quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Porque eu não escolhi ser astronauta

Porque eu não enxergo bem, e a Aeronáutica despreza nós, míopes. Bom, na verdade eu não sabia o que que precisava ser feito pra ser astronauta, eu só sabia que era bem difícil e minha mãe me desencorajava.

Mas que ia ser legal, ia.



NASA candidacy requirements
Be citizens of the United States.
Pass a strict physical examination, and have a distant visual acuity no greater than 20/50 uncorrected, correctable to 20/20. Blood pressure, while sitting, must be no greater than 140 over 90.

Commander and Pilot
A bachelor's degree in engineering, biological science, physical science or mathematics is required, and a graduate degree is desired, although not essential.
At least 1,000 hours flying time in jet aircraft, and experience as a test pilot is desirable.
Height must be 5 ft 4 in to 6 ft 4 in (1.63 to 1.93 m).

Mission Specialist
Bachelor's degree in engineering, biological science, physical science or mathematics, as well as at least three years of related professional experience.
Applicant's height must be 5 ft 2 in to 6 ft 4 in (1.57 to 1.93 m).

Mission Specialist Educator

Mission Specialist Educators Lindenberger, Arnold, and Acaba during a parabolic flight.
Main article: Educator Astronaut Project
Bachelor's degree with teaching experience, including work at the kindergarten through 12th grade level. Advanced degree not required, but is desired

Porque eu não cursei Direito

Justiça sempre foi uma questão muito importante para mim. Na verdade, ainda hoje eu penso bastante sobre justiça e direitos do indivíduo, e mal posso esperar pra começar a ler Os Super-Heróis e a Filosofia, que vão me dar uma baita luz.
Curiosamente, eu nunca tive a mínima vontade de cursar Direito (a não ser pra se livrar daquela piadinha). E o curso e a profissão giram completamente em volta da justiça. Mas por que eu não quis estudar isso?
Certamente porque eu tinha muito preconceito e desconhecimento sobre o curso, mas principalmente porque eu não me via sendo útil naquela profissão. Eu defendo a democracia direta e a autonomia, e não conseguiria me ver como uma bengala que conduz o cliente ao que ele pediu, atravessando caminhos cheios de pedras e buracos. Ao meu ver, cada cidadão deveria estar consciente e lutar pelos seus próprios direitos de forma mais direta, sem apelar para a burocracia do Judiciário. Ok, eu vejo o quanto isso é difícil, mas eu pensei que sendo advogado eu já estaria me posicionando a favor dessa fragmentação do sistema, pela simples existência como advogado. Além do mais, isso acontece com outras profissões também.
Mas a burocracia do sistema jurídico sempre me pareceu apavorante. Eu queria fazer justiça de forma mais direta, sem ter que esperar pelo arquivamento, pelo juiz, pelo júri, pelas medidas legais e tudo o mais. Nesse meio tempo as pessoas estariam sofrendo, e algo diferente poderia ter sido feito. Aí já deixaria de ser justiça e cairia nas arbitrariedades do juiz, com a sua concepção de justiça que ele não discute teoricamente com mais ninguém.
Eu também não gostaria de defender nenhum caso. Advogado tem sempre o problema ético de defender ou não casos que julga injustos, e rola muita corrupção no meio.Além de ter que defender casos complicados, eu nunca gostei do estilo da defesa dos casos. Não é feito nenhum debate entre um grupo de juristas para se chegar a um consenso, nem grupos de estudos, sequer dão voz às partes, ficando toda a sua representação a cargo dos advogados e promotores. O processo é uma disputa de quem argumenta melhor na frente do juiz, que vai decidir no final quem está certo. Eu entendo, é pra ser baseado em 'provas', e o juiz teoricamente é alguém capacitado e imparcial. Mas quem não garante que as provas são forjadas, ou que o juiz foi subornado, ou que não passa de um julgamento subjetivo e pessoal, ou que as partes estão apenas competindo por dinheiro?
Essas críticas na verdade não são só minhas, mas todo mundo que pensa sobre ciência jurídica já pensou isso muito antes e de forma muito mais aprofundada.
Além do sistema de disputa, eu nunca aprovei as técnicas de argumentação. É muita retórica, muito jogo de palavras, muito subjetivismo, muito apelo à emoção. Se diz que o pai está arrependido de ter abandonado o filho, que o avô sempre foi muito importante para a família, que o presidiário sonhava em ser marceneiro e o encarceramento arrasou com o sonho dele. E ainda sempre se diz que a Psicologia trata da parte subjetiva do processo, e o Direito da parte de objetiva. Com isso eles querem dizer que o Direito trata da questão econômica, e a Psicologia tem como objeto de estudo a subjetividade. Mas a apresentação dos resultados é totalmente ao contrário, os laudos de psicologia são muito mais objetivos do que as defesas dos advogados. Os advogados costumam dar seu próprio julgamento e usar vários adjetivos tendenciosos, o que compromete toda a objetividade e a clareza do processo.
Pelo menos é assim que vejo o Direito Penal e o Direito de Família, que são os mais tradicionais. Na época do vestibular, eu desconhecia que era possível trabalhar com Direito Ambiental ou Direitos Humanos, e também desconhecia a existência das muita escola teóricas dentro das Ciências Jurídicas, e isso fazia parecer que eu teria que obedecer à concepção de justiça do Estado brasileiro. Engraçado que eu estudo um monte de Direito na Psicologia, com o ECA e a mediação familiar e tudo o mais.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Porque eu não cursei Publicidade e Propaganda

