sábado, 26 de junho de 2010

Sobre a arte de escrever

Houve tempos nos quais já fui mais produtivo textualmente. Algumas pessoas sentem saudades dessa era de ouro, na qual eu lançava provoações intelectuais blogosfera afora - outras agradecem aos céus por eu parar de escrever heresias e, ainda por cima, com erros de digitação. Hoje, em função de algumas mudanças nas minhas obrigações acadêmicas e em meu estilo de vida, tenho dedicado pouco tempo à escrita e mais tempo às atividades sociais. Fez muito sentido quando eu decidi isso, mas estou em vias de voltar a escrever bastante. É algo importante para mim, ajuda a organizar as idéias e a ser mais criativo, e ainda faz eu me sentir produtivo. No entanto, minha escrita não está fluída como era antes.
Parece que eu não sei a quem endereçar. Não sei as expectativas quanto ao meu texto, muito menos como respondê-las. Tenho a sensação de ficar tentando imaginar o texto completinho, fechadinho, e não consigo começar, pois não quero escrever em vão. E aí está o meu erro. Ao escrever, é como conversar- nós usamos além do necessário do vocabulário para nos fazer entender. É como a mente funciona: organizamos nossas próprias idéias com imagens e palavras-chave(garota-bonita-iniciativa) - tentamos ser o mais econômicos e sintéricos possível - , mas, para expressarmos nossas idéias para outros, precisamos ser prolixos e analíticos, pois precisamos inferir o qeu exatamente o outro sabe e o que não sabe, e contextualizar adequadamente.
Por isso, ao escrever, não podemos simplesmente imprimir nossas idéias no papel, pois na nossa cabeçaas idéias são exageradamente esquematizadas, e não fazem sentido a um interlocutor. Precisamos, isso sim, imaginar que estamos conversando com outro - explicando, argumentando, informando, respondendo, inferindo respostas. Esse é o segredo de uma boa escrita: ela não é um um esquema, mas um diálogo.

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