quarta-feira, 27 de agosto de 2008
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Texto extraído da comunidade ' Bibliotecários Subversivos '

Independência ou Morte! Des(ordem) e Progresso! Liberdade, ainda que tardia!
- Bibliotecas polissêmicas, plurissignificativas e ecléticas!
- A biblioteca é uma espaço de inter-relações pessoais, interação social, comunicação, criação, transformação, conflito, discussão, convivência, riso, dor, paixão, produção sociocultural!
- A biblioteca é do Povo, para o Povo!Seu poder, sua construção, uso, transformação e destruição emanam do Povo!
- Música, teatro, dança, artes plástica, literatura, tai chi chuan na Hora do Conto!
- Biblioteconomia: CRIATIVIDADE, CRIAÇÃO, CRITICIDADE, CONFLITO CULTURAL, INTERAÇÃO SOCIAL;
- Bibliotecas alegres, vivas, bonitas e tão agitadas quanto os “shopping-centers” (E.N.Fonseca)
- Interação, oxigenação e diversidade sexual, racial, religiosa e gastronômica nas bibliotecas! Homens e mulheres num bolo só;
- TV de plasma, DVD, Som, Telão, Canhões de projeção, Karaokê… é “nóis”!
Lei Áurea Bibliotecária. Abaixo a Mediocridade!
sábado, 16 de agosto de 2008
Tédio e Luxo

Para uma aventura, nos dispomos a correr riscos, dormir mal, gastar dinheiro. Investimos muito dinheiro numa aventura. As pessoas pagam por viagens, festas, horas no campo de futebol, acampamentos e mais uma infinidade de atividades divertidas. Mas para investir nessas atividades, precisamos de dinheiro, e, para isso, temos que trabalhar. Se no trabalho não se investe tanto e não nos dispomos a tanto, ele não é tão divertido, então temos o seguinte esquema: fazemos coisas chatas para ter dinheiro para fazer coisas legais.
Isso nos traz a outra questão. Cada vez mais a renda média aumenta, em função da mobilização do capital e outros fenômenos econômicos, e cada vez mais aumenta a necessidade desse aumento na renda média para consumir a variedade crescente de produtos. As pessoas ficam dependentes do dinheiro, porque são dependentes dos produtos. São dependentes desse dinheiro porque não estão vivendo uma aventura. Estão entediadas.
Numa situação de aventura, o dinheiro não importa. Ele não é necessário, porque não precisamos comprar nenhum tipo de artefato para nos divertirmos. Toda a diversão está no ar. Os artefatos comprados com o dinheiro do nosso trabalho são uma forma de compensar o desprazer do trabalho, de uma vida tediosa e um cotidiano alienante. As pessoas não se envolvem com seu dia-a-dia, por isso tentam escapar de qualquer forma, gastando o que tiverem para ter um pouco de felicidade e distração, longe do resto do dia. Trabalham justamente para fugir do trabalho, e nessa equação, o resultado acaba sendo zero.
Se as pessoas vivessem vidas de aventura, todos achariam esse anúncio da Sea Shepherd Conservation Society a coisa mais natural do mundo. Marinheiros não precisam de dinheiro.
Trabalho escravizante, paixão e arte

Trabalhar mais de oito horas por dia é desumano. Isso segundo a escola de pensamento trabalhista que tem voz na legislação. Outras escolas de pensamento, como o do anti-trabalho, consideram que o trabalho por si só é desumano e extrai dos indivíduois as forças que poderiam ser usadas para o ócio e o lazer. O modelo neoliberal exige que os trabalhadores invistam cada vez mais tempo e energia a fim de sobreviver no mercado altamente competitivo, perdendo em humanidade e ganhando em produtividade. As pessoas correm para se adaptar ao sistema, mas considero importante parar para pensar em qeu tipo de sistema se quer viver. Viver para trabalhar, é isso o que queremos?
Se essa pergunta foi feita a um workaholic, a resposta é sim. Workaholics são pessoas viciadas em trabalho que trabalham o máximo de tempo que lhes for permitido e sentem-se muito insatisfeitos quando não estão trabalhando. Esse quadro apresenta vários sintomas psicopatológicos, como insônio, surtos de raiva, stress ou depressão, o que nos faz pensar que é uma subjetividade desumanizada e sofrida. Alguém que deveria trabalhar menos e fazer outras atividades, em vez de viver nesse regime de escravidão.