Olha, esse era o curso que eu queria fazer desde a sétima série, até que no segundo ano esse desejo caiu por terra. Eu imaginava imitar o caminho do Todd MacFarlane, criador do Spawn: me formar em publicidade, trabalhar com propaganda e quadrinhos e então ter as minhas próprias séries e, quem sabe, editora de quadrinhos, que depois virariam desenho animado e bonequinhos. Ah, seria o máximo.
Com a minha imaginação e um certo dom para a propaganda seria tudo muito fácil, desde novo eu já pensava propagandas criativas e melhores do que as que passavam na TV. E eu ainda queria fazer alguma especialização em psicologia pra fazer propagandas melhores! Ah, que perverso! Mas aos poucos eu fui descobrindo minha orientação política e vi que psicologia do consumidor não é o canal.
Eu tinha idéias de propagandas super engraçadas e bonitinhas sobre preservação de água ou combate ao sedentarismo, mas eu comecei a ficar cético sobre quem é que iria demandar um trabalho desses. A indústria da propaganda é muito corrupta e tem uma ideologia do consumo e do prazer imediato, e a divulgação da ciência não é incentivada. Então não teria nenhum emprego em empresas pra um publicitário humanitário. Hoje eu acho isso um engano, pois eu descobri que durante a graduação a gente traça o nosso próprio caminho como a gente quiser, e se eu começasse a trabalhar com esse tipo de propaganda eu acabaria empregado em alguma ONG que compartilhasse da proposta das minhas propagandas.
Mas depois que eu assisti o filme Doce Novembro, pareceu que todos os publicitários necesariamente seriam corruptos, estressados e superficiais, e que eu teria que fazer propaganda de carro e cerveja. E eu odeio propaganda de carro e cerveja, e odeio carro e cerveja. O pior de tudo é que as propagandas de cerveja são as mais criativas e as que mais investem recursos e esforços, apesar de sempre o mesmo tema da praia, da mulher-objeto, da diversão e do futebol. Isso torna o nosso quadro da propaganda lastimável.
Enfim, eu simplesmente não queria ser demandado a realizar algo do qual discordo, mesmo que por um dinheirão.
Mas se eu tivesse cursado publicidade, eu estaria fazendo algo do tipo:
www.wildaid.org

Porque eu não cursei Artes

Ah, a profissão da minha vida. Novamente, dizem que eu estou no curso errado. Mas só porque eu me envolvo horrores com arte não quer dizzer que eu queira ter a arte como trabalho. Eu digo que no meu curso psicólogo tenta se fazer de artista e dizem que eu sou um artista que tenta se fazer de cientista. E eu digo que sou cientista, que nem o Leonardo da Vinci.
Primeiramente, eu não cursei porque o mercado da arte aqui no Brasil é terrivelmente cruel, e nem sempre aceita nossas criações. Assim não dá pra deixar a própria arte submetida ao mercado, não dá. Se vender de jeito nenhum. Mas passar fome também não.
O curso também tem aquele problema, como qualquer educação formal, de deformar, inibir e adulterar, ao mesmo passo que demanda e abre caminhos. E eu gosto da minha arte livre: punk rock, progressivo, mangá, HQ, comics, pintura surrealista. Isso não combina com a arte conceitual e minimalista ou com as instalações que eles incentivam nas faculdades de artes. Só que esse problema com as muitas escolas de pensamentos e modismos tem na Psicologia também, só que como eu sou mais cientista eu não fico dizendo que estão em reprimindo.
Eu também não queria estudar crítica da arte, por considerar muito supérflua e improdutiva. Mas junto com ela a gente estuda estética, que é algo que eu ando estudando bastante ultimamente. Na real, eu acho que eu não me encaixo com pós-modernismos blasé, e eu só não queria fazer minha arte daquele jeito.

"Críticos são sujeitos que passam anos procurando um erro do escritores - a acabam encontrando."
Peter Ustinov

sábado, 22 de dezembro de 2007

Porque eu não cursei Medicina





Mais um capítulo da série "Porque eu não cursei...", na qual eu vou refletir sobre os motivos que me afastaram de outros cursos considerados vocações para mim. É negando o outro que a gente se identifica, como diria o velho Hegel (não acreditem em tudo que ele diz). Curiosamente, são os mesmos cursos que os meus amigos fazem ou vão fazer, mas eu não quero desmotivar ninguém, só compartilhar algumas reflexões que podem até ser resolvidas.


Pois é. Medicina. O curso mais difícil, mais respeitado, mais apavorante e mais cobiçado daqui. Todas as famílias se orgulham de terem filhos médicos, ou no mínimo acham uma boa idéia. Já me disseram que eu tinha cara de médico, por ser estudioso, ter 'sangue frio', ter uma tendência a estudar questões de saúde e muitas outras qualidades boas para um médico. E que eu poderia me especializar em Psiquiatria e receitar remédios, que era muito melhor que 'só' Psicologia.


Mas eu nunca gostei tanto assim de Medicina, apesar de já ter cogitado várias vezes. Nenhuma dessas implicâncias é necessariamente por causa da ciência ou da profissão, mas mais pelas politicagens e hábitos associados a elas.


Nunca tive problemas com cadáveres, doenças e cortar coisas, nem com decorar pacas, apesar de não ter o costume de usar o caderno, o que é extremamente útil num curso desses. Mas eu não gostava da frieza da relação médico-paciente, e na época que eu pensava sobre isso eu não sabia da existência do movimento de Humanização da Saúde, da Reforma Psiquiátrica, da Anti-psiquiatria e nem tinha assistido ao Patch Adams.


