quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

School's Out: autodidatismo e filosofia da educação

Well, we got no choice
All the girls and boys
Makin' all that noise
'Cause they found new toys
Well, we can't salute ya
Can't find a flag
If that don't suit ya
That's a drag
School's out for summer
School's out forever
School's been blown to pieces
No more pencils
No more books
No more teacher's dirty looks
Well, we got no class
And we got no principles
And we got no innocence
We can't even think of a word that rhymes
School's out for summer
School's out forever
School's been blown to pieces
No more pencils
No more books
No more teacher's dirty looks
Out for summer
Until fall
We might not go back at all
School's out forever
School's out for summer
School's out with fever
School's out completely

Ultimamente eu ando pensando bastante em educação. Na verdade, eu tive um semestre inteiro de Psicologia Escolar e trabalho há dois anos em uma pesquisa sobre aprendizagem em sala de aula. E agora eu estou de férias, o que me faz pensar o quão importante é a faculdade para o meu aprendizado, e a conclusão que eu cheguei é: muito pouco.
Deixa eu explicar melhor. Não é que eu tenha alguma dificuldade para aprender, ou que os professores sejam extremamente incompetentes, ou que o material oferecido seja fraco. Muito pelo contrário, o material oferecido pela universidade é algo fantástico. É justamente por isso que as aulas contribuem muito pouco. Os livros, polígrafos e a internet oferecem todo o material necessário, e as discussões com os colegas superam muitas das aulas em construção do conhecimento.
Por que isso?
Durante toda a minha vida, e ainda mais acentuadamente na faculdade, sempre apresentei traços de autodidatismo. Estudava matérias por iniciativa própria, de assuntos que me interesassem, e acabva por dominar bem esses assuntos. Ainda mais na faculdade, na qual nós somos praticamente coagidos a sermos autodidatas a fim de darmos conta do conheciemnto necessário para se tornar um bom profissional, o que exige cada vez mais com o aumento da competição. O que significa que cada um direciona o seu estudo como preferir, com seus próprios métodos e no ritmo e intensidade que quiser. Tanto é que a faculdade, muitas vezes, não cobra sequer a presença em aula, incentivando o auto-direcionamento do aprendizado, o que é bem diferente do que acontece na escola. E o conhecimento qeu adquirimos na faculdade é muito superior ao que nos ensinam no colégio.
Como autodidatismo eu não quero dizer que é alguém que não necessita de professores, pois isso faz parecer que o autodidatismo é um dom ou privilégio dos mais brilhantes. Autodidatismo é ser senhor de seu próprio aprendizado, como eu disse, determinando o conteúdo, o método, o horário e o ritmo do seu estudo.
Esse processo se opõe à toda a nossa educação vigente, centrada em torno do professor detentor do saber e do poder político, hierarquizada, com matérias, métodos e ritmos impostos por um currículo determinado para toda a nação, do tipo "one size fits all", com conteúdo alienados entre eles, sem nenhuma integração, e alienados também das realidades de interesses de cada indivíduo, que jamais poderiam ser conciliada com uma educação hierarquizada, generalizada e obrigatória. Essa crítica ao currículo também é feita pelos autores pós-modernos, mas, diferentemente deles, eu não me oponho às disciplinas científicas encaixotadinhas através de um armazenamento sistemático do conhecimento. Isso pra mim tá legal desse jeito, bem organizado e epistemologicamente claro, o meu problema é com a escolha arbitrária dessas disciplinas que é imposta na escola.
O ensino centrado no aluno, de bases construtivistas, com toda a sua mítica de educação progressista também não me parece o ideal. Não é o ideal pois a instituição escola, com toda a sau hierarquia e divisão do tempo e do espaço continua, e essa tentativa de fazer o aluno buscar dentro de si uma resposta para um problema que não foi ele que inventou expõe o aluno e gera constrangimento. Tambéz estimula uma valorização do senso-comum que não considero muito positiva, pois pode tornar o conhecimento inerte e inibir a busca da verdade ou de visões contrárias à sua. Também continua, da mesma forma, tentando fazer todos aprenderem aquelas mesmas coisas, embora com um método diferente, e ainda se torna mais problemático o problema da avaliação, de como se certificar de que o aluno realmente aprendeu algo se ele aprendia o que lhe interessasse dentro de um currículo imposto e sendo forçado a ir a escola.
Outros problemas institucionais da escola, muito bem expostos no Vigiar e Punir, do Michel Foucault, também seriam resolvidos com uma educação autodidática. Cada indivíduo é diferente, tem ritmos biológicos diferentes, de fome, sono, desejo sexual, curiosidade, e impor um mesmo tempo para todos, como "o horário do aprendizado", não é muito produtivo. Muitos alunso não estão dispostos a aprender nesse momento as coisas que lhes ensinam, e preferiam estar fazendo outras coisas. O que leva eles a não aprenderem, ou, ainda pior, nunca pensarem que eles têm vontade de aprender, pois aprendizado se torna iguala ensino escolar. Essa racionalização que entorpece a curiosidade é muito prejudicial, emocionalmente e cognitivamente.