Mas e se o trabalho é realmente uma grande fonte de prazer? Se a pessoa é movida pela paixão,
Trouxe esse exemplo porque romantizo bastante essa imagem. Realmente gosto dessas loucuras de passar muito tempo em torno de uma única atividade que faça sentido e seja produtiva e prazeirosa para mim. Acho muito bonito, útil e interessante ficar dias e dias envolvido somente com o estágio de vivência, ou com a banda, ou com a história em quadrinhos, com o filme, com a redação de um livro, a leitura de um livro, o kung fu, a greve geral, a perseguição dos baleeiros, enfim. Parece que isso dá um sentido para a vida e uma sensação de integração, e que tudo vai fluir nesse sentido. Mas parece que o trabalho precisa realmente fazer sentido e ser fonte de prazer, senão, esse mesmo regime sem essa motivação seria simplesmente torturante e alienante.
Esses trabalhos que citei exigem a dedicação de corpo e alma, em vez do 'bater ponto' típico da sociedade capitalista. O trabalho enquanto obra de arte exige o ócio e a dedicação apaixonada à obra, que seria o projeto definido pelo próprio artista. Isso, por sua vez, contraria a política do trabalho enquanto obrigação e enquanto necessidade de renda, e se torna atividade lúdica, só que mais séria e com um toque de loucura.
Um toque de Augusto Boal:
"Tenho sincero respeito por aqueles artistas que dedicam suas vidas exclusivamente à sua arte -- é seu direito ou condição! --, mas prefiro aqueles que dedicam sua arte à vida"
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Moderação demais
Pois é, eu tenho algumas idéias bastante fortes e chocantes, e muitas vezes dou uma de moderado e fico de boca fechada para não ofender ou desestabilizar ninguém. É compreensível, porque é muito sábio prever as conseqüências dos seus atos. Mas também é muito sábio atender ao dever de transformar a nossa realidade e trazer a luz, ou informação, aos que vivem na ignorância, sempre espalhando a verdade e as boas idéias. Isso, muitas vezes, significa comprar
uma briga, ou seja, sustentar uma discussão, Além de preparo, também é necessário pique e concentração para isso, e nem sempre eu estou no clima. Mas eu também não posso transformar esse cansaço num hábito, e tenho que mostrar meu espírito de guerreiro, pois só depois do cansaço é que a luta começa, como diria a velha Genkai.Mas e se isso significa que a pessoa vai levar a briga para o lado pessoal e ficar ofendida com o ataque às suas idéias? Por um lado, é preciso ter sensibilidade para não causar um dano emocional na pessoa gratuitamente, só para impor o próprio pensamento, como um sobrinho ateu criticando a religião na frente de sua religiosa vovó sem o mínimo comedimento, como se estivesse falando com amigos ou com acadêmicos. Por outro lado, existe uma tremenda falha na educação na população em geral que se refere ao despreparo para discutir criticamente e pluralisticamente. As pessoas são apegadas à próprias idéias, e se têm a intenção de discutir, devem se desapegar delas, pois podem estar erradas, e provavelmente estarão: ninguém sabe tudo, sempre tem algo a aprender.
Ok, fiz uma linda defesa do espaço acadêmico como um espaço plural e democrático no qual todos são humildes e constroem o conhecimento na maior diversão. Mas nem sempre funciona assim, e muitas vezes as autoridades são as mais apegadas às próprias idéias, o que inviabiliza qualquer discussão razoável. Nesse caso, o que fazer? Por motivos pragmáticos, podemos ficar quietos e fazer de conta que o que o professor diz tem algum sentido, correndo o risco de ouvir o mesmo discurso ideológico repetidas vezes e permitir que os colegas também sejam vítimas dessa lavagem cerebral, a fim de não perder energia discutindo com um gravador que não pensa epistemologicamente e parece não ter capacidade de introspecção. Mas, em defesa da verdade, da democracia e do propósito daquele espaço, torna-se dever comprar essas brigas, por mais infrutíferas que sejam, pois desestabiliza e permite a mudança, e ainda funciona como uma propaganda pelo ato, mostrando o qeu deve ser feito em sala de aula. Se ignorado por estupidez do professor, ao menos os colegas verão o seu martírio e o quão estúpido é o professor. E se o professor ficar ofendido, que peça para sair, pois a academia não é lugar para quem chora por ser criticado.
Mas e fora da academia? Criticar radicalmente só gera inimizade. Bom, aí entram as estratégias de comunicação e como apresentar uma idéia de forma objetiva e não falaciosa, mas ainda assim persuasiva, escohendo bem as palavras e usando um tom suave, com compreensão e empatia. Se a pessoa vai expor suas idéias, por que deveríamos ficar calados? Não poderíamos expor também?
