domingo, 16 de agosto de 2009

Anarquismo x Comunismo

A: Eu considero que 'deseducativo' é um dos melhores elogios que alguém pode receber. Só pessoas realmente suversivas, como anarquistas, ateus, feministas ou vegetarianos, merecem esse título.
C: Vegetarianos, pft.
A: Tu acha que existe algo mais deseducativo que um vegetariano? Um vegetariano pode dizer para uma criança 'sabe do que é feito o presunto?'.
C: Um comunista.
A: Um anarquista é pior.
C: Um anarquista é sempre pior.
A: No futuro, eu vou dizer para o teu filho 'sabia que tu não precisa de um Estado para viver bem?'
C: Eu vou dizer isso também, só que vou dizer que pra isso ele precisa construir outro. Quero ver tu dizer pra esse gurizinho aqui (3a) que ele não precisa de Estado.
A: Ah...(hesita). Ele ainda não sabe o que é um Estado...
C: Viu? Mas eu posso oferecer a ele a ter seu próprio exército revolucionário de vanguarda do proletariado, e ele vai gostar. Ele está inserido no sistema, e precisamso usar as ferramentas do sistema para convencê-lo.
A: Eu posso dar a ele uma bandeira preta que pode destruir qualquer coisa.
C: E se eu pintar a bandeira de vermelho?

Continua...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Em vias de um Dicionário Filosófico

Inspirado pelo lviro de Voltaire chamado Diconário Filosófico, no qual ele disserta levemente sobre diversos conceitos, como Deus, justiça ou Humanidade, decidi construir um desse para mim também. Apesar de isso ser uma excelente possibilidade de expor minhas idéias e tentar cosntruir um corpo teórico-filosófico talvez interessante, a principal razão para que eu faça um empreendimento desses é tentar esclarecer para mim mesmo essas idéias que usamos no nosso dia-a-dia, e que são muitas vezes vagas e subjetivas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Deus, o Universo e a Doce Ironia





Você já teve aquela sensação de que, as coisas, os eventos da vida, se arranjam de alguma forma que parecem se adequar perfeitamente à você e à narrativa de sua própria história, para o bem ou para o mal, de um jeito que parece que forças cósmicas maiores sabem o que você quer e falam sobre isso? Imagino que sim, pois por todo o globo as pessoas têm sentimentos religiosos o a sensação de um poder maior. Teólogos por toda a História cogitaram a existência de Deus, e filósofos existencialistas pelo século XX cogitaram a falta de sentido inerente e o Absurdo que a vida pode parecer.
Um dos insights mais interessantes dos existencialistas foi postular a ausência de um sentido para a vida imposto externamente, por Deus ou Monstro de Espaguete Voador, e que na verdade o sentido da vida é uma criação humana e individual. No entanto, o Universo continua operando de forma misteriosa e, às vezes, irônica. Neste ensaio, quero expor a negligência de todos os filósofos, teólogos, intelectuais e cientistas quanto ao aspecto irônico do funcionamento do Universo. E digo mais, este é o aspecto fundamental.
Outros pensaram já na onisciência, na benevolência, na ilusão diabólica ou no Absurdo como aspectos essenciais da realidade. Mas como Deus não é bom, porque permite a maldade no mundo, e isto não é uma ilusão cartesiana, pois ele se revela concreto toda vez que tentamos conhecê-lo, estas não são propriedade essenciais do Universo, Já a ironia é. As coisas sempre terminam de um jeito irônico.
Existem duas hipóteses principais para explicar a ironia: uma como propriedade essencial e inerente ao Universo, e outra como propriedade essencial mas construída, como um sentido humano e cultural, sobre o que acontece. Mas estas se perdem em especulações metafísicas. O que temos de dado empírico é que a ironia acontece, e é o mecanismo regulador do Universo e da vida humana.
Agora, temos também outra grande discussão sobre a natureza da ironia, se é doce ou amarga. Esta discussão é semelhante à discussão sobre se a Natureza é boa ou má, e que na verdade, não é muito produtiva. Isto porque, na verdade, trata-se apenas de um julgamento subjetivo, que depende da forma com se aborda a Ironia. Explico: se o que rege o mundo é a Amarga Ironia, seus efeitos trarão sentimento de confusão e de algo foi armado cosmicamente, e alguém sairá atordoado com isso. Mas, se o que existe é a Doce Ironia, seus efeitos trarão sentimento de confusão e de algo foi armado cosmicamente, e alguém sairá atordoado com isso. Exatamente a mesma coisa. Porque se trata apenas de uma diferença na abordagem. Isto porque, enquanto o título de Amarga Ironia é real, o de Doce Ironia é sarcástico. Isso implica que, para alcançar o conhecimento sobre o funcionamento da Doce Ironia, é necessário utilizar, como ferramenta epistemológica, outra forma de linguagem retórica, irmã da ironia: o sarcasmo.
Conclusão: Deus não existe, o Universo funciona de forma irônica, e só se compreende isso pelo sarcasmo. Espero que, com tudo explicadinho, tenha entendido a lição e parado de se perguntar sobre Deus ou o sentido da vida.

