Pois é, eu tenho algumas idéias bastante fortes e chocantes, e muitas vezes dou uma de moderado e fico de boca fechada para não ofender ou desestabilizar ninguém. É compreensível, porque é muito sábio prever as conseqüências dos seus atos. Mas também é muito sábio atender ao dever de transformar a nossa realidade e trazer a luz, ou informação, aos que vivem na ignorância, sempre espalhando a verdade e as boas idéias. Isso, muitas vezes, significa comprar
uma briga, ou seja, sustentar uma discussão, Além de preparo, também é necessário pique e concentração para isso, e nem sempre eu estou no clima. Mas eu também não posso transformar esse cansaço num hábito, e tenho que mostrar meu espírito de guerreiro, pois só depois do cansaço é que a luta começa, como diria a velha Genkai.Mas e se isso significa que a pessoa vai levar a briga para o lado pessoal e ficar ofendida com o ataque às suas idéias? Por um lado, é preciso ter sensibilidade para não causar um dano emocional na pessoa gratuitamente, só para impor o próprio pensamento, como um sobrinho ateu criticando a religião na frente de sua religiosa vovó sem o mínimo comedimento, como se estivesse falando com amigos ou com acadêmicos. Por outro lado, existe uma tremenda falha na educação na população em geral que se refere ao despreparo para discutir criticamente e pluralisticamente. As pessoas são apegadas à próprias idéias, e se têm a intenção de discutir, devem se desapegar delas, pois podem estar erradas, e provavelmente estarão: ninguém sabe tudo, sempre tem algo a aprender.
Ok, fiz uma linda defesa do espaço acadêmico como um espaço plural e democrático no qual todos são humildes e constroem o conhecimento na maior diversão. Mas nem sempre funciona assim, e muitas vezes as autoridades são as mais apegadas às próprias idéias, o que inviabiliza qualquer discussão razoável. Nesse caso, o que fazer? Por motivos pragmáticos, podemos ficar quietos e fazer de conta que o que o professor diz tem algum sentido, correndo o risco de ouvir o mesmo discurso ideológico repetidas vezes e permitir que os colegas também sejam vítimas dessa lavagem cerebral, a fim de não perder energia discutindo com um gravador que não pensa epistemologicamente e parece não ter capacidade de introspecção. Mas, em defesa da verdade, da democracia e do propósito daquele espaço, torna-se dever comprar essas brigas, por mais infrutíferas que sejam, pois desestabiliza e permite a mudança, e ainda funciona como uma propaganda pelo ato, mostrando o qeu deve ser feito em sala de aula. Se ignorado por estupidez do professor, ao menos os colegas verão o seu martírio e o quão estúpido é o professor. E se o professor ficar ofendido, que peça para sair, pois a academia não é lugar para quem chora por ser criticado.
Mas e fora da academia? Criticar radicalmente só gera inimizade. Bom, aí entram as estratégias de comunicação e como apresentar uma idéia de forma objetiva e não falaciosa, mas ainda assim persuasiva, escohendo bem as palavras e usando um tom suave, com compreensão e empatia. Se a pessoa vai expor suas idéias, por que deveríamos ficar calados? Não poderíamos expor também?
Na aventura do conhecimento, aparecerão muitas barreiras, e devemos ultrapassá-las vigorosamente. Saúde!
"pois só depois do cansaço é que a luta começa, como diria a velha Genkai"
ResponderExcluirCara, eu SEMPRE me lembro dessa frase. Muito marcante.
Obrigado pelo crédito do pensamento sobre discordar em sala de aula! HEAHEHAHEAHE
Estou brincando.
Mas é isso aí. Como eu sempre digo, temos que abrir a boca. Vamos chacoalhar o povo.
XDDDDDDDDDDDDD
ResponderExcluirEu não coloquei pra não ficar citando nomes, mas obviamente que foi inspirado na tua fala.
Essa frase da Genkai é realmente inspiradora. Eu sempre lembro dela surrando o Yusuke durante o treino e fico pensando que eu sou um frouxo por não conseguir fazer 100 flexões seguidas ou alguma demência do gênero.
ResponderExcluirEm todo caso, gostei do post. Conheço bem a situação de expressar uma opinião divergente do senso comum e levar pedrada por isso. Admito que eu poderia ter me expressado melhor em todas as vezes que apanhei, mas não acho que isto justifique os ataques - primeiro por que quando não entendo um argumento, peço para que expliquem. E isso vai acontecer bastante, se você for honesto para admitir que não é capaz de entender tudo na primeira vez que lê ou ouve.
Curiosamente, o xingamento que eu mais tive que agüentar foi "reacionário".
Bah... muito bom!!!
ResponderExcluirO Bruno tocou numa questão realmente importante e muito presente na Academia e fora dela.
Nas aulas de Ética que estamos tendo nesse semestre, até tenho visto o pessoal falar, mas pode melhorar. Concordo muito com vocês: é triste ver que as pessoas se apegam às idéias de uma maneira tão doentia! Que isso sirva de alerta sempre não só àqueles que pensamos estar criticando quando escrevemos sobre isso, mas primeiramente a nós mesmos.