quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Guerras culturais

Eu estava lendo na Wikipédia um artigo sobre 'guerra culturais (Culture wars), que são os conflitos políticos em função posturas baseadas em valores diferentes, e que dá muita discussão. O que, ao, meu ver, é bastante positivo, enquanto se manter a educação e o diálogo, evidentemente. O mais interessante é que todo mundo tem uma opinião sobre cada um desses assuntos, mas nem todo mundo passou mais de cinco minutos pensando sobre isso ou estudou pontos de vistas diferentes. Querem fazer o teste?
O que você acha sobre:

*Legalização do aborto

*Sexualidade em adolescentes

*Ações afirmativas

*Evolução vs Criação

*Censura em videogames e outras mídias

*Pena capital (pena de morte)

*Proibição do comércio de drogas

*Única língua nacional(na verdade é English-only movement, referindo-se à discussão se o inglês deveria ser o único idioma oficial dos E.U.A., e o único que poderia ser usado em eventos públicos, mas isso pode ser aplicado ao Brasil, Canadá e outros)

*Valores tradicionais familiares (devem embasar a sociedade?)

*Feminismo

*Zonas de livre debate para ativistas políticos, sem censura ou vigilância

*Movimento GLBT, casamento gay e afins

*Redução da maioridade penal

*Política de identidade (manifestações políticas de exigência de direitos de minorias políticas e oprimidos): Nacionalismo negro, Black Power, identidade africana, separatismo negro, nacionalismo latino, nacionalismo do Quebéc, nacionalismo branco, movimento feminista, comunidade gay, veganssexualismo, feminismo radical, femismo, Vegan Pride, direitos dos autistas, direitos dos portadores de necessidades especiais, cultura surda, diabetes, aceitação dos gordos (fat acceptance), identidades baseadas na idade

*Guerra do Iraque

*Imigração para países ricos

*Imigração ilegal

*Desenvolvimento de energia nuclear

*Viés da mídia e controle social

*Absolutismo moral x Relativismo moral

*Ato patriota: Invasão vs direito à privacidade

*Sociedade permissiva

*Idade de consentimento (para o ato sexual consensual)

*Alimentos transgênicos

*Linguagem politicamente correta

*Racismo

*Xenofobia

*Animal Liberation Front e Animal Liberation Millitia

*Etnias e inteligência

*Educação inclusiva

*Política de redução de danos (de usuários de drogas)

*Direito à morte e eutanásia

*Políticas comportamentais de redução à liberação de CO2

*Secularização

*Estado laico

*Oração nas escolas

*Revolução sexual

*Educação sexual

*Pesquisas com células-tronco

*Pesquisas em animais de laboratório

*Programa de vigilância a terroristas

*Desarmamento x direito à propriedade da arma

*Punição para culpados por abuso sexual

*Mulheres no Exército

*Guerra contra as drogas

*Transexualismo

*Guerras Científicas (Cientificismo x Pós modernismo; ciências naturais x humanas)

*Movimento antimanicomial

*Medicalização do comportamento

*Transhumano ( enxertos robóticos, melhoramentos genéticos, drogas de melhora da memória ou atenção...)

*Eugenia, Darwinismo Social e Disgenia

*Crianças de apartamento

*Ato Médico

*Reforma Agrária

E então? Qual a tua opinião?
CONTRA ou A FAVOR?

...
Ou tu pensaste sobre essas questões?

domingo, 7 de outubro de 2007

Alexandre recusa a água

Ok, ok. Isso não é uma idéia minha. Mas é uma história que eu gosto tanto, e que diz muito sobre a personalidade complexa de um de meus heróis favoritos, Alexandre da Macedônia. É, ao mesmo tempo um exemplo de amizade e respeito, e, também, uma das mais brilhantes estratégias para manter uma população sob seu comando. Eu não consigo acreditar que ele era realmente tão passional e impulsivo como dizem.



"Alexandre, o Grande, conduzia seu exército de volta para casa depois da grande vitória contra Porus, na Índia. A região que cruzavam no momento era árida e deserta, e os soldados sofriam terrivelmente de calor, fome e, mais que tudo, de sede. Os lábios rachavam-se e as gargantas ardiam por falta de água. Muitos estavam prestes a se deixar cair no chão e desistir. Um dia, por volta de meio-dia, o exército encontrou um destacamento de viajantes gregos. Vinham montados em mulas, e carregavam alguns recipientes com água. Um deles, vendo o rei quase sufocar de sede, encheu um elmo com água e ofereceu-lhe. Alexandre pegou o elmo nas mãos e olhou em torno de si. Viu os rostos sofridos dos soldados, que ansiavam, tanto quanto ele, por algo refrescante. - Pode levar - disse ele -, pois se eu beber sozinho o resto ficará desolado, e você não tem o suficiente para todos. E devolveu a água sem tomar uma gota. Os soldados, aclamando seu rei, puseram-se de pé e pediram que o líder continuasse a conduzí-los adiante."
(In: O Livro das Virtudes II, William J. Bennett, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1996.)

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Quando nascemos fomos normatizados

Aula de Psicologia do Excepcional, com altas discussões sobre valorização da diferença e combate à estigmatização. A turma teceu várias críticas ao conceito de "deficiente", que permeia o nosso vocabulário. A palavra "deficiente" supõe um déficit, uma diminuição em algo, que está abaixo da média, E, supondo que a média é a norma, está fora da norma. Supõe que a pessoa não possui nenhuma outra qualidade, é simplesmente pior que os outros. Deficiente auditivo é o cara que tem dificuldade pra atravessar a rua, que não pode conversar, que não vai pra escola normal, que não pode ouvir música(onde já se viu?alguém não poder ouvir música!), e que jamais vai desfrutar de uma vida minimamente normal. Agora, o surdo é o cara que entende a música pela percussão, fala a língua de sinais, se comunica muito mais rápido que um ouvinte, tem uma lógica em sua vida totalmente diferente. É estranho de pensar com um simples termo altera todo o significado, passando de deficiência à diferença na organização, de um aspecto quantitativo para um qualitativo.
Além de injusto, o termo deficiente também é errado. Deficiência é limitação, e todos têm alguma limitação. Precisam de óculos pra ler, têm dor nas costas, não sabem jogar futebol, odeiam matemática, desenham que é um horror, são desastrados, distraídos ou nervosos. Todos deficientes, mas todos na norma.
Aí eu pensei: "ei, eu não estou na norma! Eu não uso meus óculos!" Realmente, eu convivo bem e aceito muito bem a minha miopia. Nesse aspecto eu não me rendo à normatização. Mas tem outra coisa: eu uso aparelho os dentes. Obviamente, isso não é uma deficiência. Mas é uma ferramenta para colocar as pessoas num determinado padrão de estética. É uma normatização muito mais sutil do que a do comportamento, e portanto menos questionada.
Então chegamos a uma lei geral da normatização:
-a primeira é a estética > a criança não escolhe as suas roupas, e mais tarde, quando cresce, existe a exigência de que se vista bem e penteie o cabelo
-a segunda é a comportamental > comporte-se direitinho, seja educado e não dê vexame, não exagere (essa a Psicologia já problematiza)
-a terceira é a funcional > além de se comportar, a pessoa deve pensar e sentir determinadas coisas, e outras não (não viaja, não seja louco, que bizarro!)

Pronto! Você acaba de ser programado e pronto pra sair da fábrica.