domingo, 19 de abril de 2009

Arte, Quadrinhos e Revolução



Desde muito novo sou fã de histórias em quadrinhos, tendo investido muitas tardes lendo, relendo, desenhando e filosofando sobre qualquer chama que me inspirasse qualquer uma das obras que eu lia. Embora eu não seja o tipo clássico de fã, que coleciona revistas, bonecos e freqüenta todos os eventos - em razão das limitações financeiras - eu incorporei o gosto pelas artes gráficas, que é um de meus hobbies preferidos, e a leitura do mundo como uma aventura heróica, na qual o nosso propósito de vida é salvar o mundo. As questões éticas e existenciais do mundo dos super-heróis me guiam tanto que é a partir destes conceitos que penso meus estudos, meu trabalho, minha carreira científica, minhas práticas psi, e agora, também, minhas artes. Como disse sabiamente Tio Ben, grandes poderes trazem grandes responsabilidades, e se somos brilhantes, talentosos, fortes, corajosos, saudáveis, criativos ou poéticos, devemos direcionar nossas potencialidades para fins heróicos, e não meramente para sobrevivência, passatempo ou diversão.
Mas como fazer uma arte que não é mero divertimento? Este questionamento tem cerca de um século de existência e ainda não se chegou onde queria. Tivemos várias experiências de artes engajadas, como a propart soviética, o construtivismo soviético, o teatro brechtiano, o teatro do oprimido, teatro de guerrilha, e outros. Todo movimento estético tem uma proposta de impacto na sociedade - contudo, nem todos inspiram à ação heróica ou revolucionária, a exemplo da arte abstrata que inspira a mera contemplação e abstração sem fundamento e afasta as classes populares do saber artístico.
Como ação heróica e revolucionária, eu quero dizer toda ação que transforme as condições concretas de existência de indivíduos ou comunidades de forma a construir uma sociedade justa, igualitária, pacífica e livre, empoderando indivíduos e comunidades e inspirando valores de paz e justiça. Não chamo simplesmente de ação heróica, pois poderia perder o caráter de transformação social, e ficar relegado a um mero salvacionismo - e também não é simpelsmente ação revolucionária, pois não se trata de combater o macropoder e transformar a estrutura política como fim último, mas sim transformar a vida das pessoas próximas, prescindindo do macropoder.
Como alcançar este tipo de transformação através das artes gráficas, principalmente os quadrinhos? Tradicionalmente, os quadrinhos são produtos mercadológicos inseridos na cultura de massas, e atualmente difundem as duas culturas capitalistas mais poderosas do mundo - EUA e Japão. Sua cultura então é uma cultura das classes de poder aquisitvo elevedo, uma cultura do consumo e uma cultura de massa. Será podssível que, mesmo com essas configurações estruturais, as histórias em quadrinhos inspirem a conduta heróica?
Matt Morris e Gelson Weschenfelder sustentam que sim, e a minha experiência pessoal sugere isso também. COntudo, quero por este discurso em dúvida. Em Teatro do Oprimido e Poéticas Públicas, Augusto Boal traça uma evolução histórica da estrtuura do teatro, desde o teatro acatártico aristotélico, direcionado para a expressão emocional e alívio da tensão, passando pelo teatro dialético brechtiano, de fundamento marxista, voltado para a conscientzação do homem da era científica, até à crítica feita por Boal a esses teatros como teatros do espetáculo, a à sua proposta de um tearto para ação, um teatro como ensaio para a ação revolucionária. Eu me pergunta em qual destas classificações o mangá ou a HQ se enquadrariam. Será que os quadrinhso realmente fornecem ferramentas para a revolução, ou estão relegados a um papel puramente emocional ou de entretenimento. Considerando a semelhança do uso da fantasia nos mangás e nas histórias fantásticas épicas medievais, que transportam o espectador para um outro mundo, com uma estrutura social totalmente diferente e sem menção às formas de opressão atuais, e o comportamento passivo e apático de grande parte dos cidadãos, mais engajados no consumo e na cultura dos ídolos do que na transformação social, estou inclinado a entender que os quadrinhos, por alguma razão que ainda não compreendo, não estão estimulando os jovens ao heroísmo, senão inibindo-os e relegando-os a um papel de observador.
Por outro lado, ser super-herói é um sonho de vida comum entre os fãs de quadrinhos, ainda na infância. Porém, é mais fácil encontrar um fã apaixonado pelo Seiya do que alguém que sustente o sonho de se tornar super-herói na idade adulta. O que acontece nesse meio tempo que acaba com o sonho? Talvez exista uma cultura reacionária, que tem mais poder sobre os adultos, que incentive-os à conformidade e renegue o passado heroicamente inspirado desses indivíduos, que acabam por se submeter em função de necessidades mais básicas, como sustento ou inserção social.
Então, precisa ser criada uma cultura dos quadrinhos forte o suficiente para reagir à conformidade social. Ela precisa mostrar como é possível manter o sonho de ser super-herói, e como concretizá-lo no mundo real. Ela precisa ter um caráter pedagógico de exposição da conduta heróica e de instrumentalização ética, estratégica e comportamental, que incite diretamente à ação, em vez de meramente à fantasia ou à emoção. Ela precisa abordar so temas feliosóficas tão caros às histórias de super-heróis. E, o que parece mais difícil, ela precisa superar o seu caráter classista e de bem de consumo, tornando-se uma arte verdadeiramente engajada.
Precisamos de modelos de conduta, de pessoas que nos inspirem e nos mostrem uma idéia do que é a eudaimonia. Em um mundo secularizado, niilista, envolvido em guerras imperialistas, sem deuses ou santos, surgiu a figura do super-herói como modelo a ser seguido. Eu não acredito que atualmente, em um mundo pisado por Gandhi, Gene Sharp, Paul Watson, Nelson Mandela, Rainha Rania Al-Abdullah, Jane Goodall, Augusto Boal, Paulo Freire ou Franco Basaglia, possamos aidna considerar um mundo sem heróis e exemplos a serem seguidos. Mas eu reconheço que é raro que se tenha informações suficientes sobre a vida e a ação dessas pessoas para se inspirar, e que as histórias em quadrinhso são um meio muito potente de divulgação dessas condutas e valores, de forma bastante humana e sensível, e não meramente através de uma interpretação pelo materialismo histórico.