Na aventura do conhecimento, aparecerão muitas barreiras, e devemos ultrapassá-las vigorosamente. Saúde!
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Artigos da Natalie Portman
Title: Frontal lobe activation during object permanence: Data from near-infrared spectroscopy
Author(s): Baird AA, Kagan J, Gaudette T, Walz KA, Hershlag N, Boas DA
Source: NEUROIMAGE 16 (4): 1120-1126 AUG 2002
Document Type: Article
Language: English
Cited References: 24 Times Cited: 23
Abstract: The ability to create and hold a mental schema of an object is one of the milestones in cognitive development. Developmental scientists have named the behavioral manifestation of this competence object permanence. Convergent evidence indicates that frontal lobe maturation plays a critical role in the display of object permanence, but methodological and ethical constrains have made it difficult to collect neurophysiological evidence from awake, behaving infants. Near-infrared spectroscopy provides a noninvasive assessment of changes in oxy- and deoxyhemoglobin and total hemoglobin concentration within a prescribed region. The evidence described in this report reveals that the emergence of object permanence is related to an increase in hemoglobin concentration in frontal cortex.
A Simple Method To Demonstrate the Enzymatic Production of Hydrogen from Sugar
Natalie Hershlag Syosset High School, Syosset, NY 11791
Ian Hurley Department of Obstetrics and Gynecology, North Shore University Hospital, Manhasset, NY 11030
Jonathan Woodward Chemical Technology Division, Oak Ridge National Laboratory, Oak Ridge, TN 37831-6194
October 1998 Vol. 75 No. 10p. 1270
Full Text (PDF)
Abstract
There is current interest in and concern for the development of environmentally friendly bioprocesses whereby biomass and the biodegradable content of municipal wastes can be converted to useful forms of energy. For example, cellulose, a glucose polymer that is the principal component of biomass and paper waste, can be enzymatically degraded to glucose, which can subsequently be converted by fermentation or further enzymatic reaction to fuels such as ethanol or hydrogen. These products represent alternative energy sources to fossil fuels such as oil. Demonstration of the relevant reactions in high-school and undergraduate college laboratories would have value not only in illustrating environmentally friendly biotechnology for the utilization of renewable energy sources, such as cellulosic wastes, but could also be used to teach the principles of enzyme-catalyzed reactions. In the experimental protocol described here, it has been demonstrated that the common sugar glucose can be used to produce hydrogen using two enzymes, glucose dehydrogenase and hydrogenase. No sophisticated or expensive hydrogen detection equipment is required-only a redox dye, benzyl viologen, which turns purple when it is reduced. The color can be detected by a simple colorimeter. Furthermore, it is shown that the renewable resource cellulose, in its soluble derivative from carboxymethylcellulose, as well as aspen-wood waste, is also a source of hydrogen if the enzyme cellulase is included in the reaction mixture.
Ser psicólogo e ser humano normal
Primeiro a gente tem que pensar o porquê essa é uma questão. Essa é uma questão porque a prática em psicologia dentro de um setting terapêutico é considerada distinta da prática de outras profissões, como enfermagem, medicina, docência, odontologia, comércio e vendas, secretariado e outras. Isso porque consideram que ela trata de problemas de uma esfera qualitativamente diferente de todas as outras práticas e profissões: a esfera privada e simbólica do paciente, com seus medos, neuroses, angústias e segredos que não devem ser coletivizados. A partir daí, pensa-se que o contato que o terapeuta e o paciente tenham fora desse cenário profissional seja já uma exposição desses segredos e neuroses do paciente. Essa exposição, além de condenável, comprometeria o vínculo, a transferência e toda a relação terapêutica daí em diante.
Esse é um pressuposto geral em qualquer psicoterapia que se aprende na Universidade. O que não nos ensinam é que esse pressuposto tem uma orientação teórica muito bem rígida: a psicanálise. A teoria psicanalítica supõe que para o bom andamento da terapia, ou análise, como é chamada, é necessário que ocorra a transferência do paciente para o terapeuta, aliada à idealização do terapeuta como detentor de um saber especial sobre seus processos inconscientes. Por isso, perceber o terapeuta em outra situação que não a de análise seria desidealizá-lo, e, portanto, desandar no processo terapêutico/analítico (estou aqui equiparando psicoterapia e análise, mas elas posuem algumas diferenças). Ou seja, reconhecer o terapeuta como um ser humano completo seria improdutivo e disfuncional para a terapia. Isso significa que o terapeuta deve evitar a todo custo que paciente e terapeuta não se encontrem fora da situação de terapia, controlando, vigiando e até reprimindo suas próprias condutas ou exposições, a fim de manter a boa relação de trabalho. Assim, o terapeuta tem medo de que ele seja desidealizado, e o paciente tem medo de que ele seja analisado publicamente ou exposto em seus segredos e associações livres pela conduta do terapeuta em um cenário qualquer. Supondo que a resposta imediata do contato entre a pessoa que é terapeuta e a pessoa que é paciente será a análise e interpretação, obviamente.