Engraçado que essa não foi a minha única crítica à Medicina que eu encontrei também na Psicologia. Na Medicina, me desagradava a prática da Medicina Reparativa, em contraste com a Medicina Preventiva. Mais que isso, eu não queria ser como só mais um tijolinho no muro consertando erros, enquanto a máquina central continuaria a produzir erros com a mesma freqüência. Eu não queria fazer cirurgia para quem tivesse problemas cardíacos, eu queria que todos fizessem exercício desde o início. Queria agir nas causas sociais dos problemas de saúde. Só que, na época, não via perspectivas de fazer isso dentro da Medicina. Acho que foi engano meu, porque eu tenho essa mesma crítica dentro da Psicologia, e tem muita gente lutando pra conseguir fazer alguma coisa quanto a isso.


Na Psicologia eu também me deparei com muitas problematizações em cima da instituição hospitalar, o que faz eu pensar que foi uma boa eu entrar pra Psico. Ou que eu deveria estudar essas coisas e trocar pra Medicina, mas não quero isso, não. Prefiro só discutir e recomendar leituras aos médicos. Vocação de professor.


Mas os problemas institucionais realmente me afastaram da Medicina. O ritmo alucinante, não podendo atender com o devido esforço aos pacientes que gostaríamos. A economia de recursos com pacientes de alto risco. A exigência dos superiores para receitar determinada terapia. O controle sobre as outras profissões. Ser obrigado a fazer coisas qeu não concorda devido às exigências da instituição. Ter que obedecer questões do código de ética dos quais discorda.


Na verdade, tem muitos médicos que conseguem liberdade para agir de forma mais ética dentro de uma instituição hospitalar. E tem também os clínicos, que agem muito baseados em suas convicções. E isso pode ser perigoso, pois daí falta uma ggeneralidade do código de ética e da atuação profissional. Além disso, eu tenho certos preconceitos com profissionais liberais, relativos a questões de mercado.


Que nem no caso da objeção de consciência que os médicos brasileiros fazem com relação à demanda de aborto. O aborto é permitido no Brasil em casos de estupro ou risco de vida da mãe, e abortos clínicos em função de falta de planejamento familiar ou opressão de gênero ocorrem apenas em clínicas privadas superespecializadas que passam por cima da lei ou em fundos de quintal, por fora da lei e que trazem grandes riscos às pacientes devido à falta de preparo e equipamento. Mas permitido não quer dizer realizado. A Igreja Católica é muito forte aqui no Brasil, e é a principal opositora da legalização do aborto, assim estendendo suas influências fortemente dentro da classe médica. Então, mesmo que a mãe não tenha nenhuma condição de criar um filho, ou que ela tenha passado por um triste caso como os já comentados, o médico tem o direito de se recusar a realizar a operação. Eu vejo esta atitude como uma falta de unidade do código de ética da Medicina e como uma interferência da religião na política e na ciência, estabelecendo critérios para a vida baseando-se em crenças religiosas. Mas na nossa legislação, o médico está tão no direito de se recusar a realizar um aborto quanto um estudante está de se recusar a participar de aulas com experimentação animal, pois a lei caracteriza esses posicionamentos como crenças pessoais que devem ser respeitadas. Já eu caracterizo como uma crença religiosa de um lado, e uma postura política e crítica institucional de outro. Mas de qualquer forma, não dá pra obrigar os médicos a realizar as operações e nem deixar que eles se eximam de suas responsabilidades. País grande e desigual dá nisso, desigualdade da educação científica e falta de unidade do código de ética.


Os médicos lidam com conflitos éticos constantemente, em assuntos como a aplicação de determinado procedimento cirúrgico de alto risco ou dar atenção a determinado paciente em detrimento de outro. São deicsões éticas que as pessoas comuns não precisam tomar, mas que os médicos têm a obrigação de encarar. Eu questiono se, se o sistema de saúde fosse estruturado de forma diferente, esses problemas ainda se apresentariam. Talvez eles sejam causados pela própria institucionalização da Medicina desta forma. O médico tem a obrigação de dispensar muitos esforços e recursos para tentar curar, muitas vezes inutilmente, um paciente com câncer, enquanto que em outras sociedades pode ser simplesmente aceita a morte da pessoa como um processo natural ou como inevitável conseqüência de ações passadas. Claro, em algumas sociedades também é visto como castigo divino ou como presença do demônio, e isso não é muito humanitário. Mas é possível ter diferentes relações com a doença e a morte que não esta intervencionista, combativa e reparadora da nossa Medicina.


Eu acho essa exigência da profissão de combater na morte e tentar reparar algo que é conseqüência de hábitos ruins, como um câncer de pulmão causado por fumo excessivo, algo muito cruel. Cruel para os trabalhadores médicos. É um tipo de exigência que eu não iria suportar, principalmente porque meus questionamentos não seriam ouvidos ou atendidos.


Ter que encarar a morte do paciente e atribuir isso à minha causa também não é algo que eu gostaria. Até por não ver a própria doença, acidente ou tragédia sofrida como causada por mim, e seria muito controverso fazer algo no qual não acredito. Por outro lado, seria muito chato encarar tranqüilamente a morte de um paciente enquanto eu poderia ter feito alguma coisa. Como que os médicos e pensadores da medicina pensam sobre isso, eu não sei. Mas é importante saber.


Dentro dos conflitos éticos e obrigações institucionais que eu quis evitar está também a receita de medicamentos. Ela é a principal prática terapêutica da nossa medicina, e é muito criticada devido à sua articulação estreita com a corrupção e os interesses da indústria farmacêutica. Efeitos colaterais, medialização e normatização do comportamento, receita de remédios errados, distribuição desigual do acesso à saúde à população, experimentos em animais com o intuito de dar respaldo jurídico para os laboratórios, produção de dependência da medicação, controle do itinerário do paciente, custos expensivos com bengalas em vez de um treinamento pra fortificar as pernas. Tudo isto está envolvido com a utilização de remédios, que é inevitável na profissão médica. E como eu não queria ter que receitar remédios testados em animais, mas teria que fazer isso, não tinha jeito de eu passar pela Medicina.