terça-feira, 31 de março de 2009

The Zulliger Experiment

A exemplo de importantes eventos históricos no mundo das ciências da mente, como o Experimento da Prisão de Stanford e a internação experimental de Sérgio Caperelli, quero sugerir aqui um novo experimento de Psicologia Social, utilizando como instrumento o teste projetivo de Zulliger, muito utilizado no contexto de seleção de pessoal. Esse teste tem uma complexa gama de critérios e classificações, e uma das mais poderosas para a exclusão de aspirantes a empregados que não sejam muito apropriados é a presença ou não de confabulação, ou seja, de elaboração d ehistórias completas e fantásticas que não dizem respeuito propriamente à forma apresentada, ams sim às fantasias projetadas no sujeito na avaliação. Como Marcelo Duarte sabiamente disse, é muito útil para excluir os psicóticos das seleções de emprego. No entanto, eu questiono a utilidade de excluir psicóticos da seleção de emprego, e proponho um experimento social para avaliar os impactos da contratatação de psicóticos em uma empresa.



Devido aos diferentes perfis de uma empresa, que podem variar desde laudos e pareceres técnicos até marketing, e que poderiam apresentar diferentes resultados dependendo da empresa, acho importante realizar um levantamento estatístico dos tipos de empresa que se utilizam deste teste e, conseqüentemente, excluem os psicóticos - que apresentam tendência a confabulação, como uma política da empresa. A partir da construção do tipo ideal de empresa que utiliza Zulliger, o dispositivo utilizado pelo experimento será a criação de uma empresa-fantasma do tipo ideal levantado e que aplicará o teste de Zulliger em todos os seus candidatos, da mesma forma que o procedimento padrão. Contudo, os candidatos selecionados serão todos os que apresentarem as mais acentuadas características de tendência a confabulação, ou seja, psicóticos.
A partir da administração desta variável, então, podemos acompanhar a produtividade da empresa e todos os outros índices relacionados à economia e aos recursos humanos. Desta forma, podemos avaliar o impacto da inserção de psicóticos no contexto organizacional e a importância do teste de Zulliger para o bom funcionamento do sistema capitalista, através de um rigoroso e ousado experimento social, possivelmente acompanhado pela BBC.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Manifesto Contra as Técnicas Projetivas

