terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Direitos da Criança e sustentabilidade


Nos últimos anos os Direitos da Criança e do Adolescente, como linha de pensamento baseada nos Direitos Humanos, mas com suas especificidades de um período peculiar de desenvolvimento humano, vem se tornando cada vez mais expressivo e assumindo força de lei. A defesa do desenvolvimento pleno vem se tornando cada vez mais ampla e exigente, transcendendo necessidades mais evidentes e formais, como o direito à alimentação, à integridade física e à educação escolar, e tocando em aspectos mais sutis e necessidades psicológicas, como o direito ao respeito, ao carinho e à estimulação cognitiva em casa. Atualmente, é possível classifcar como negligência o fato da criança ser obesa ou não ter acesso a um computador, e como abuso emocional rotular a criança, exigir que ela assume um papel de gênero estereotipado (tipo, boys don't cry) ou ensinar visões de mundo racistas, sexistas ou xenófobas ou baseadas no ódio e inteolerância a outros grupos. Ou seja, cada vez mais estamos mais exigentes com a forma como cuidamos de nossas crianças, e queremos que todos se desenvolvam plenamente - e, para isso, queremos estimulá-las a serem alegres, autoconfiantes, inteligentes, gentis, pacíficas e tolerantes.
Mas e quanto a sustentabilidade? Há meio século estamos tentando promover uma adequada educação ambiental(o que quer que isso seja) para a população - e temos tradicionalmente focado na educação ambiental infantil, lembrando daquela concepção das crianças como o futuro do planeta e aqueles que herdarão a Terra e sofrerão com o nosso descuido. Não é difícil constatar que as novas gerações são muito mais conscientes a respeito da falta de sustentabilidade de nossa civilização do que gerações anteriores. No entanto, parece que aidna há muitas crianças e adolescentes crescendo sem uma preocupação ambiental, e seguindo um modo de vida consumista baseado na filosofia do "american way of life". O que aconteceu de errado na história toda? Usualmente, se atribui essa permanência de um modo de vida consumista e inconseqüente a um termo vago chamado cultura, mas o principal determinante para este modo de vida foram a educação e os exemplos recebidos na infância e adolescência - o que quer dizer que as pessoas próximas não forma bons exemplos de sustentabilidade e não se preocuparam em ensinar isso às crianças. Nâo seria isso uma forma de negligência?
Talvez no futuro, com os Direitos da Criança e do Adolescente ainda mais consolidados, com uma realização maior da proteção nesses direitos mais clássicos como à higiene ou à integridade física, e a uma maior preocupação com a sustentabilidade por parte da sociedade em geral e especialmente dos law-makers e law-enforcers dos Direitos da Criança e do Adolescente, seja entendida e aplicada como lei a exigência ao ensino de práticas sustentáveis, pautadas na frugalidade, na simplicidade, no reaproveitamento, na reciclagem e na gestão consciente dos recursos ambientais.

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