Na verdade isso era só o que eu achava, devido ao meu desconhecimento da área. A Medicina, assim como qualquer ciência, é muito mais ampla e variada do que supõe quem vê de fora, e as possibilidades de atuação e mudanças estão aí, para quem tiver disposição para estudar e militar. Eu acho que estudar células ou doenças intestinais é muito chato, mas se eu me transferisse para a Medicina eu ia levar comigo o Michel Foucault, a Análise Institucional, o Humanismo e tudo o que se tem sobre Ética e Antropologia da Medicina.


Hunter Patch Adams é um ativista legal. Ele veio pro Brasil esse ano e eu perdi, mas imagino que ele venha de novo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Por que eu não cursei Biologia


Clima de final de ano, início dos estágios, amigos fazendo vestibular, o meu envolvimento cada vez maior com militâncias políticas, o aprofundamento nas pesquisas, tudo isso suscita muitas questões acerca do futuro. Curiosamente, pensar sobre o futuro significa pensar sobre a carreira profissional, mas eu penso que isso seja mais por esse ser o campo mais fácil de planejar do que por uma supervalorização do trabalho em detrimento de outras dimensões da vida. De qualquer forma, tudo o que eu faço é muito importante pra mim, e eu critico e justifico constantemente as minhas escolhas.

Pensando sobre outros caminhos possíveis de serem seguidos, voltei a me questionar sobre o porquê que eu não entrei para o curso de Biologia, que é uma matéria pela qual sou absolutamente apaixonado e que coincidentemente tenho muitos e muitos amigos de lá. Eu estudo conteúdos de Biologia seguidamente e consigo travar debates bastante equilibrados com biólogos, e muita gente diz que eu estou no curso errado. Mas eu discordo.

Eu desisti de Biologia logo na metade do Ensino Médio, porque eu não sabia qual seria a perspectiva de emprego de um biólogo, e eu achava que ser um cientista era uma coisa muito difícil e rara. Se bem que eu estava bem determinado a ser repórter da National Geographic Channel e filmar os bichinhos caçando.
Outro ponto, que por muito tempo eu considerei o principal para me afastar deste curso foi justamente por causa dos bichinhos. Mais precisamente, o que os professores fazem e mandam fazer com os bichinhos. Eu iria me recusar a participar das vivisssecções e iria acabar travando uma guerra com os professores, que empacaria meu currículo e, como a grande maioria das pessoas, mesmo que discorde, costuma ficar em silêncio e baixar a cabeça, eu ia acabar ficando sozinho brigando com os professores. E eu não queria me opor a todo mundo.





Só que o problema lá não é só o tratamento dispensado aos animais de laboratório, mas sim toda a relação humanidade-ciência-Natureza que é ensinada ali. É uma Natureza subjugada à humanidade através da ciência, que tem por objetivo o mero progresso da ciência. Não é essa a relação que eu tenho com a Natureza, e muito menos a que eu quero ter.

O estudo de Biologia está muito fundamentado da filosofia de Francis Bacon, filósofo naturalista do século XVII, expressa na máxima: "A Ciência deve servir para o Homem dominar a Natureza". Nessa concepção, a Natureza está separada da humanidade, e é vista como um inimigo e um objeto a ser dominado e utilizado para a satisfação dos interesses da humanidade. Isso é chamado de façanha prometéica, por sugerir que é uma técnica, uma prática que não existia antes, com a filosofia escolástica tida como inútil. Mas eu chamo de falácia prometéica, por concluir que por conhecer a Natureza através da ciência, e pelo fato de o conhecimento trazer poder, e conseqüentemente controle, é legítimo que o detentor do conhecimento se apodere da Natureza. A idéia de ter poder aí seria o suficiente para ser considerado legítimo, justo, correto ou bom, o controle sobre a Natureza.

A suposição de que o poder deve ser exercido, ou de que ele é suficiente para dar o direito, são imediatamente reprovadas se tentarmos aplicá-las a vários setores da sociedade, e com boas justificativas.

Ocorre uma confusão conceitual também no momento em que se classifica a Natureza, ou a vida, como objeto de estudo. Ontologicamente falando, podemos classificar esses mesmos como objetos, por serem comnpostos de matéria e constituirem parte do nosso Universo. Epistemologicamente falando também, porque nós os conceituamos e tentamos estudá-los e conhecê-los. Mas, segundo a nossa filosofia baconiana, o objeto de estudo é o objeto a ser controlado, então eles também são tidos como objetos do ponto de vista valorativo. O valor atribuído aos organismos vivos é um valor instrumental, sem quaisquer idéias igualmente metafísicas de direito, respeito, justiça ou até sacralidade.

Esse problema do objeto de estudo ser transormado em objeto do ponto de vista do valor atribuído a ele acontece também nas ciências humanas, embora em menor escala e não tão institucionalizado e naturalizado. E por causa dessas barreiras institucionais, mesmo que eu estudasse muito de filosofia da ciência e criticasse essas práticas, os professores não iam entender nada do que eu falasse e iam mandar eu obedecer a súmula.


