quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O grande erro do movimento ambientalista

Todo jovem ambicioso e sonhador quer enfrentar o mal. Ao longo dos anos que se passam, as pessoas seguem um dos dois caminhos: ou se acomodam e preferem cuidar so do malzinho interior, ou se tornam ainda mais sofisticados e afiados em seu arsenal conceitual e seus objetivos, desenvolvendo então meios de combater o mal. Adquirimos a noção de que a concepção que se tem de 'mal' é exageradamente simplista e maniqueísta, e mutias vezes encarnada em alguma pessoa, ou então cai para o outro extremo, estupidamente abstrata. Mas o mal se configura nas condições concretas da existência dos indivíduos, e vai se alastrando até onde suas conseqüência podem alcançar. Este mal pode aparecer de diversas formas: exclusão do mercado de trabalho, violência doméstica, exploração ambiental, falta de assistência às necessidades básicas, sistema legal injusto, xenofobia, corrida armamentista e hostilidade e opressão de todas as formas.
O crime normalmente é retratado como uma das expressões do mal, das que mais recebe a atenção das pessoas. Contra este, as sociedades modernas utilizam de uma gama de mecanismos legais e de aplicação da lei, como armas, policias, promotores e juízes. Mas nem todos os crimes são abordados pela mão forte do Estado - talvez porque o Estado seja ineficiente em sua logística, ou talvez esteja focado demais em punir crimes supérfluos como o comércio de drogas recreativas, ou talvez seja simplesmente impossível que o Estado esteja em todos os lugares.
Um desses crimes que o Estado não está dando muita conta no nosso país, e que com certeza deveria, é a extração ilegal de madeira das belas e essenciais florestas. Como uma amiga perspicazmente apontou, é tão difícil combater a indústria madeireira, que normalmente vão uns poucos ambientalistas tentar proteger algumas árvores lá nos cafundó de um matagal sem a mínima perspectiva de uma interveção do Estado, seja por saúde, educação, direitos trabalhsitas ou proteção ambiental, que no final acabam sendo assassinados pela truculência do operários à margem da lei portadoes de motosserras.

Visto este grave problema enfrentado pela falta de qualquer legalidade ou serviços de assistência em um terreno marginal como esse, acredito qeu o movimento ambientalista precisa traçar novas estratégias, mais eficientes para a nova configuração do mal que se apresenta, que é diferente da ameaça ambiental dos anos 70, capaz de se combater com uma câmera de vídeo e um protesto pacífico com cartazes e abraços às arvores. Seguindo os princípios da Política Prefigurativa, de que os valores dos nossos meios devem ser coerentes com os valores da sociedade que queremos construir, a abordagem não-violenta deve continuar. Para isso, precisamos de planejamento, pois não-violência trata-se usar a cabeça, e traçar estratégias eficientes para ter uma sociedade bonita, justa e saudável.
Visto tudo isso, a abordagem mais poderosa e far-seeing concebível é a intervenção na própria economia, inserindo esses trabalhadores em uma rede melhor de serviços - porque é óbvio que eles trabalham destruindo florestas porque é a única perspectiva deles, se pudessem fazer algo mais legal e rentável, fariam.
Mas é possível pensar em aplicar a lei bloqueando fisicamente a ação das madeireiras - mas dessa vez com segurança. O maior erro do movimento ambientalista foi nunca ter utilizado veículos blindados. Imagina o Greenpeace, com dois Panzerkampfwagen velhos doados pelo Exército, sem canhão e pintados de arco-íris e outras cores da paz, bloqueando as motosserras? Eles podiam aproveitar também e ter um caminhão de bombeiros blindado e colorido que tenha uma mangueira de água pra danificar a aparelhagem inimiga e um estoque gigante de seed bombs, para já utilizá-las para reflorestar a região atacada. Esses veículos poderiam, ainda por cima, ser ecologicamente corretos. E a ausência de armas impediria qualquer escalagem da violência, que seria péssima para a indústria e só atrairia a atenção internacional.
Para derrotar o mal, é preciso ser criativo. Precisamos ser enérgicos, cativantes e bem-humorados. Fica a dica.

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