Aulas chatas são muito comuns. Muito comuns também são os questionamentos sobre a utilidade dessas aulas chatas, expressas em frases como "pra que eu uso isso?" ou "eu não quero isso rpa minha vida", que normalmente são consideradas meras queixas de aunos rebeldes qeu não valorizam o conhecimento. Mas na verdade trata-se de um exercício ético dos mais sofisticados, que qualquer indivíduo mobilizado e engajado com o repensar a educação e o currículo deve cotidianamente realizar. A disciplina de Técnicas Projetivas da graduação em Psicologia é uma dessas aulas chatas que deve ter sua pertinência questionada.
Questiona-se e resmunga-se muito contra esta dsiciplina, mas pouco se tece de crítica efetiva. Vamos começar apresentando a proposta da disciplina: estudar a aplicação de técnicas projetivas, como o HTP, o Zulliger ou o Rorscharch, em contexto clínico, jurídico, acadêmico ou organizacional, e se apropriar do conceito de projeção. Qual a pertinência disto?
A resposta usual é que trata-se de uma das poucas técnicas ou instrumentais exclusivos dos psicólogos, e que é importante conhecer para uma possível aplicação num dos contextos supracitados. No entanto, essa justificativa é meramente ideológica, e não ética. Vou refutar, de forma sistemática, cada ponto:
São as técnicas projetivas úteis em conteto clínico? Na boa, só se o teu cso não é de nada, ou se tu és um psicólogo muito ruim. Com tantas ferramentas diagnósticas, de psiquiatria, psicofarmacologia, psicometria e entrevistas clínicas das mais diversas, pra que recorrer a uma avaliação menos objetiva e bem mais dispendiosa? Se a criança tem problemas na família, é muito fácil de obter a informação perguntando pra ela com jeitinho. Com tantas técnicas clínicas possíveis de serem ensinadas nos limitados currículos, que sejam mais relevantes politicamente e clinicamente, para quê investir em técnicas projetivas? Onde está a Terapia Familiar Sistêmica, o Psicodrama, a Terapia Feminista, a Reabilitação Psicossocial, a Comunicação Não-violenta, o Acompanhamento Terapêutico, a Escala de Stress Infantil, o Inventário de Práticas Parentais, a Escala Beck de Depressão, o Teste de Denver, as Matrizes de Raven, as Terapia Cognitivo-Comportamentais? Como ferramenta diagnóstica, os testes projetivos são pouco objetivos, pouco científicos, muito demorados e demasiado comprometidos de forma bastante perversa com a indústria dos testes.
São os teste projetivos úteis no contexto jurídico? Não. Acxabei de dizer que os testes são pouco objetivos, e isso pega mal na frente do juiz e do advogado da outra parte. Se queres ganhar o caso, utilize de testes psicométricos e de laudos bem detalhados e cheios de referências científicas - se usar psicanálise, tem uma chance do advogado da outra parte ser esperto e saber que isso é pseudociência.
E no contexto acadêmico, para fazer pesquisas? Bom, úteis eu não diria, mas prolíficos com toda a certeza. Você pode supor uma correlação entre qualquer tipo de projeção e qualquer fenômeno psíquico, o que quer que isso seja. Mas não se iluda: projeção é um conceito da psicanálise, e esse construto não existe em nenhuma psicologia científica, então ele não pode ser usado como mecanismo causal, pois ainda não sobrevive à navalha de Ockham.
E no contexto organizacional? Sim, é útil. E também muito respeitado. Mas se as universidades públcias estão formando psicólogos para o contexto organizacional, em vez de priorizzar em absoluto práticas clínicas mais engajadas com as políticas públicas, algo de muito vendido anda acontecendo aí dentro dessa universidade. Ou falta espírito crítico.
São as técnicas projetivas um dos poucos instrumentos concretos ou exclusivos dos psicólogos? Se algo tão desinteressante e com tão pouca utilidade é um dos poucos instrumentos, o que devemos fazer é fortalecer os que são mais úteis, e não se apegar ao navio que afunda. Em vez de ensinar aos futuros psicólogos um monte de testes inúteis, devia-se inventar e ensinar técnicas mais pertinentes. Eu sou contra a reserva de mercado, e também sou contra pseudociência, e contra a prostituição da universidade pública ao contexto organizacional, e contra essa pedagogia opressora e imbecilizadora que nso empurra bobagens goela abaixo. Sinceramente, se as técnicas projetivas são o melhor que os psicólogos têm a oferecer, tratem de inventar algo melhor.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Por uma nova politização das Ciências da Computação