Só que eu não queria, de jeito nenhum, ser ensinado a ter esta relação instrumental, utilitarista, intervencionista e displicente com a Natureza, tratando como um reles objeto ou atibuindo a ela apenas valor econômico. Minha relação com a natureza sempre foi passiva, contemplativa, apreciadora, respeitosa, daria até pra dizer pagã. Pagã no sentido de um sentimento de conexão com a Natureza da qual fazemos parte, sem necessariamente a presença de deuses, mitos ou rituais, que eu dispenso. E eu discordaria que esta é uma postura mística, pois de fato fazemos parte da Natureza e inevitavelmente nutrimos algum sentimento por ela, seja de pertencimento ou não. Além disso, a filosofia baconiana não é tão laica assim: essa separação Homem-natureza e fé na condução da Natureza através da razão são heranças diretas do transcendentalismo católico, e da idéia de natureza como mundana, e, portanto, sem valor, enquanto o humano é dotado de uma alma perfeitamente racional concedida por Deus, do qual foi feito à imagem e semelhança.

Quando eu era mais novo eu tinha apenas uma intuição de sobre o porque que eu discordava dessa idéia de arrancar folhas das árvores para estudar ou colocar insetinhos num pote de álcool, mas agora eu já consigo articular e elaborar críticas mais justificadas sobre isso tudo. Essa cosmovisão 'pagã', da qual posso dizer que compartilho, atribui um valor imanente à Natureza, com idéias de dignidade, respeito, harmonia, e outros valores usados no nosso sistema social. Se a sociedade é tão dependente da Natureza, como podemos não atribuir valores a ela e a seus organismos vivos, da mesma forma que fazemos conosco? Ou será que deveríamos eliminar de vez todo o valor construído em volta dos objetos, incluindo nós mesmos, e permitir um uso instrumental de qualquer coisa?

O primeiro ataque histérico que alguém tem ao ver confrontada essa cosmovisão baconiana é de reagir agressivamente, condenando a pessoa de ser contrário ao progresso da ciência e da tecnologia. Eu não sou, de forma alguma, contrário ao progresso da ciência, embora que com a produção de tecnologia eu costume demonstrar um alto ceticismo quanto às suas aplicações. Só que eu defendo que, por estarmos inseridos em uma sociedade, dependentes de suas contribuições e sujeitos às suas leis, devemos estipular restrições éticas quanto ao que é permitido para o progresso da ciência. A ciência vai evoluir, não importa com que metodologias ou que enfoque, e defendo que o conhecimento é sempre importante. O problema é o como. O método utilizado para isso. Criar um ratinho transgênico autista quebra muitas barreiras éticas, e embora produza um conhecimento excelente, a produção de papers não vale a violação da dignidade de ninguém. Podemos pensar na observação não-participante como uma metodologia mais próxima da minha postura contemplativa, mas eu não tenho uma caixinha de respostas com todoas as metodologias possíveis. Isso demandaria muitos anos de esforço e criatividade da comunidade científica, e imagino que daria certo.

Essa minha cosmovisão está bastante relacionada à concepção sistêmica, usada no estudo da ecologia, no entendimento de que todo o ecossistema está integrado e todas as nossas ações interferem no equilíbrio, e isso despenca sobre nós. A noção prática de ecologia é algo que falta em muita gente, e é urgente que se mude essa atitude na população mundial, devido aos incontáveis problemas ambientais que estamos vivendo, e que ameaçam a sobrevivência de grande parte da vida sobre a Terra. Ao meu ver, o conhecimento das conseqüências de suas ações provavelmente traz reflexões éticas muit positivas.

Então eu achei nessa minha crítica ao ensino de Biologia o meu objetivo na Psicologia: mudar a postura das pessoas em relação à Natureza. Eu sei, todo mundo ama o mar e diz que preservar o ambiente é importante, mas ninguém reflete sobre o respeito que se tem ao usar aerosol num camping ou comprar um bife no supermercado. E ter noção das conseqüência é importante, e é para isso que temos a ciência. E justamente esses esforços para a preservação ambiental é que podem ser um dos maiores propulsores da ciência e de uma relação mais respeitosa com a Natureza. Eu reconheço que algumas pessoas brilhantes podem cursar Biologia e manter ou desenvolver essa atitude 'pagã', mas num geral os mecanismos institucionais agem de maneira deformadora. E isso eu não queria pra mim, eu não queria ser obrigado a agir de um jeito diferente do que vejo. Assim eu preferi trabalhar na Biologia por outro caminho, no qual posso conseguir mais instrumental para as minhas lutas.
Tá, isso não quer dizer que o curso é ruim, a profissão é corrupta e ninguém tem discernimento pra encarar essas práticas. Na verdade, é a minha paixão. E só porque eu não tinha maturidade, apoio e conhecimento pra combater as questoes das quais discordo, não quer dizer que pessoas que compartilham da mesma visão que a minha devam evitar o curso. Pelo contrário, melhor que se formem muitos biólogos engajados. Eu só não troco de curso porque eu estou gostando do meu e quero habilitação psicólogo.

Quem quiser conhecer o homi:

domingo, 16 de dezembro de 2007

Jura!


Pra esses serem os interesses gerais da população, só depois que o mundo virar vegetariano, o oriente médio ficar em paz e os carros voadores forem movidos a energias renováveis!

Não existe a categoria fofoca?


Celebridades da Wikipedia: Jacek Yerka, Richard Feymann, Charles Darwin, Tom Morello, Joss Stone...

Pelo grau de atualização e complexidade dos artigos de ciência na Wikipedia, eu deduzo que só nerds que estão concluindo seus mestradops em alguma coisa ue contribuem pra ela. O que é ótimo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Relativismo Vegetariano

"Tudo bem que ele seja vegetariano, desde que ele não tente me convencer a ser vegetariano também"


Essa foi uma maravilhosa pérola que eu ouvi outro dia, de uns caras falando sobre outro cara do qual eles não gostavam muito, e que era vegetariano ativista. Sobre o quanto esses caras devem ser legais uns com os outros, não interessa. O que interessa é que a frase entre aspas acima reflete muito bem um discurso recorrente quando se entra em choque com um vegetariano político ( o que não come carne por questões políticas e de ordem social), que é o de um certo relativismo quanto à opção alimentar.

