segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Porque eu não cursei Publicidade e Propaganda

Olha, esse era o curso que eu queria fazer desde a sétima série, até que no segundo ano esse desejo caiu por terra. Eu imaginava imitar o caminho do Todd MacFarlane, criador do Spawn: me formar em publicidade, trabalhar com propaganda e quadrinhos e então ter as minhas próprias séries e, quem sabe, editora de quadrinhos, que depois virariam desenho animado e bonequinhos. Ah, seria o máximo.
Com a minha imaginação e um certo dom para a propaganda seria tudo muito fácil, desde novo eu já pensava propagandas criativas e melhores do que as que passavam na TV. E eu ainda queria fazer alguma especialização em psicologia pra fazer propagandas melhores! Ah, que perverso! Mas aos poucos eu fui descobrindo minha orientação política e vi que psicologia do consumidor não é o canal.
Eu tinha idéias de propagandas super engraçadas e bonitinhas sobre preservação de água ou combate ao sedentarismo, mas eu comecei a ficar cético sobre quem é que iria demandar um trabalho desses. A indústria da propaganda é muito corrupta e tem uma ideologia do consumo e do prazer imediato, e a divulgação da ciência não é incentivada. Então não teria nenhum emprego em empresas pra um publicitário humanitário. Hoje eu acho isso um engano, pois eu descobri que durante a graduação a gente traça o nosso próprio caminho como a gente quiser, e se eu começasse a trabalhar com esse tipo de propaganda eu acabaria empregado em alguma ONG que compartilhasse da proposta das minhas propagandas.
Mas depois que eu assisti o filme Doce Novembro, pareceu que todos os publicitários necesariamente seriam corruptos, estressados e superficiais, e que eu teria que fazer propaganda de carro e cerveja. E eu odeio propaganda de carro e cerveja, e odeio carro e cerveja. O pior de tudo é que as propagandas de cerveja são as mais criativas e as que mais investem recursos e esforços, apesar de sempre o mesmo tema da praia, da mulher-objeto, da diversão e do futebol. Isso torna o nosso quadro da propaganda lastimável.
Enfim, eu simplesmente não queria ser demandado a realizar algo do qual discordo, mesmo que por um dinheirão.
Mas se eu tivesse cursado publicidade, eu estaria fazendo algo do tipo:
www.wildaid.org

3 comentários:

  1. Não da pra dizer que é radicalismo, mas tu usou critérios bem fortes pra nao escolher tais faculdades.
    Eu vejo isso de uma forma diferente, e acho até um equívoco teu nao ter escolhido esses cursos. Por exemplo: Se eu acho que o mercado de trabalho tenha pessoas corruptas com a mente voltada pra ganância ou corrupção, eu seguiria a profissão justamente pra tentar mudar isso de alguma forma, elaborando métodos de trabalho diferentes do convencional, afinal, é a profissão que tu admira. Eu nunca desisti da Bio por isso ou aquilo, sei que tem muita gente que nao merecia estar dentro desse mercado pela forma que vêem a ciência em relação a natureza, e nao por isso eu desisti de fazer aquilo eu eu sonho um dia.

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  2. É verdade. Eu estava pensando nisso agora. A Psicologia tem tanta podridão como qualquer outra. Mas eu acho que foi muito mais produtivo eu ter entrado pra Psico, porque em outro curso eu não teria uma interface tão boa com a epistemologia, a sociologia e o método científico. E ainda ganho habilitação psicólogo, que é uma coisa que vale muito pra mim, que abre muitas portas.

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  3. Eu sou publicitário.
    Reconheço as hipocrisias e a podridão da profissão.
    Mas aí eu te pergunto:
    Deixar de fazer publicidade por julgar que não conseguiria fazer o tipo de publicidade que hoje é chamada de "Publicidade-verde" não foi uma covardia?
    Vejo que você abriu mão, não só do sonho de ser publicitário-quadrinista-e-afins, de tentar mudar os paradigmas. Não estou aqui pra defender a profissão, nem pra te acusar de qualquer coisa.
    Mas hoje existe publicidade preocupada com o meio-ambiente e se investe cada vez mais dinheiro nisso.
    Repense seus critérios. Pesquise mais. E talvez, você perceba que desistiu de publicidade por outros motivos, ou a publicidade realmente nunca foi pra você.

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