sábado, 29 de novembro de 2008

Cultura japonesa e salve as baleias

Hoje ocorreu um festival em homenagem à cultura japonesa aqui em minha cidade, com banquinhas de yakissoba, mangás, katanas, adesivos de kanjis e outro ícones da cultura pop japonesa aqui no ocidente que todo mundo quer comprar. Inicialmente, eu não tinha muita clareza da natureza do evento, mas eu estava com uma enorme vontade de ir com uma camiseta escrito "Salvem as Baleias", num tom de crítica ácida, descontraída e debochada a uma das práticas japonesas mais repugnantes na atualidade, certamente a mais visível (ninguém sabe do suicídio dos jovens, da cultura pedófila, da erotização da violência, do culto ao militarismo e ao nacionalismo e da exploração do trabalho estrangeiro). O Japão, a Noruega e a Islândia, são os únicos países do mundo engajados na matança de baleias, embora tenham comprado votos de 34 colônias tardiamente emancipadas, quase equilibrando as decisões na Comissão Baleeira Internacional. Só pra se ter uma noção:

Contra caça: Argentina, Australia, Austria, Béligica, Brasil, Chile, Costa Rica, Croácia, Ciprus, Republica Tcheca, Equador, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Guatemala, Hungria, India, Irlanda, Israel, Itália, Luxemburgo, Mexico, Monaco, Holanda, Nova Zelandia, Panamá, Peru, Portugal, Romenia, San Marino, Republica Eslovenia, África do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido, Uruguai e Estados UNidos.

A favor da caça: Antigua e Barbuda, Benin, Camboja, Camarões, China, Congo, Costa do Marfim, Republica Dominicana, Eritrea, Gabão, Gambia, Guine-Bissau, Nova Guine, Islandia, Japão, Kiribati, Corea, Laos, Mali, Ilhas Marshal, Mauritania, MOngolia, Marrocos, Nauru, Noruega, Palau, Russia, St Kittis e Nevis, St Lucia, St Vicent e Grenadines, Senagal, Ilhas Salomão, Suriname, Tanzania, Togo e Tuvalu.



Isso é uma cretinice desgraçada por parte do governo japônes, impondo sua economia assassina e sua ideologia tradicionalista de exploração dos mares e acúmulo de riquezas, e isso passa pela cultura japonesa, porque lá eles apóiam isso e compram isso, assim como aqui no Brasil os cidadãos de bem compram armas e apóiam a execução de jovens pobres com histórico de conflito com a lei encarcerados (vulgo, bandidos). E isso tem que ficar claro. Nenhuma cultura é perfeita ou impecável, todas têm práticas morais muito questionáveis, e nós como cosmopolitas e multiculturalistas devemos ter isso bem claro. Devemos aceitar a diversidade e reconhecer a beleza de cada cultura, mas a violência não deve ser relativizada por causa da origem da ação, se é japonesa, brasileira ou boliviana. Eu gosto muito de mangá e de toda a sensibilidade envolvida com essa produção - e o mangá é o mais potente veículo difusor da cultura japonesa. Mas eu não vou aceitar tudo que vem do Japão como lindo, maravilhoso e sábio - se eles matam baleias, eu vou me colocar contra.
Assim, se eu tivesse uma camiseta dessas, eu teria ido muito feliz realizar a inha intervenção silenciosa no evento da homenagem à cultura japonesa. Possivelmente, passaria despercebido, pois nem todos estão antenados quanto a essas questões políticas. Quem ler, vai concordar e vai achar bonitinho. Quem entender, ou vai se conscientizar de que é necessário esse espírito crítico, que nem tudo que vem da cultura que a gente acha mágica é bom per se, ou vai se sentir muito incomodado pelo questionamento à sua cultura. Mas eu ficaria muito feliz de incomodar qualquer tradicionalista cabeça-oca que apoiasse a matança de baleias, e gostaria muito de ver a tentativa fracassada dele de me repreender e me questionar. Se a pessoa é intolerante a qualquer expressão silenciosa de uma posição política, e ainda apóia a matança de baleias, tem mais é que se sentir incomodado, e eu tenho o dever de por isso em evidência.
Só para terem uma idéia da perversidade e falaciosidade da indústria baleeira japonesa, aqui vai uma propaganda feita para o exterior sobre Anti-anti-whaling.

Nenhum comentário:

Postar um comentário