Desde o início da Teoria Crítica, a comunidade acadêmica toma consciência de que as nossas cosmovisões, os nossos interesses e os nossos empreendimento são enviesados em função do lugar que ocupamos na sociedade, em função de nossa classe social. Uma das críticas das teorias pós-modernas à teoria crítica é que faltou à anterior o reconhecimento de outros aspectos subjetivantes, que também determinam o nosso olhar e nossos interesses: gênero, religião, nacionalidade, tribo urbana e quaisquer outros mecanismos identitários. A moral da história é que todo empreendimento científico e intelectual é enviesado e atende aos interesses de determinada camada social, e a obrigação da comunidade intelectual então seria tomar consciência disso e direcionar seus esforçar para atender aos interesses dos mais necessitados, buscando a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e pacífica.
Essas teorias movimentam um número considerável de discussões sobre formação profissional, currículo, ética e mercado de trabalho - ainda que seja menos discussão do que deveria. Muitos cursos e profissões ainda são alienados quanto à sua própria ética, servindo a interesses não muito refletidos, como aos empreendimentos militares, o agronegócio, às corporações ou à religião, à moral e aos bons costumes. Um desses cursos é a futuro profissão de meu irmão - Ciências da Computação - que serve em grande parte aos interesses das corporações. Contudo, este curso tem um potencial subversivo muito grande, já expresso com a Educação para a Informática Popular, os desenvolvimento de Softwares Livres e OpenSource e até às discussões futuristas sobre Inteligência Artificial e distribuição de tecnologias. Mas ainda falta que os cientistas da computação tomem consciência do seu potencial subversivo, pois se poderia fazer muito mais. As Ciências da Computação ainda estão distantes das políticas públicas, o que é uma pena, pois teriam muito a contribuir e um novo mundo a ganhar.
É o envolvimento com as políticas públicas a nova politização das Ciências da Computação que quero advogar aqui. A articulação com o Estado, o envolvimento em projetos populares e o desenvolvimento de programas que combatam a desigualdade social ainda são poucos. A Informática Médica ainda é tímida. Os cientistas da computação aidna se focam demais no desenvolvimento de entretenimento, em função do mercado, e negligenciam áreas mais subversivas e inexploradas. Imagine o que aconteceria se as universidades do país criassem megaprojetos de desenvolvimento de logística e sistemas de informação para rastrear, identificar, combater e prevenir o tráfico humano ou de animais, ou desenvolver modelos matemáticos que contribuam com os programas de biologia da conservação? A distribuição de água, o saneamento básico, a proteção ambiental, a distribuição de alimentos, a prevenção de crimes, são todos ramos bastante deficitários não por falta de evidências, mas por falta de políticas públcias e sistemas rápidos, baratos e eficientes de combater as mazelas sociais, e as Ciências da Computação têm muito o que contribuir com tudo isso.
Esse tipo de mudança, ainda que me pareçam os ramos do futuro (o mercado logo ficará saturado e programadores de rede e de jogos), custará muito a acontecer. Não proque seja muito difícil intelectual ou tecnologicamente para realizar, mas sim por mera falta de comprometimento social. Claro, problemas sociais complexos são muito desafiadores e é necessário ter uma postura muito transdisciplinar - mas rachar a cabeça tentando resolver problemas difíceis é justamente o papel de acadêmicos e intelectuais. Mas os cursos de Ciência da COmputação, assim como muitos outros, não possuem um incentivo nem à politização nem à transdisciplinaridade, então fica difícil. Tem que aparecer alguum estudante e depois pesquisador mutio politizado desde cedo para forçar mudanças no currículo, pois se os atualmente professores não tiveram nenhum contato com ciências sociais, a sua omissão fará com qeu seus alunos também não tenham, mantendo o círculo vicioso. Por isso, precisamos aidna mais urgentemente de pessoas comprometidas para mudar a formação, trazendo a transdisciplinaridade e a articulação entre diferentes saberes para dentro de sala de aula, e depois para o trabalho.