Concordo que as pessoas não devem se alimentar todas de uma mesma forma, e que existem gostos variados que devem ser respeitados. Isso é relativismo cultural. Existem pratos preparados de maneiras que ahcamos estranhas e temperos que nos dão um treco. Mas isso não se aplica ao consumo de carne, pois ele envolve não só uma opção alimentar mas também relações de poder muito marcantes e a violação do direito à liberdade de outros indivíduos, principalmente. Não é que nem Tonho gosta de banana e Quito gosta de pêra, mas sim Carlo planta e colhe arroz enquanto Gregório chuta e dá marretadas num porco numa gaiola. Um porco que poderia estar livre, feliz, e, apesar das dificuldades inerentes à vida, elas são muito melhores do que ser tratado como um saco de argamassa e depois levar algumas facadas no pescoço quando ele queria na verdade correr pelo campo.

Aí que entra o primeiro problema quando um consumidor de carne exige essa postura de relativismo e liberdade de estilo de vida de um vegetariano. O próprio consumo de carne já é uma violação dessa idéia de liberdade de agir-viver. Viola-se primeiramente a dignidade do animal, transformando sua existência em um meio para um outro objetivo que não a própria vida (o lucro ou o consumo), depois é violada o seu direito de ser livre e conhecer os ambientes à sua escolha (escolha é um termo controverso, mas já que aplicamos à nós aplicaremos a eles também, já que escolha exige livre arbítrio, e não necessariamente uma nova arma ou um cérebro mais gordo. Livre-arbítrio exige alma, e ou todos tem ou ninguém tem. Enfim, conceitos controversos.) e por último é violado o seu direito à integridade, com uma martelada na cabeça. Com uma defesa tão firme da violação a liberdade de outros, é muito incoerente que ele exija um respeito ao que ele considera como liberdade, que provavelmente deve ser uma concepção muito mais confusa que a de escolha.

Além disso, tentar convencer alguém a se tornar vegetariano não é necessariamente uma ameaça à liberdade. Normalmente, se tenta convencer alguém a ser vegetariano apresentando fatos e argumentos, sobre aspectos diversos. Discutir e argumentar é uma ameça à liberdade? Se alguém pensar que sim, é recomendável que jamais se leia um livre novamente ou vá para a faculdade, porque a exposição às idéias novas apresentadas num livro deve ser praticamente um suplício em praça pública pra essa pessoa. Na verdade, no meio intelectual, entrar em contato com diferentes fatos e idéias é visto como uma libertação intelectual. Dúvidas existenciais, insights, teorias novas, essas coisas todas. Então, o mais inteligente seria que essas pessoas ficassem felizes ao ter alguém ao lado argumentando a favor de uma dieta vegetariana com implicação política.

Infelizmente, todas as críticas feitas ao consumo de carne são encaradas como se a pessoa estivesse "forçando" as outras a agirem como ela. Essa reação é uma forma de defesa à sua cosmovisão, que acontece com quaisquer outros grupos que têm suas crenças ameaçadas pelos fatos. Mas elas não estão sendo forçadas a agir de acordo com esses fatos. Espera-se que ajam, mas não há essa garantia. O vegetariano só está expondo as informações e críticas que possui, o uso que as pessoas farão a partir daí não depende mais do vegetariano. A menos que ele tenha uma arma ou bastante poder político, só que não são todos os vegetarianos que têm isso. Forçar exige o uso da força, e não é isso o que normalmente ocorre em uma discussão. Ninguém vai apanhar do colega por comer carne. No máximo vai levar xingão, mas provavelmente só vai ter discussões bem acaloradas.

Uma coisa que eu considera incrível é que existem vegetarianos que dizem "respeita a opção dele", como se o tentar argumentar fosse violação de alguma coisa. E como se ser vegetariano fosse uma simples opção alimentar, como gostar de pão com chocolate ou batida de banana com limão, quando também é uma posição política e uma forma de se expressar. Não se é vegetariano por peninha dos pobrezinhos dos animaizinhos; se é vegetariano porque se opõe à injustiça, à exploração e à uma das indústrias mais cruéis do mundo, em todos os sentidos. E se tu te opões à injustiça, tu vais fazer valer a tua voz. Bandeira não é pra ficar guardada no armário, escondida dos exércitos alheios. Por isso não é só um direito, mas um dever do vegetariano consciente de criticar e se opor firmemente ao consumo de carne. E isso pode ser feito de maneira educada e respeitosa, posi o que devemos respeitar e conservar são as pessoas, e não suas idéias ou hábitos nocivos e questionáveis.

