente e clinicamente, para quê investir em técnicas projetivas? Onde está a Terapia Familiar Sistêmica, o Psicodrama, a Terapia Feminista, a Reabilitação Psicossocial, a Comunicação Não-violenta, o Acompanhamento Terapêutico, a Escala de Stress Infantil, o Inventário de Práticas Parentais, a Escala Beck de Depressão, o Teste de Denver, as Matrizes de Raven, as Terapia Cognitivo-Comportamentais? Como ferramenta diagnóstica, os testes projetivos são pouco objetivos, pouco científicos, muito demorados e demasiado comprometidos de forma bastante perversa com a indústria dos testes.
São os teste projetivos úteis no contexto jurídico? Não. Acxabei de dizer que os testes são pouco objetivos, e isso pega mal na frente do juiz e do advogado da outra parte. Se queres ganhar o caso, utilize de testes psicométricos e de laudos bem detalhados e cheios de referências científicas - se usar psicanálise, tem uma chance do advogado da outra parte ser esperto e saber que isso é pseudociência.
E no contexto acadêmico, para fazer pesquisas? Bom, úteis eu não diria, mas prolíficos com toda a certeza. Você pode supor uma correlação entre qualquer tipo de projeção e qualquer fenômeno psíquico, o que quer que isso seja. Mas não se iluda: projeção é um conceito da psicanálise, e esse construto não existe em nenhuma psicologia científica, então ele não pode ser usado como mecanismo causal, pois ainda não sobrevive à navalha de Ockham.
E no contexto organizacional? Sim, é útil. E também muito respeitado. Mas se as universidades públcias estão formando psicólogos para o contexto organizacional, em vez de priorizzar em absoluto práticas clínicas mais engajadas com as políticas públicas, algo de muito vendido anda acontecendo aí dentro dessa universidade. Ou falta espírito crítico.
São as técnicas projetivas um dos poucos instrumentos concretos ou exclusivos dos psicólogos? Se algo tão desinteressante e com tão pouca utilidade é um dos poucos instrumentos, o que devemos fazer é fortalecer os que são mais úteis, e não se apegar ao navio que afunda. Em vez de ensinar aos futuros psicólogos um monte de testes inúteis, devia-se inventar e ensinar técnicas mais pertinentes. Eu sou contra a reserva de mercado, e também sou contra pseudociência, e contra a prostituição da universidade pública ao contexto organizacional, e contra essa pedagogia opressora e imbecilizadora que nso empurra bobagens goela abaixo. Sinceramente, se as técnicas projetivas são o melhor que os psicólogos têm a oferecer, tratem de inventar algo melhor.