Aula de Psicologia do Excepcional, com altas discussões sobre valorização da diferença e combate à estigmatização. A turma teceu várias críticas ao conceito de "deficiente", que permeia o nosso vocabulário. A palavra "deficiente" supõe um déficit, uma diminuição em algo, que está abaixo da média, E, supondo que a média é a norma, está fora da norma. Supõe que a pessoa não possui nenhuma outra qualidade, é simplesmente pior que os outros. Deficiente auditivo é o cara que tem dificuldade pra atravessar a rua, que não pode conversar, que não vai pra escola normal, que não pode ouvir música(onde já se viu?alguém não poder ouvir música!), e que jamais vai desfrutar de uma vida minimamente normal. Agora, o surdo é o cara que entende a música pela percussão, fala a língua de sinais, se comunica muito mais rápido que um ouvinte, tem uma lógica em sua vida totalmente diferente. É estranho de pensar com um simples termo altera todo o significado, passando de deficiência à diferença na organização, de um aspecto quantitativo para um qualitativo.
Além de injusto, o termo deficiente também é errado. Deficiência é limitação, e todos têm alguma limitação. Precisam de óculos pra ler, têm dor nas costas, não sabem jogar futebol, odeiam matemática, desenham que é um horror, são desastrados, distraídos ou nervosos. Todos deficientes, mas todos na norma.
Aí eu pensei: "ei, eu não estou na norma! Eu não uso meus óculos!" Realmente, eu convivo bem e aceito muito bem a minha miopia. Nesse aspecto eu não me rendo à normatização. Mas tem outra coisa: eu uso aparelho os dentes. Obviamente, isso não é uma deficiência. Mas é uma ferramenta para colocar as pessoas num determinado padrão de estética. É uma normatização muito mais sutil do que a do comportamento, e portanto menos questionada.
Então chegamos a uma lei geral da normatização:
-a primeira é a estética > a criança não escolhe as suas roupas, e mais tarde, quando cresce, existe a exigência de que se vista bem e penteie o cabelo
-a segunda é a comportamental > comporte-se direitinho, seja educado e não dê vexame, não exagere (essa a Psicologia já problematiza)
-a terceira é a funcional > além de se comportar, a pessoa deve pensar e sentir determinadas coisas, e outras não (não viaja, não seja louco, que bizarro!)
Pronto! Você acaba de ser programado e pronto pra sair da fábrica.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
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