Imagine, por exemplo, que você está na faixa de Gaza, e está acontecendo um combate entre o Hamas e guerrilheiros israelenses. Eles acreditam que estão fazendo a coisa certa, que eles estão certos e foi assim que eles aprenderam a se relacionar. Você acha que esta prática deles deve ser 'respeitada'? Falar de paz e tentar uma conciliação seria 'forçar' ou 'converter' estes homens tão certos e tão satisfeitos com o que fazem?
Aí que entra o valor de se posicionar de forma clara, respeitando as pessoas. A gente não vai chegar xingando e socando esses caras, até porque isso não daria certo, e simplesmente os tornaria ainda mais intolerantes a idéias outras. Mas um diálogo tem sempre o seu valor, seja para a paz árabe-israelense, seja para uma dieta mais ética e socialmente benéfica, mesmo que as pessoas se mostram avessas no início.

domingo, 9 de dezembro de 2007

10 razões da Psicologia contra a redução da maioridade penal

Conheça as 10 razões da Psicologia contra a redução da maioridade penal:

1. A adolescência é uma das fases do desenvolvimento dos indivíduos e, por ser um período de grandes transformações, deve ser pensada pela perspectiva educativa. O desafio da sociedade é educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado tanto do ponto de vista emocional e social quanto físico;

2. É urgente garantir o tempo social de infância e juventude, com escola de qualidade, visando condições aos jovens para o exercício e vivência de cidadania, que permitirão a construção dos papéis sociais para a constituição da própria sociedade;

3. A adolescência é momento de passagem da infância para a vida adulta. A inserção do jovem no mundo adulto prevê, em nossa sociedade, ações que assegurem este ingresso, de modo a oferecer – lhe as condições sociais e legais, bem como as capacidades educacionais e emocionais necessárias. É preciso garantir essas condições para todos os adolescentes;

4. A adolescência é momento importante na construção de um projeto de vida adulta. Toda atuação da sociedade voltada para esta fase deve ser guiada pela perspectiva de orientação. Um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação escolar e profissional ao longo da vida no sistema de educação e trabalho;

5. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) propõe responsabilização do adolescente que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas. O ECA não propõe impunidade. É adequado, do ponto de vista da Psicologia, uma sociedade buscar corrigir a conduta dos seus cidadãos a partir de uma perspectiva educacional, principalmente em se tratando de adolescentes;

6. O critério de fixação da maioridade penal é social, cultural e político, sendo expressão da forma como uma sociedade lida com os conflitos e questões que caracterizam a juventude; implica a eleição de uma lógica que pode ser repressiva ou educativa. Os psicólogos sabem que a repressão não é uma forma adequada de conduta para a constituição de sujeitos sadios. Reduzir a idade penal reduz a igualdade social e não a violência - ameaça, não previne, e punição não corrige;

7. As decisões da sociedade, em todos os âmbitos, não devem jamais desviar a atenção, daqueles que nela vivem, das causas reais de seus problemas. Uma das causas da violência está na imensa desigualdade social e, conseqüentemente, nas péssimas condições de vida a que estão submetidos alguns cidadãos. O debate sobre a redução da maioridade penal é um recorte dos problemas sociais brasileiros que reduz e simplifica a questão;

8. A violência não é solucionada pela culpabilização e pela punição, antes pela ação nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que a produzem. Agir punindo e sem se preocupar em revelar os mecanismos produtores e mantenedores de violência tem como um de seus efeitos principais aumentar a violência;

9. Reduzir a maioridade penal é tratar o efeito, não a causa. É encarcerar mais cedo a população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou possibilidade;

10. Reduzir a maioridade penal isenta o Estado do compromisso com a construção de políticas educativas e de atenção para com a juventude. Nossa posição é de reforço a políticas públicas que tenham uma adolescência sadia como meta.

www.pol.org

sábado, 8 de dezembro de 2007

Top 8 Idéias Perigosas da Ciência

Um pouco de Crtl+C crtl+V...


"As idéias que poderão revolucionar o mundo, porém, também, trazer prejuízos.
Darwin, Einstein revolucionaram a Ciência, mas não contavam com o mau uso de suas descobertas por mentes perigosas como a de Hitler e dos criadores da bomba atômica. As grandes idéias trazem mudanças de mentalidades e com elas, também, consequências indesejadas."
Nota minha:As idéias de Darwin foram mal-interpretadas pra se transformar no darwinismo social e afins. Quanto à bomba atômica, é isso que dá fazer ciência para fins militares. Falta implicação da sociedade civil na ciência.


"Cientistas discutem num site (http://www.edge.org/) quais são as teorias que se confirmadas poderão mudar o mundo para o bem ou para o mal."
Abaixo estão as oito mais comentadas:

1- Antidepressivos Podem Acabar com o Amor Humano
(Helen Fischer, antropóloga, USA, livros sobre amor e diferenças entre homens e mulheres)
O Homo sapiens tem três sistemas cerebrais para a reprodução:o desejo sexual, o amor romântico e o amor familiar.
Qualquer desequilíbrio nessa dinâmina alterada por uma dose qualquer de medicamento antidepressivo , que suprime os desejos, pesquisas mostram que é perigoso.
A indústria investe na venda dessas drogas, milhões de pessoas no mundo usam, inibindo sua dinâmica natural e a medida que cada vez mais pessoas passarem a tomar, todo o padrão amoroso humano mudará, todo tipo de atrocidades sociais e políticas poderão aumentar.

2- Revelar a Base Genética da Personalidade Criará Conflitos Sociais
(J. Crig Venter, pesquisador do Genoma Humano)
Estaremos preparados para saber tudo a respeito dos nossos genomas? A ciência já provou no caso das moscas de frutas que os genes controlam o comportamento, inclusive o sexual; nos cachorros levam uns a serem mais agressivos e terem comportamentos diferentes de outros, porém, quanto a nós humanos, nos agradamos da idéia de que toda criança é uma folha em branco.
À medida que avançam as pesquisas científicas haveremos de reconhecer que os genes influenciam em nossos comportamentos, incluindo personalidade, inteligência, preferências sexuais, memória, força de vontade, habilidades atléticas, etc.
Seremos forçados a deixar as interpretações politicamente corretas, pois já sabemos que não nascemos todos iguais!!! Mas o determinismo genético, apesar de está ganhando, terá enorme trabalho para identificar os infinitos componentes ambientais que influenciam o ser humano.