É importante deixar claro que essa conduta ética que aprendemos na Universidade deriva já de uma posição teórica, que é importante que seja questionada e que nos sintamos livres para pensar outras formas de encarar essa situação-problema. Um amigo meu das Ciências Socias da USP me inspirou a essa reflexão e crítica ao contar como na sua faculdade existe um tabu em relação a expor a própria posição política em sala de aula por parte do corpo docente. A justificativa é que expor a sua posição política é ser ideológico, em vez de técnico, o que seria uma falta de profissionalismo. Esse é um pressuposto weberiano, de que deve-se burocratizar e impessoalizar as relações profissionais, a fim de que sejam funcionais e ideais, e que todos seguem, independente de serem weberianos, marxistas ou pós-modernos, simplesmente por não investigarem epistemologicamente suas próprias condutas. Essa suposição difere radicalmente da do paradigma marxista, por exemplo, na qual docência e militância fazem parte de um mesmo processo, a práxis, que consiste na ação consciente voltada para a construção de uma sociedade sem classes. No entanto, como eu disse, até esses marxistas são, no âmago do seu ser, weberianos.
O mesmo acontece com os não-psicanalistas, que também se esforçam por manter a relação terapeuta-paciente o mais distante possível de uma relação humana normal e saudável. Vimos que existe uma justificativa teórica e um propósito técnico para essa conduta, mas também existe um propósito ideológico. O Alfredo Moffat mostra o comprometimento ideológico desta prática dos terapeutas com a disseminação dos valores burgueses, de distância, frieza, troca comercial e etiqueta, que são contrastadas com o que ele considerou as condutas proletárias, que envolvem piadas, toques corporais, conversas calorosas e irreverência, e como esse comprometimento ideológico da terapia é naturalizado, e justificado teoricamente como demonstrei anteriormente.
No entanto, com a maravilhosa experiência que tive em São Lourenço do Sul, onde a Reforma Psiquiátrica está bem implementada e existe uma postura bastante peculiar entre os profissionais da saúde mental dessa cidade, pude ver que existem diferentes formas de ser profissional e ser humano, e que é possível ter uma relação descontraída com um paciente, e até brincar com ele na rua ou encontrá-lo numa festa, sem perder o saber/poder tão querido aos profissionais. É possível até mesmo segurá-los ou abraçá-los, sem que eles simbolizem ou associem com experiências traumáticas de um Complexo de Édipo mal-resolvido. Envolve também colocar os profissionais psi no mesmo status que outros profissionais da equipe de saúde, que também ouvem os pacientes e sabem sobre eles, e que se envolvem da mesma maneira. Claro, existem condutas específicas do psicólogo, referentes a escuta clínica e a alguns pontos do 'Código de Ética', mas isso não significa que o psicólogo tenha um status e um campo de atuação qualitativamente diferente de todos os outros, como se fosse o único a conhecer a psique do indivíduo, e isso lhe trouxesse um tipo diferente de poder e fardo.
Penso também que é mais importante ser humano e ser competente tecnicamente do que ser idealizado, por causa dos valores que sigo, que são bem diferentes de uma defesa da imagem. Se um dia o paciente ver o seu terapeuta com um namorado na praça, qual é o problema? O terapeuta não pode namorar? O paciente não suporta que ele seja gay? O paciente se sentiu ignorado pelo terapeuta? Longe de ter que reprimir seus desejos e estereoripar suas condutas a fim de preservar uma imagem para o paciente, considero dever do terapeuta expressar-se de forma sincera e saber trabalhar questões como essa com o paciente. Estudamos por muito tempo a importância de se respeitar e tolerar as diferentes subjetividades, e considero que isso nos torna competentes para trabalharmos essas questões caso nossos pacientes não se mostrem tão tolerantes às diferentes subjetividades. Terapeuta tem direito de ser humano, e se o paciente fica complexado por essas coisas, precisa mesmo é trabalhar isso em terapia. É dever do terapeuta tomar a dianteira na defesa da singularidade no cotidiano, e não só no campo teórico ou do discurso, em vez de ajudar a neurotizar o paciente.