domingo, 22 de julho de 2007

Isso Não Se Discute

Vocês já notaram como as pessoas costumam fugir das discussões? Quando um assunto é polêmico, controverso, fértil, como política, religião ou existencialismo, as pessoas dizem que isto 'não se discute'. Não se discute porque as pessoas discordam, portanto, elas brigariam. Uma discussão só é boa se todos concordam com seus a prioris , e assim chegam a mesma conclusão. Mas que tipo de conhecimento pode ser produzido por um processos desses? Nenhum! O conhecimento surge da contradição, do embate de idéias, de teses múltiplas que se somam e se descartam. Só através do embate ee do questionamento que nós podemos encontrar embasamento para nossas idéias, contrapondo-as à realidade e a outras visões de mundo. É preciso buscar as justificativas dessas idéias, chegar até o cerne do processo de pensamento. Senão, essas idéias não passam de opinião, faixas de pensamento aleatórias sem justificativa, determinadas simplesmente pelo gosto do sujeito, sem profundidade alguma. Minha opinião é essa, é aquela, é porque é, porque eu quero assim. Depois eu busco os argumentos.
Pessoas assim, realmente, quebram a cara em um debate. Elas têm um ataque histéricos, ficam furiosas por discordar delas, e por elas não terem argumentos, e então repetem um "porque sim!" desesperado. Pessoas opinativas raramente entram em um debate, pois não possuem embasamento para isso, e o que possuem, é uma classe de argumentos conquistados após assumirem a opinião. Buscam fatos para confirmar sua teoria. Com uma idéia já formada, não há possiblidade de reflexão, de mudança.
É uma pena, pois o debate é algo muito gostoso e emocionante. Eu pelo menos sinto assim. O debate nos leva ao limite do pensamento, da organização, nos desafiando a formar armas novas a cada instante para tentar impedir a nossa cosmovisão de ruir. É uma verdadeira guerra, mas a Razão nos alivia ao demonstrar que não passa de abstração, e que ninguém vai se ferir. Isso torna essa guerra mais aceitável. Até porque, ao contrário da guerra, que só traz destruição e desespero, o debate é criação, construção, iluminação. A partir do choque de idéias, novas idéias são criadas, melhores, mais lógicas, mais de acordo com os fatos. As informações contraditórias destroem nossa opinião, pois não permitem formar um todo coerente. É preciso então criticar os argumentos, dissecar as idéias, encontrar as lógicas, os a prioris, as contradições, as contra-evidências. É delicioso estar dividido entre duas posturas opostas, e saber que é preciso reformular tudo para conseguir se estabilizar. Essa é a parte mais difícil : reconhecer que nem sempre vamos estar estáveis, intactos, eternos. Somos forçados a mudar, não por coação, mas pela nossa própria consciência.
Duas naturezas, de sentidos opostos, num embate para chegar a um consenso. Na minha opinião, discutir é legal.

Oh, é o Lobo da Estepe!!

Quero, primeiramente, explicitar o porquê deste blog. E para isso precisarei relacioná-lo ao seu estranho título, fazendo uma alusão à maravilhosa obra do existencialista alemão Hermann Hesse, que é O Lobo da Estepe (Das Steppenwolf). Este humilde blog não está sendo escrito necessariamente pela inspiração causada pelo livro, mas sim porque ambos, tanto o blog quanto o Lobo da Estepe, possuem em seu interior os mesmos motivos. E que motivos são estes?
O motivo é a confusão, o questionamento, o desprezo, o pavor, o desejo, a revolta, a visão de mundo sobre a sociedade, ridícula, cruel, desumana, ingênua, complicada, estúpida e contraditória. A natureza de lobo tem um profundo desprezo pelas obras e leis humanas, enquanto a natureza humana nutre um desejo de comunhão com este mundo superficial e vazio.
Ambas as naturezas vivem em conflito, ao menos no livro, e possuem propostas totalmente diferentes sobre a vida, o destino e a sociedade. Aqui farei um esforço, inesperado aos pequenos-burgueses e aos lobos carniceiros, para conciliar as almas lupina e humana. Talvez daqui surjam novos Lobos das Estepes, que dilaceram tudo o que é estúpido em um humano e que construam algo que seja nobre e cheio de compaixão, qualidades que podem ser tanto humanas quanto lupinas.
É uma surpresa encontrar o Lobo da Estepe por aqui, propondo um diálogo com os burgueses e acadêmicos. Mal sabem eles que é no mundo das idéias que o lobo mostra suas presas. E é na terra que o homem constrói seus aspectos mais espirituais, por cima do que antes se dizia humano, mas era lobo.

Oh, é o Lobo da Estepe!!