3- O Livre-Arbítrio Está Desaparecendo
(Clay Shirky, Pesquisador e Professor, N.York-EUA)
Muitas opções são dadas para subverter o julgamento consciente. Companhias investem em maneiras de tirar proveito das fraquezas do nosso aparelho analítico. Diantes de certas investidas mudamos nossos comportamentos. Os fastfoods na estratégia do supersize tem alcançado seus objetivos; eliminando o livre-arbítrio de muitos adolescentes, por uma refeição maior e por mínimos centavos a mais.

4- O Governo é o Problema, Não a Solução
Matt Ridley, escritor sobre comportamento humano
Em todos os tempos sempre houve muito chefe para pouco índio. Porém á sabemos que a prosperidade vem da livre troca de bens e idéias e invenção de novas tecnologias. Somente este processo nos trouxe sabedoria e riqueza jamais antes imaginada. Governos fracos com comércio forte e livre levam a prosperidade, enquanto que governo forte ao contrário, só enriquece a ele mesmo e aos seus pares, com cobranças de impostos abusivos, poucas inovações, declínio econômico e guerras. Não há dúvida depois de Mao, Hitler e Stalin que o perigo está em governo demais!!

5- O Fim das Escolas
Roger C. Schanh, psicólogo e cientista da educação
As escolas são da mesma forma de séculos atrás. Há quem diga que as escolas hoje fazem mal as crianças, a impressão é que ensinam muito pouco e elas não estão contentes quando estão em sala de aula. O interesse deve guiar o aprendizado e para isso a escola tem que mudar o seu formato. Crianças diferentes não podem aprender coisas iguais.

6- Almas Não Existem
Paul Bloom, psicólogo e pesquisador da linguagem
Psicólogos e Filósofos em sua maioria dão como certo que alma imortal e imaterial , que funciona independente de nosso cérebro não existe. Outros pesquisadores acham que desistir da idéia de alma significa ignorar a diferença entre humanos e outras criaturas. A rejeição da alma é muito mais importante porque pode trazer consequências legais e morais. A negação da alma só incomoda áqueles que não desistem da idéia de que após a morte a alma sobrevive à morte corporal e ascende ao céu.

7- Povos Tribais Também Destróem o Meio Ambiente e Travam Guerras
Jared Diamond, Geógrafo
A idéia é perigosa porque muita gente acha que tratamos os tribais bem porque ele cuida da natureza, são sábios e pacifistas. Devemos tratá-los bem pela razão da ética e não teorias antropológicas que poderão ser provadas falsas no futuro. O exemplo da extinção de povos inteiros no passado por terem acabado com seus recursos naturais.

8- Não Podemos Punir os Humanos "Defeituosos"
Richard Dawkins, Biólogo
Às vezes pensamos em retribuir o mau que nos causam. Um criminoso merece a morte em troco pelo que fez. "Mas a retribuição como princípio moral é incompatível com a visão científica do comportamento humano." Nossos cérebros são governados pelas leis da física, ainda que não funcione como computador. Não punimos o computador quando apresenta defeito, o consertamos. Um assassino não será uma máquina com defeito? Ou com um gene defeituoso? Ou uma educação defeituosa? Atribuir culpa é exercício de milênios de anos. A idéia perigosa é que um dia iremos amadurecer e até rir das punições de hoje.
"
@@Essa sugestão foi retirada da Revista Superinteressante de julho/2006.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Arte de Macacos



Não me surpreende encontrar estudos que sugerem evidências de arte em outras espécies. Mas me surpreende pelas evidências serem muito rigorosas, o que sugere capacidade de representação e motricidade fina entre os chimpanzés. E que talvez a arte tenha tido um papel fundamental na evolução dos primatas. Ou ela é um erro que se repete muito facilmente entre animais inteligentes.

A psicologia evolucionista se esforça bastante pra encontrar as raízes biológicas pra ela e qual seria a sua função na evolução da espécie, mas tudo ainda é muito controverso, especulativo e interessante.

E a arte ainda era uma dos poucos domínios intelectuais que restavam pra exclusividade humana. Mas como disse Darwin, a diferença é só de grau, e não de tipo. Sinceramente, eu acreditava na excclusividade humana da arte. Mas os chimpanzés e bonobos vão vir pro gênero Homo, né? Então nem é tanto assim. Mas o boom do desenvolvimento artísitco e simbólico nos humanaos se deu há cerca de 43 mil anos atrás, com o possível surgimento da linguagem articulada, responsável pela representação, abstração, separação em categorias, significação de objetos sem ligação direta, recursão e etecetera e tal. E isso então seria uma exclusividade humana. Provavelmente mais pela fraca definição conceitual de linguagem e representação do que por ser uma faísca divina na humanidade.

Então, isso é arte de macaco? O que é arte? É expressão das emoções, ou de idéias, ou é o que outros definem como arte? Ou é o que o suposto artista define como arte? Uma cadeira e um extintor é arte? Arte precisa ser bela? Ou tem que ser chocante? Passar uma mensagem? Ter técnica? Representar a realidade de forma irreal? A Natureza é uma obra de arte? Banana?

De qualquer modo, a arte é muito importante para o desenvolvimento intelectual como um todo, e eu recomendo. É um bom jeito de se expressar sem ter que bater em ninguém. E é muito bom saber que as outras espécies também estão fazendo isso. Não seja tão exigente consigo mesmo, se a gente elogia até Koko, seus rabiscos também são válidos.
E, com os pulmões cheios de Rousseau, eu digo que arte é algo muito mais selvagem do que civilizado.


Fontes??







Essa última mostra arte de elefantes também!! E é muito superior!!