A avaliação também gera muita frustração, detona com a auto-estima dos indivíduos, faz eles odiarem o que a instituição escolar representa, e desperdiça um tempo que poderia estar sendo usado para cada um estudar o que gosta e se aprimorar no que gosta. Ela se mantéem com o discurso ideológico de que é precisa se certificar que o indivíduo está qualificado, ams como Foucault descreveu, ela é na verdade um instrumento de controle que coage o indivíduo a obedecer ao que lhe é impsoto, no caso, o currículo. Numa educação autodidática, o interesse do indivíduo faria com que ele se aprofundasse cada vez mais no assunto, ou em outros, e o fato de ser uma educação auto-determinada, o indivíduo se apropriaria completamente do que ele próprio escolheu aprender.
Ninguém deve desperdiçar o seu potencial fazendo e estudando coisas que não quer, e isso é evitado com uam educação autodidática. Claro, também seria possível explorar essas potencialidades se existissem infinitos escâneres de talentos e interesses e treinadores paropriados à disposição. Mas o autodidatismo é mais prático e evita eventuais problemas de uma instrução autoritária.
Isso não significa também que isso seja uma educação "cada um por si", na qual ninguém teria ajuda para aprender por medo de ter que extrair conhecimento de alguém que sabe mais de alguma coisa. Pelo contrário, como é uma educação determinado pelo próprio interesse do indivíduo, ele pode querer buscar alguém para lhe ensinar alguma técnica ou teoria. Se não pudesse, sequer seria possível se reunir com amigos, pois acabriam surgindo assuntos que interessam e todos acabariam aprendendo alguma coisa nova. Chamarei este aspecto da educação na qual existem mais pessoas evolvidas de ágora, para significar que é um espaço aberto ao aprendizado, à crítica e à discussão na qual cada indivíduo tem a sua própria carga de conhecimento e questionamentos e há uma livre troca destes. Evidentemente que surgirão muitos especialistas em muitos assuntos nos quais se dedicaram, mas eles serão uma autoridade apenas do ponto de vista da sabedoria, e não autoridades políticas. Isso possibilita também que as pessoas se reúnam espontaneamente em volta de uma única pessoa mais sábia e que ela discurse por um longo período, mantendo a liberdade de que o público se manifeste e questione, sem que se crie um sistema hierarquizado de transmissão do conhecimento, pois cada um aproveitará da 'palestra' o que lhe convém.
Importante diferenciar também o autodidatismo da educação em casa (homeschooling), que está muito envolvida com a ideologia dos valores da família e da religião, e inibe muito da interação e do conhecimento de diversos pontos de vista, o que é evitado se a educação parte do interesse do indivíduo.
Mas é muito importante, para o autodidatismo, que as pessoas não sejam jogadas de qualquer jeito ou fiquem confinadas em casa. Deve, na realidade, oferecer um ambiente muito rico e variado e a possibilidade de muita interação social para todos, a fim de que se tenham iguais oportunidades e cada um possa explorar livremente seus interesse e potenciais e se aprofundar no que quiser. Isso também faz com que depois as pessoas se tornem profissionais muito mais qualificados e interessados, habilitados no que eles se dedicam.
Para implantar uma educação assim em toda a soceidade nos depararíamos com alguns problemas práticas, como o oferecimento de um ambiente adequado ao aprendizado para as camadas mais pobres e o que fazer com todos os professores de escola, se a proposta é prescindir da escola. Isso cai em questões de economia, que eu não tenho tanto domínio assim. Mas imagino que seria preciso disponibilizar bibliotecas públcias boas e seguras, ginásios de esporte e academais de artes por toda a cidade, e livros variados e computadores para famílais mais pobres, num primeiro momento. Só qeu a proposta final é que TODOS tenham um ambiente rico e diversificado, e já que temos um Estado, que ele faça isso.
Quanto aos professores, dissolvendo a escola e libertando-os do currículo, seria possível transformá-los em pesquisadores e estudiosos do que eles quiserem, pois eles certamente não tinham um interesse por todo o currículo do MEC e por todos os alunos sem dedicação. Assim eles ganham bolsas de pesquisa e formam grupos de estudos abertos a indivíduos de todas as idades itneressados nas mesmas coisas (o problema do salário é o mais difícil de resolver sempre, tanto é que eu que sou contra a existência de um Estado estou sugerindo uma economia baseada no Estado, de tão difícil que é pensar sobre isso).
Muitos argumentam a favor da escola dizendo que ela é também um espaço de convívio social diversificado, mas na verdade as escolas costumam ser ocupadas por um determinada classe social e permanece a ideologia dominante. Além disso, é um ambiente competitivo, estressor, excludente, cheio de gente fútil e violência entre pares, que pune muitos comportamentos e desvaloriza os talentos das pessoas. Eu fiz muitos amigos maravilhosos na escola, mas também passei por muitos péssimos momentos, e imagino que se não existisse a escola teríamos nos conhecido num grupo de estudos, num show, num parque, pois tmeos interesses em comum e essa cidade é uma ervilha.
Critiquem à vontade, e quem quiser pesquise sobre benefícios do autodidatismo, que tem já achados consideráveis de seus benefícios.
http://en.wikipedia.org/wiki/Unschooling
http://en.wikipedia.org/wiki/Autodidactism
We dont need no education.
We dont need no thought control.
No dark sarcasm in the classroom.
Teacher, leave those kids alone.
Hey, teacher, leave those kids alone!
All in all its just another brick in the wall.
All in all youre just another brick in the wall.
"I have never let my schooling interfere with my education."
Mark Twain

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